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segunda-feira, 5 de março de 2012

TOME UM FOIE GRAS GOELA ABAIXO

Acostumado a fazer foie gras enfiando ração goela abaixo em gansos indefesos, o francês Jérôme Valcke, pisou na menina dos olhos do governo e ainda mandou-lhe um chute na bunda. Virou uma nigrinhagem, pegando um gancho das palavras de Juca Kfouri: "A presidenta do Brasil Dilma Rousseff não fala com o presidente da CBF Ricardo Teixeira, que não  fala com o presidente da Fifa Joseph Blatter, cujo secretário-geral Jérôme Valcke não fala com o ministro do Esporte Aldo Rebelo." Ótimo, não? Enquanto isso uns fingem que trabalham, outros acreditam, uns desviam umas verbas, outros um pouco mais...E a bola vai rolando.

Deve ser muito difícil para um estrangeiro, membro da FIFA, uma entidade corrupta, entender como funciona o propinódromo brasileiro, já que até cerveja que nós vamos beber na Copa, a FIFA já escolheu. Deve doer lá no fundo do osso da grampola da cabeça deles tentando descobrir como é que eles vão levar o deles competindo com a concorrência desleal dos lalaus brasileiros jogando em casa. Sem contar que francês é que nem argentino: morre de inveja de brasileiro. Rixa antiga que vem desde aqueles tempo em que aquele anão do Napoleão botou D. João VI pra correr pras bandas de cá, depois com Senna e Prost, com Ronaldo e Zidane.

Mas eu tenho que dar o braço a torcer e concordar com o francês sobre a malemolência dos passos de tartaruga em que andam as obras relacionadas à Copa: estradas, aeroportos, infraestrutura, estádios, transporte, etc, etc, etc.  É como disse  o Mauro Betting em sua coluna num site: "a única coisa em dia no Brasil da Copa é o atraso." Aliás, desde que eu vi aquelas maquetes eu sabia que esse povo era bom mesmo era pra fazer maquete e botar a grana no bolso. O Lula fez uma propaganda tremenda das maquetes. Pra mim aquilo era só estádio pra futebol de botão feito de isopor e cartolina.

Até aqui em São Luís a moda da maquete já pegou. Eu chamo isso de engana-besta. Já fizeram até uma maquete pro pier lá da Ponta D'areia, o tal do Espigão que está a mais de uma década pra ser feito e agora apareceu a maquete noticiada com pompas num jornal no fim de semana. Ah, tá bom..

Mas acho é que negada fica mais puto é quando aparece um mequetrefe falando desaforo, isso e aquilo da gente. Imagina se o Secretário de Obras fosse o Dorival Caymmi. O certo é que ninguém pode falar mal de nós. Só nós. E tenho dito.

Aliás, Jérôme do Caralhê, tome um foie gras goela abaixo!!!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

EXTORSÃO: UMA INSTITUIÇÃO NACIONAL

Quando Steve Jones e Paul Cook, do Sex Pistols, estiveram no Brasil em 1978 e saíram pra dar uma  volta no Rio com José Emílio Rondeau estranharam a figura do flanelinha recebendo trocados para "guardar" carros. Imagine: os ícones do movimento punk espantados com a institucionalização da extorsão na figura do flanelinha amparada pela venda nos olhos da justiça brasileira.

Juntando toda a banda terceiro-mundista com a herança pré-colonial de nossa descendência pouco nobre de degradados e amancebados, o que nos diferencia de uma Paris do século XVIII é que hoje existe um saneamento razoável nas ruas e as mães não dão luz  nas feiras sob barracas de peixe, cortando os cordões umbilicais com  facas sujas de vísceras.

De trocado em trocado os flanelinhas transformaram a guarda de carros em um negócio sindicalizado que aliado à falta de oportunidade de emprego agregou à classe uma turma de vagabundos e desocupados que transformaram o negócio numa oportunidade de extorquir motoristas em estacionamentos públicos e pedágios em semáforos, ao cúmulo de cobrarem 100, 150 reais por uma vaga em São Paulo.

Eu sei que tem quem se sensibilize com isso, mas eu não. Não estudei pra ser trouxa, mas até porque faço minha parte antecipada: o imposto do meu salário é descontado na fonte. Quem devia estar preocupado, que são os políticos e governantes,  não estão. Embutiu-se na sociedade o hábito de que os cidadãos assumam as lacunas deixadas pelas más gestões públicas enquanto a cada eleição o que se vê é a fanfarronice do desperdício do dinheiro arrecadado em impostos ir para a latrina das promessas de campanha. Basta buscar na memória recente do país.

Mas se não se punem os graúdos, quanto mais os miúdos. Eu me lembro de folhear livros de Direito na biblioteca de meu pai, num tempo em que buscava minha vocação profissional, e ter lido, num antigo Código Civil a respeito da detenção por vadiagem e outras contravenções. Até pensei que essa lei nem mais existisse, mas existe. Surpreendentemente, o capítulo VIII das Leis das Contravenções Penais lista como passíveis de punição as seguintes contravenções, entre outras que eu também julgava extintas: jogo do bicho, importunação ofensiva ao pudor, embriaguez, servir bebidas alcoólicas a quem se encontra embriagado, pertubação da tranquilidade, etc.

Apesar de soar irônico, este retrato é extremamente perturbador, na medida que coloca as leis vigentes do país num limbo, num plano de arqueologia. E para fazê-las cumpri-las as instituições mais sérias tem que garimpar verdades, direitos esquecidos por décadas de descaso contra a sociedade.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

FÁBULAS BRASILEIRAS

O Brasil assemelha-se a um país de conto de fadas, mas ao contrário das fábulas de Esopo as histórias daqui não tem moral e nem final felizes. Aqui as histórias só terminam bem para as bruxas e para os lobos-mau.

Assistindo essa semana o Bate Bola na Espn, um dos comentaristas, indignado, desabafava pela precariedade do transporte público em São Paulo: "Uma cidade feita para carros. Uma pessoa por veículo!", desabafava. E continuou a discussão relembrando projetos de alguém, planejamentos de não sei quem, obras que nunca começaram e outras que nunca tiveram fim.

Mas este é o Brasil, impávido e colosso. Eu me lembro que nos anos 80 muito se falava sobre a reserva de ferro de Carajás e o fato dela ser a maior do mundo. Naquela época eu já me questionava como um país de extensão continental, vítima do cartel árabe e americano do petróleo e com a maior reserva de ferro do mundo dependia tanto do transporte rodoviário e da indústria automobilística. Por que não tínhamos estradas de ferro como os EUA e a Europa? Claro, eu tinha apenas vinte anos e não conhecia o maquinismo entranhado na nossa história sócio-econômica; da rendição política do país aos interesses dos senhores da GM, da Ford, da Crysler e das gigantes petrolíferas Esso, Shell e Texaco em desovar seus estoques no Terceiro Mundo, tornando-nos serviçais dos seus produtos e nos deixando como herança os frangalhos do nosso transporte público.

Das fábulas brasileiras, uma delas deu origem mês passado ao livro "O Ladrão do Fim do Mundo" que conta a história de como no início do século XX o Brasil que produzia 95% da borracha consumida no mundo passou a comercializar apenas 2,3%, depois que um ladrão inglês chamado Henry Wickham contrabandeou 70 mil sementes da seringueira brasileira para as colônias do Império Britânico dentro de um camarote lacrado em um navio que foi inspecionado pelas autoridades brasileiras em Belém do Pará, e as árvores começaram a produzir lá do outro lado do mundo.

Mas isso é a apenas uma parte da história dos marginais que se entranharam no país que já abrigou um nazista e criminoso de guerra (Joseph Mengele), um assaltante procurado pela Interpol (Ronald Biggs), um ditador sanguinário (Stroessener), um mafioso (Tomaso Busceta) e recentemente um terrorista italiano (Cesar Battisti). Tudo isso, claro, sob os auspícios da lei.

Ironicamente esta lei que protege bandidos não é usada de maneira eficaz para proteger nossas crianças e adolescentes, garantido-lhes a dignidade e cidadania merecida. Dia desses, enquanto almoçava e ouvia as tele notícias fui bombardeado pelo descaso social em que vivemos: numa escola um aluno foi eletrocutado porque tocou numa parede que dava choque; em outra, os alunos bebiam água em panelas porque não haviam copos. As imagens falavam por si só. E, claro, as condições são precárias, mas não é por falta de dinheiro público e sim porque reformar escolas neste momento não trás vantagens políticas, pois este não é um ano de eleição. Assim, a ideia política é a mesma de 30, 40 anos atrás: manter as obras públicas num nível de precariedade e a educação das crianças num patamar subdesenvolvido para garantir o cabresto de votos nas eleições futuras.

Assim se constrói um país de analfabetos. Assim fomos ao longo da história sendo segregados de nossa intelectualidade e de nossa cultura. Usurpados de nossas criações como fazem ao pioneiro da aviação, Santos Dumont, com relação aos irmãos Wrigth e ao padre José Francisco de Azevedo que inventou a máquina de escrever e depois perdeu o direito de patenteá-la, pois um americano roubou-lhe a ideia e a patenteou sete anos depois. Se não temos respeito por nossa identidade, quem irá nos respeitar?

Das sementes contrabandeadas da floresta ao domínio da U.S. Steel que chegou a ser dona de 70% do ferro da Carajás, o país mudou muito, mas não mudamos nosso caráter. Antes éramos saqueados apenas pelos colonizadores que nos levavam a riqueza da terra e ficávamos como miseráveis ilhados em nosso próprio reduto; agora aprendemos a saquear a nós mesmos desviando recursos da saúde, da educação, da segurança pública e aumentando os impostos na mesma proporção que aumentam o número das aves de rapina.




domingo, 29 de maio de 2011

CORTEM-LHES AS CABEÇAS!

Quando Joseph Guillotin sugeriu aos franceses a utilização da guilhotina, imagino que jamais lhe passou pela cabeça que, por ironia, sua cabeça também estaria sujeita a rolar pela lâminas da engenhoca. Precavidos e temendo que a carapuça lhes caibam, deputados e senadores acabam sempre sendo complacentes quando votam projetos de lei para tornar mais severas as leis no país, como aconteceu recentemente com o Código Florestal. O feitiço pode virar contra o feiticeiro.

Mesmo que a atual Constituição não tivesse banido a pena de morte, a guilhotina não seria bem vinda no país porque o risco de você ser morto por engano, por vingança, por pilhéria, seria muito grande em razão da corrupção intrínseca que nos envolve, do bispo ao desembargador, conforme nos mostra a história resgatada.

Ontem, enquanto assistia a final da Champions, e o narrador disse que pela vitória os jogadores do Barcelona e do Manchester receberiam cada um 700 e 400 mil euros, respectivamente, imaginei que o fair play da corrupção aqui no Brasil seria o seguinte: "olha vocês entregam o jogo e a gente dá um bicho de 500 mil pra vocês e todo mundo fica feliz, ok?"

Quando o país teve coragem de emplacar um impecheman em um presidente, eu pensei que agora iríamos mudar. Tornar-nos um país que vai pra frente ô, ô, ô ,ô de uma gente amiga e tão contente, ô, ô, ô,ô...Ledo engano. A frase que me vem agora, anos depois daquele fato, encontra-se ipsen liden, na orelha do livro "A Coroa, a Cruz e a Espada, de Eduardo Bueno, e diz: "Em companhia do  governador-geral, Tomé de Sousa, desembarcaram na Bahia, em março de 1549, dezenas de escrivães, juízes, meirinhos, provedores e almoxarifes. Esses funcionários públicos - vindos em número bastante superiores às exigências do serviço - transplantaram para os trópicos algumas das mais marcantes características da burocracia estatal ibérica: o clientelismo, a leniência e o nepotismo".

O governo Lula adiou uma iminente Guerra Civil com os programas de distribuição de renda mas não encontrou soluções para mudar a cara do país. Os miseráveis, mesmo recebendo recursos do Governo Federal para melhoria a renda, querem continuar miseráveis porque só assim vão continuar sendo tratados como coitadinhos e, mantendo-se  num determinado patamar que justifique suas necessidades; os políticos não querem de verdade, melhorar a qualidade de vida dos miseráveis porque eles fazem parte do chamado voto de cabresto, ainda em voga nos currais eleitorais no país, e são garantias de suas próximas reeleições.

Juntando todas informações diárias que circulam como enxurrada pela mídia - assaltos, explosão de caixa eletrônico, desvio de verbas do INSS, propinas entre políticos, fraudes no seguro-pescador, desvio de verbas públicas, corrupção policial - fico imaginando quantos por cento da população brasileira é criminosa e quantos por cento do território nacional seria destinado para a construção de super-presídios para enjaular essa turma do mal.

Enjaular para cumprir a Constituição. Eu preferiria colocá-los a ferros, em trabalhos forçados na recuperação de ruas, estradas, estádios, etc.

Isso eu, porque a Rainha Vermelha apenas bradaria:
- Cortem-lhes as cabeças!!!!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

A REPÚBLICA DO MARANHÃO

No Maranhão os políticos agem como se o Estado fosse um país independente. Felizmente não é, pois se fosse teria como presidente  um coronel caricato de chapéu panamá e charutos de uma república das bananas.

Um dos maiores empresários maranhenses foi perseguido pela Intepol, preso no Rio de Janeiro e encaminhado para a penitenciária de Pedrinhas, mas posou às gargalhadas para as fotos enquanto era preso e sequer colocou os pés naquele presídio.

O Estado com maior número de condenações no TCU (7.854, total no país) é o Maranhão, com 728 ocorrências e os “ficha suja” mais conhecidos no Maranhão são: Paulo e Márcia Marinho, Zé Vieira, o deputado José Lima, Ricardo Archer, Rubens Pereira, Rômulo Augusto Trovão, o professor Caio Hostílio, José Henrique Brandão, Luis Osmani, Calvet e Magno Bacelar.

Ainda assim o TRE do Maranhão - passando por cima do TSE - decidiu nesta segunda que a Lei da Ficha Limpa não pode ser aplicada a condenações ocorridas antes de sua vigência. Com a decisão, os juízes garantiram o registro da candidatura do deputado federal e candidato à reeleição José Sarney Filho (PV-MA).Disso resultou o comentário de Arnaldo Jabor em que os políticos do Maranhão são iguais àqueles do Afeganistão.



Em março, o Maranhão também foi notícia na mídia, através de Alexandre Garcia, sobre as condições precárias das escolas no interior do Estado, favorecendo a manutenção do analfabetismo para que as crianças ficassem nas mesma condições que os pais. Se você não viu, veja aqui.

Semana passada uma ONG invadiu as praias da Av. Litorânea para alertar sobre a atitude criminosa que vem ocorrendo a décadas e que já causou até intedição do banho de mar. Segundo dados da ONG, são lançados 9 milhões de litros/hora de esgoto não tratado nas praias de São Luís.


A cidade vive um boom imobiliário. Nunca se construiu tanto. A Prefeitura arrecada com alvarás, ITBI's, ISS; as lojas de materiais vendem, o Estado arrecada o ICMS. Todos eles ganham, menos a população que tem a qualidade de vida comprometida.

Mas não existe seriedade para uma solução. Interdita-se as praias mas alguém intevem e diz que isso é ruim pro turismo. Pra uma cidade considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, São Luís merecia mais respeito. E a população muito mais.

Depois querem atrair investimentos estrangeiros e turismo. 

Sabe o slogan " trate bem o turista que ele volta"?

Volta? Quando?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL NA CADEIA OU O BLOCO DO EU SOZINHO

Li esta manhã que, Arruda, o governador licenciado do DF e atual detento da PF, proibido de utilizar internet, televisão e celulares, recebeu livros de auto-ajuda. Fiquei preocupado pois imaginei tratar-se dos best-seller dos Irmãos Metralha: Como Fugir de sua Cela Utilizando-se da Faca da Cozinha ou o fora de catálogo Como Esconder Dinheiro nas Meias e Cueca sem Chamar Atenção.

Passado o susto, surpreendeu-me saber que quem forneceu os livros foi um tenente da polícia militar do DF. Não sabia que era competência da autoridade policial fornecer livros ou similares para detentos, seja ele quem for. Parece-me desvio de função pois escapa-lhe assim a imparcialidade com que tem de tratar os outros detentos.

Também uma aposentada de Ceilândia veio prestar solidariedade ao detento com orações e uma Bíblia na mão dizendo que "ele fez muita coisa boa pela minha cidade." Imagino que, o que ele fez de bom não foi nada mais que a obrigação dele como governador; imagino também que ele tenha feito muito mais coisas boas em proveito próprio pois os crimes que o Ministério Público imputa-lhe são de constituição de organização criminosa ou quadrilha, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude a licitação, crime eleitoral.

Arruda está passando o carnaval na cadeia, brincando no bloco-do-eu-sozinho, já que seu esquema de corrupção desmoronou. Consta que um dos esquema era receber propinas de 50 mil de 15 em 15 dias, ilícito que já durava desde 2006. São 4 anos e cerca de 104 quinzenas multiplicadas por 50 mil reais. Se a aposentada fizesse estas contas talvez ela entendesse porque o sua minguada aposentadoria tem aumentado tão pouco.

Para que o assunto não se perca na memória das pessoas, acrescento o vídeo exibido pela TV Bandeirantes em 30/11/2009, onde Arruda aparece recebendo uma das tantas propinas.