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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

OS AMIGOS TRAÍRAS

Hoplias sp. também conhecido por traíra (lembra aquele seu amigo?)


O que eu acho mais pitoresco no resultado das eleições não é quem vai ganhar, mas aquela turma que fica lá na rabeira. Que se candidata pra encher lingüiça, como se diz por aí.

É que lá no fundão ficam dois tipos de candidatos: os que não tiveram nenhum voto e aqueles que tiveram 3, 5 , 8 votos, etc. 

Da turma que não levou nenhum voto, pode-se até perguntar: pôxa, nenhum voto? Mas nem ele mesmo votou nele? Mas entendendo que existe muito mais maracutaia entre a urna e o eleitor do que possa imaginar a nossa vã filosofia, eu me deixo acreditar que isso é jogada de troca de favores entre partidos e seus conchavos.

Agora a segunda turma é cruel. São os dissidentes. Aqueles que não fizeram conchavos ou fizeram e depois romperam a negociata com seus partidos. Aqueles que revoltosos nas plenárias bradaram de peito cheio: "O povo acredita em mim! Não me juntarei às oligarquias! Vou às ruas pedir meus votos!" E aí manda fazer centenas de "santinhos" e sai no corpo a corpo com eleitorado: familiares, vizinhos, colegas de trabalho, parceiros da academia, amigos da sinuca, do boteco, do futebol, da igreja e na hora do resultado das eleições: 3 votos. Três míseros votos!!!!!

Ah!, bando de traíras!!!!

Aí o cara fica no desespero pois tinha pelo menos 4 votos garantidos. Como é que só aparece 3?

Daí ele começa a fazer as contas: eu votei em mim, minha mulher também votou, meu filho também...Será que foi minha mãe que não votou?
( Mãe não querer votar em filho é um ato instintivo de defesa do reino animal. Afinal existe um risco altíssimo do filho ser tratado por filha da p*** ofendendo a integridade, a moral e os bons costumes da digníssima matrona)

Ratificado que a mãe votou porque mãe é mãe e palavra de mãe é sagrada, vira-se pra mulher e pergunta:

-Querida você votou em mim, certo?

Ela fita-lhe angustiada e diz:

-Olha, veja bem querido....

Pronto! Entregou! Esse "olha" na mesma frase com "veja bem" é trairagem total. Vindo de casa então...Puta que los párius!!! É mesmo que estar morando com o inimigo.

Aí só levando pro Bope: "Pede pra sair zero dois!!!

sábado, 2 de outubro de 2010

DÚVIDAS ELEITORAIS


Amanhã é proibido o candidato alimentar o eleitor. Mas quem tá com fome vai recusar?

E como é que a polícia diferencia o transporte legal do transporte ilegal de eleitores? O eleitor se auto-dedura?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O ATAQUE DOS CLONES

D'oh! Onde está a urna???

Eu pensava que nestas eleições bastava levar o título e o polegar direito, afinal as urnas seriam digitais.

Mais não! Como tudo no país é feito com retrabalho, às vésperas do pleito, convocou-se o STF para julgar o mérito do artigo 91 da lei 12.034 sobre a necessidade de o eleitor apresentar dois documentos para votar nos seis candidatos além de ter que decorar o número de cada um deles e daí voltou-se ao ponto de partida: basta levar um documento com foto. Ohhhh!!!! SANTA REDUNDÂNCIA, BATMAN!!! 

E as urnas com reconhecimento de digitais? As urnas eletrônicas com reconhecimento de digitais serão testadas em apenas cem municípios. Fica pra próxima! Talvez pra combinar com a incerteza da Lei da Ficha Limpa.

Impressiona-me tanta meticulosidade com o eleitor enquanto o que mais se bateu na mídia foi a referida lei e os ministros do STF não conseguiram chegar a uma decisão antes das eleições. Repassaram a dúvida para os candidatos impugnados e, sobretudo, para os eleitores, que irão às urnas sem saber se os candidatos que escolheram poderão ser empossados. Esta é a nossa democracia.

É como dizia minha vó: vão-se o anéis ficam-se os dedos!

O temor no futuro é que na urna digital se corra o risco de dizer: Vão-se os polegares fica-se com o título!

domingo, 1 de agosto de 2010

A REPÚBLICA DO MARANHÃO

No Maranhão os políticos agem como se o Estado fosse um país independente. Felizmente não é, pois se fosse teria como presidente  um coronel caricato de chapéu panamá e charutos de uma república das bananas.

Um dos maiores empresários maranhenses foi perseguido pela Intepol, preso no Rio de Janeiro e encaminhado para a penitenciária de Pedrinhas, mas posou às gargalhadas para as fotos enquanto era preso e sequer colocou os pés naquele presídio.

O Estado com maior número de condenações no TCU (7.854, total no país) é o Maranhão, com 728 ocorrências e os “ficha suja” mais conhecidos no Maranhão são: Paulo e Márcia Marinho, Zé Vieira, o deputado José Lima, Ricardo Archer, Rubens Pereira, Rômulo Augusto Trovão, o professor Caio Hostílio, José Henrique Brandão, Luis Osmani, Calvet e Magno Bacelar.

Ainda assim o TRE do Maranhão - passando por cima do TSE - decidiu nesta segunda que a Lei da Ficha Limpa não pode ser aplicada a condenações ocorridas antes de sua vigência. Com a decisão, os juízes garantiram o registro da candidatura do deputado federal e candidato à reeleição José Sarney Filho (PV-MA).Disso resultou o comentário de Arnaldo Jabor em que os políticos do Maranhão são iguais àqueles do Afeganistão.



Em março, o Maranhão também foi notícia na mídia, através de Alexandre Garcia, sobre as condições precárias das escolas no interior do Estado, favorecendo a manutenção do analfabetismo para que as crianças ficassem nas mesma condições que os pais. Se você não viu, veja aqui.

Semana passada uma ONG invadiu as praias da Av. Litorânea para alertar sobre a atitude criminosa que vem ocorrendo a décadas e que já causou até intedição do banho de mar. Segundo dados da ONG, são lançados 9 milhões de litros/hora de esgoto não tratado nas praias de São Luís.


A cidade vive um boom imobiliário. Nunca se construiu tanto. A Prefeitura arrecada com alvarás, ITBI's, ISS; as lojas de materiais vendem, o Estado arrecada o ICMS. Todos eles ganham, menos a população que tem a qualidade de vida comprometida.

Mas não existe seriedade para uma solução. Interdita-se as praias mas alguém intevem e diz que isso é ruim pro turismo. Pra uma cidade considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, São Luís merecia mais respeito. E a população muito mais.

Depois querem atrair investimentos estrangeiros e turismo. 

Sabe o slogan " trate bem o turista que ele volta"?

Volta? Quando?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A ERA DO GELO: SALÁRIOS NO FREEZER

Hoje escutei a entrevista de um professor da UFMA sobre o repúdio da categoria ao projeto de lei que congela por 10 anos os salários dos servidores públicos e me pergunto se o governo tem um projeto de lei paralelo equivalente de inflação zero por igual período ou a intenção é nos tornar cada vez mais miseráveis na medida em que a perda prevista no holerit equivale a uma redução de 1/4 do salário atual dos atuais servidores. E mais: o projeto impede também a realização de novos concursos públicos aumentando o número de futuros desempregados.

Associações de classe prevêem uma redução de 25% nas verbas orçamentárias destinadas aos serviços de educação e saúde e denuncia que o dinheiro economizado servirá tão somente para o pagamento da chamada "dívida pública" com os bancos internacionais. Servidor público vai ter que fazer um bico por fora para poder completar seu salário. Imagine como ficarão os serviços públicos de hospitais, escolas e segurança policial.

O projeto, de autoria da Casa Civil, já foi aprovado no Senado Federal e agora tramita na Câmara dos Deputados. Deve ser fácil para quem já construiu seu patrimônio agarrado às regalias do poder com salários de primeiro-mundo e benefícios nababescos, para quem sabe estar garantido aposentadoria especial com incorporações salariais decorrente de cargo eletivo, legislar contra quem trabalha e contribui para manter uma das mais altas cargas tributárias do mundo.

A herança do populismo ainda empesta os armários do poder. Fernando Collor, aquele cidadão que foi expulso da Presidência da República, logo que assumiu o cargo numa euforia popular como “O Caçador de Marajás”, passou a rasteira nos seus eleitores e mandou confiscar a poupança de centena de milhares de brasileiros, deixando toda a classe trabalhadora à míngua, enquanto nos corredores do Planalto corria o fuxico alertando os “poderosos” para que sacassem e transferissem seus recursos dos bancos, evitando o confisco. Só não avisaram a gente.

E com o governo Lula o populismo não é diferente. Só mudam os meandros da manipulação. Mesmo que se justifiquem com medidas “injustificáveis” este saque à dignidade do servidor público "face à crise mundial", não faltam recursos financeiros para sustentar o populismo. O Bolsa-Família é um exemplo: embora não tenha os números precisos de manutenção, arredondo-o entre 10 a 15 bilhões de reais para dar sustento ( sustento, não trabalho, emprego e produção)  a milhares de famílias excluídas à décadas dos padrões de cidadania; as Olimpíadas de 2014 e a Copa do Mundo de 2016 são outro exemplo: os custos são estimados em 30 bilhões e 10 bilhões, respectivamente. Acrescente-se a isso, mais uns 40% a título de despesas extraordinárias. Tudo para ostentar uma postura que o país não possui.

A postura que temos é a de um país de desigualdades. Uma pesquisa de alguns anos atrás mostrava o país em 5º lugar no ranking dos países com maior desigualdade social. Perdia apenas para 4 países africanos onde a miséria é latente. Una-se a isso o futuro que espera a maior parte dos servidores como pequenos empreendedores: o peso da carga tributária e fiscal.

Mas transformar servidores públicos em pequenos empresários talvez seja uma das metas da obscura política brasileira. Aumentar as desigualdades, rolar o endividamento de seus servidores, arrecadar mais com impostos, cortar gastos nos serviços essenciais à população e mascarar números da economia para alardear um crescimento fictício, como nunca antes neste país.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O I WANT YOU ELEITORAL VAI COMEÇAR

Há dois meses atrás postei aqui minha indignação sobre a decisão unilateral do recadastramento de eleitores para utilizar a urna digital, sob a egídie de que o voto é um direito do cidadão no estado democrático.

Ok, ok, mas o que não entra na minha cabeça é este direito que ao mesmo tempo se torna um dever pois neste estado democrático que vivemos se você não tiver aquele recibo de eleição, provando que votou, você não consegue emprego público e similares. Então é meu dever votar, pois não posso deixar de portar documentos essenciais neste estado de direito burocrático.

Mas não era sobre isso que eu queria falar. Voltando lá pro começo, no meu post eu disse que ao invés do eleitor ter que provar que ele é ele para poder usar a urna digital, os candidatos eram quem deveriam provar se têm, ou não, antecedentes criminais que os tornem inelegíveis. Sobre isso foi dado um passo meio que capenga pelo TSE mediante o acesso do eleitor ao Sistema de Divulgação de Candidaturas, na internet, da certidão criminal dos candidatos. Aqueles com certidão positiva terão que apresentar detalhes sobre o andamento de cada processo.

Eu disse que o passo era meio capenga porque a certidão criminal já faz parte da relação de documentos exigidos para registro da candidatura e, ainda que a vida pregressa do candidato possa ser consultada pelo eleitor, o status dela não influenciará o seu registro de candidato. Ou seja, se ele estiver atolado de processos, pode se candidatar normalmente e até ser eleito. E adiar os processos com sua imunidade parlamentar.

Num país de muitos analfabetos, uns letrados e outros não, de reduzidade capilaridade de acesso à internet pela maioria da população, estes dados  no espaço virtual deverão ser acessados apenas por poucos e privilegiados cidadãos.

Que mais uma vez exercerão seu direito/dever ao voto.

sábado, 7 de novembro de 2009

URNA BIOMÉTRICA


Vem aí a urna biométrica nas eleições.

Agora você vai ser identificado pela sua impressão digital na hora da votação. É tecnologia, mas você vai ficar com aquela sensação de ser analfabeto que não sabe escrever o nome.

O governo justifica o avanço tecnológico para imprimir transparência e lisura no processo eleitoral!

Eu vejo de outra forma. O governo quer saber se você é ou não desonesto quando vota. Se vota no lugar de defunto ou se vota duas vezes em dois locais diferentes. Pra mim quem provoca a fraude na eleição não é o eleitor, mas o candidato que o suborna.

Então antes de exigir que o eleitor ponha sua digital na urna para justificar sua integridade, sou a favor de tirar as digitais na polícia de todos os candidatos e cruzar os dados na justiça a fim de verificar se um e outro não respondem a processos que os tornem inelegíveis.

Porque todo cuidado é pouco. Pois teve aquele ex-deputado acreano que mandava matar seus inimigos com motosserra. Imaginem o que não fariam por nossos polegares.