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domingo, 28 de março de 2010

UTOPIA E PAIXÃO


Resgatei por estes dias a leitura de Utopia e Paixão, de Ricardo Freire e Fausto Brito, buscando o mesmo significado de quando o li pela primeira vez aos vinte anos.

Os impactos são diferentes. Mas, ainda assim uma passagem permaneceu intacta na minha memória devido ao efeito aniquilador e explícito que foi contundente em algumas pessoas da minha geração. Trata-se do amor de mãe elevado a quinta potência. Digo isso tão convicto porque conheci pessoas que deixaram de realizar seus sonhos, suas paixões e utopias, por conta da ligação de um cordão umbilical de aço ocultado sob um manto cor de rosa do amor materno.

O trecho do livro é o seguinte, com adaptações:

"Consideramos o amor de mãe muito mais perigoso para a humanidade que todo o arsenal de armas atômicas. Estas armas servem às chantagens do jogo de poder internacional. Mas isto tudo é controlável, pois faz parte de um jogo mais ou menos ético e universal.

Agora, quanto ao amor de mãe, é justamente o contrário. Nós o veneramos. E é através dele que o autoritarismo penetra nas pessoas e provoca outro tipo de desintegração. Em vez de nuclear, é uma desintegração bioenergética que nos torna dependentes e impotentes diante do autoritarismo. Nós nos habituamos a viver com ele e não conseguimos mais viver sem ele: é a morte da originalidade, é a impotência e incompetência para a liberdade.

O amor de mãe de que falamos é aquele desenvolvido acima do necessário, acima do biológico, acima do real, acima do amor.

O "excesso" de amor do tipo "mãe" enfraqueceu o homem de tal forma que ele aceita o poder, a dominação, a injustiça social, as armas nucleares, enfim, todas as faces do autoritarismo. Ninguém nasceu autoritário. O ser autoritário se produz através de um processo pedagógico que começa nas relações afetivas familiares.

Os pais e as mães não sabem que muitas vezes estão trabalhando a serviço do poder do Estado para destruir nosso poder de contestação, de identidade pessoal, de espontaneidade criativa."

Confesso que aos vintes anos, sob a primeira leitura, não senti o estardalhaço visceral do significado desta passagem como quando a compreendi anos mais tarde: se uma arma atômica é suficiente para uma destruição total, imagine um arsenal de armas atômicas.

Claro que a maioria de nós não vive mais nas cidades provincianas de vinte, trinta anos atrás e neste ínterim o mundo, a sociedade e o comportamento já passaram várias vezes pelo liquidificador das mudanças. Não se concebe mais ao indivíduo sua indiferença a sua identidade. Vivemos no acelerado processo onde o que conta é a construção de nossa personalidade num mundo que já sobrevive a milênios independente de nossa existência, e que cabe a nós, somente a nós, marcar o nosso o nosso lugar, o nosso território.

O amor de mãe é uma herança indissolúvel. Sobreviverá. Mas nossos caminhos são trilhados apenas com nossos pés.

segunda-feira, 22 de março de 2010

O ZEN-NUDISMO NA TÉCNICA DA JARDINAGEM

                                    Casal pelado disfarçado de arbusto


Nessa onda de ficar peladão, no Colorado, um casal que pratica jardinagem em trajes íntimos está ameaçado de despejo pelos vizinhos.

Dizem que é mau exemplo pra garotada, a vizinha cinquentona, ficar andando pra lá e pra cá com os seios balançando entre as trepadeiras (Trepadeiras, neste caso, são uma das variedades de plantas da família Oleaceae diferente de vizinhas trepadeiras que são de outra família). Pior ainda deve ser o visual do maridão em trajes de quase-Adão desenrolando a mangueira ao ar-livre (Mangueira: instrumento de borracha flexível utilizado na irrigação de jardins). Entendido?

Ok, vamos adiante! Os americanos possuem a maior indústria pornográfica do mundo para exportação mas quando o assunto é no quintal deles, invocam a TRADIÇÃO-FAMÍLIA-PROPRIEDADE e arrotam um puritanismo pudico de mentirinha.

Of course, mas isso é problema deles.

O meu foi ficar curioso em saber se causa algum efeito a visão dos seios nus no crescimento das plantas? É porque dizem que o corpo fala e que tem gente que conversa com plantas...

E "porque os poetas místicos dizem que as flores sentem e dizem que as pedras tem alma e que os rios têm êxtase ao luar."*

Deve haver uma resposta sensata pra essa relação natureba-psicológica-mística, senão não existiria o Discovery Chanel nem o Animal Planet.

Tô querendo dar um upgrade no visual de minhas plantinhas no terraço mas acho que essa onda de andar peladão perto delas não irá contribuir muito pra isso. Pelo contrário, acho que elas podem até murchar com o susto (murchar no sentido de definhar: elas, as plantas. Fui claro? ).

* citação de "O Guardador de Rebanhos", de Alberto Caeiro

sábado, 30 de janeiro de 2010

FELICIDADE INTERNA BRUTA


Em que nível anda sua felicidade?

Este é o Santo Graal da ciência hedônica - a ciência da felicidade - que vem pesquisando e estudando o comportamento das pessoas para identificar as respostas para esta pergunta. 

Mas o que representa felicidade para algumas pessoas pode não representar para outras; um exemplo disso é o dinheiro. Segundo os analistas quando as pessoas saem da pobreza, há um aumento dramático da felicidade. Mas à medida que a renda fica alta, esse crescimento torna-se cada vez menor chegando a um ponto em que a curva da felicidade se estabiliza no conforto e começa a cair quando atinge o luxo.

A procura por sinais de comportamento da felicidade humana levou a alguns resultados interessantes de acordo com geneticistas americanos. Após pesquisas, os cientistas entenderam que 50% dos estado do humor é genético. Os outros 50% são complementados pela conexão social: amigos, casamento, grupos afins, etc.

Este conjunto de variáveis intangíveis que compõem a sua e minha felicidade começou a ser alvo de estudos desde que o rei de Butão, um pequeno país do Himalaia, vendeu a idéia de que a riqueza de um país não poderia ser medida simplesmente pelo crescimento econômico, mas por um indicador que se baseasse na integração do desenvolvimento material com o psicológico, o cultural e o espiritual. Chamou este indicador de Felicidade Interna Bruta, ou simplesmente FIB.

Este novo conceito implode o antiquado modelo econômico onde a riqueza de uma nação é calculada pelo PIB, tão bem já questionado pelo ex-ministro da Fazenda Delfim Neto, que o equiparava ao cálculo aritmético que dividia uma galinha entre uma pessoa que comia e outras que sequer a tinham visto.

O FIB leva em conta o progresso de uma comunidade baseando-se em nove dimensões: padrão econômico, boa governança, educação de qualidade, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gestão do tempo e bem-estar psicológico. 

As empresas estão de olho nesta transformação de costumes e valores pessoais utilizando-se de um novo conceito de gestão, o Endo-FIB. Levam em consideração que pessoas felizes se saem melhor em entrevista de emprego, são mais produtivas e mais bem sucedidas e mantém mais coesão para trabalho em equipe, principalmente quando há o uso equilibrado do tempo. Pesquisadores concluem que seis horas de trabalho energético são suficientes e que o restante do dia deveria ser liberado para lazer cultural, socialização e atividade física.

Existe o site Felicidade Interna Bruta que merece uma espiada. Além de fazer o Teste da Felicidade, existem 100 dicas muito legais de como dar um upgrade para melhorá-la. Acho que vale a pena escolher uma delas pra realizar por semana. Mal não faz.