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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO SÓ NÃO VAI QUEM JÁ MORREU

Me segura senão eu caio

A mãe de Riroca - a cantora Baby do Brasil , que na vida real  se chama Bernadete Dinorah, ficou um peixe fora d'água porque seu trio elétrico evangélico só atraiu um fã no carnaval de Salvador. Diga-se de passagem, um fã privilegiado e sócio de carteirinha, porque o cara brincou em cima do trio. Só não sei se foi um prêmio a sua fidelidade ou com medo de se perder na imensidão do vazio que circundava o trio elétrico.

Mas afinal, Baby queria o quê? Será que ela não sabe que evangélico faz retiro espiritual nesta época, pra fugir da tentação do capeta? Nessa época lazer de evangélico é comer, encher a pança e fazer dinâmica de grupo. Digo isso porque moro próximo de uma movimentada igreja evangélica e toda hora tem um "rega-bofe" e todo mundo passa com uns pratos de comida. Ainda mais com esse visual de Malévola.

Ô Baby...Essa roupa que você tá usando é minha!!!!

Eu era muito fã de Baby do Brasil quando ela se chamava Baby Consuelo e não era pastora evangélica. Acho que já até postei alguma coisa aqui no blog sobre o disco Ao Vivo em Montreax, pra mim, onde ela matou a pau explorando toda sua perfomance musical.

Daí, como ele mesmo diz quando se converteu entrando em uma realidade paralela que nem em Matriz, a mãe de Zabelê e Nana Shara, transformou a sua sonoridade jazzística num insosso canto gospel, agradável sabe-se lá quem... Mas se até Ivete Sangalo se apresentou no Rock in Rio....

E pensar que a mãe de Krishna Baby e Kriptus Baby um dia já foi barrada na Disneylândia porque seu visual porraloucahippiecabeloscoloridos chamava mais atenção que o Mickey, Pateta e Pato Donald juntos...

Ah, Riroca mudou o nome para Sarah Sheeva e agora é pastora "estagiária". Também manda dizer que está dez anos sem fazer sexo depois que passou por uma experiência sobrenatural e ficou com as "partes" anestesiadas!!???!!!??? Pode isso, He-Man?



Pelos poderes de Grayskull.....

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

GAROTAS QUE LEEM NUAS

Dia desses li por aí que uma das ondas culturais novaiorquinas são os saraus apresentados por mulheres nuas. A sensação que me passa é algo como se a menina que roubava livros tivesse crescido e resolvesse exibir a piriquita recitando versos de Éluard.

Sensações à parte, isso ratifica minha teoria de que cultura gera tesão. Basta imaginar o que rolava na cama do escritor Heny Miller durante um ménage à trois com sua esposa June e a escritora Anais Nin ou do papo cabeça de Simone de Beauvouir flanando na cama de Sartre e outros intelectuais.

Aparentando sacanagem, os saraus despertam além da audição, a libido dos ouvintes. Até porque, sacanagem é uma coisa vulgar, mas sacanagem cabeça é outra coisa. Assistindo o stand-up da Princesa Leia, lembro-me quando ela disse que no início das filmagens de Star Wars ela se apresentou a George Lucas vestida com seu figurino e ele assim que viu aquele piteuzinho disse: "Você não pode usar sutiã nem calcinhas com essa roupa!"  Ela perguntou: "Por quê?" E Lucas, na bucha, com seu papo de Darth Vader, emendou: "Porque no espaço, minha querida, eles não usam calcinhas nem sutiã." Sacou a sutileza? Como diria Fernando Pessoa: "o poeta é um fingidor".

Mulheres nuas e literatura são mais comuns do que a gente imagina. Uma busca rápida na internet e lá estão elas nos parques europeus pegando um solzinho com os seios de fora absorvidas pela leitura. Dependo do seu nível cultural, este é o momento da abordagem, você pode se aproximar com seu volumoso exemplar de Ulisses e jogar um xaveco tipo: "Vamos lá no Finnegans Wake prum orgasmaravalha?"

Infelizmente a onda dos saraus pelados ainda não pegou aqui por aqui. Nessas horas eu me vejo na platéia, aplaudindo e ovacionando as moças peladas depois de ouvir uns trechos picantes de A Casa dos Budas Ditosos.

Aplaudindo sentado, é claro. Não por falta de educação mas, porque em pé ia dar bandeira.

terça-feira, 29 de junho de 2010

AS IRMÃS ROSS

Vi este vídeo em outro blog e resolvi postar aqui. Achei sensacional a apresentação das irmãs Aggie, Maggie e Elmira para a coreografia do filme "Broadway Rhythm" na década de 40.
Elas cantam e dançam por cerca de um minuto e depois fazem uma série de muita plástica e contorcionismo no ritmo da música de fundo.
E o bacana também é o visual de pin-ups delas.

sábado, 3 de abril de 2010

MALHAÇÃO DE JUDAS

Sábado de Aleluia era uma data fortemente marcada pela tradição da malhação de Judas.

As pessoas dos bairros reuniam-se antecipadamente para a confecção dos bonecos recheados com papel, serragem, maravalha e os vestiam com uma indumentária de roupas usadas, pendurando-os no poste até o final do dia para a leitura do testamento, a malhação e a queimação.

O testamento - pra quem não sabe - é um dos pontos pitoresco da malhação. Feito por um autor anônimo ele usa e abusa das peculiarides das pessoas da comunidade com ironia. Uns sentem-se ofendidos, outros não.

Essa tradição vem se esvaindo rapidamente e já é raro ver um Judas pendurado no poste na área urbana da cidade. Porém hoje tive a grata surpresa de ver um Judas bem feito e alinhado no brio, dentro de um terno e aguardando o momento da malhação, no bairro vizinho ao meu.

Parei pra tirar esta foto de registro desta tradição já quase esquecida.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

HISTÓRIAS QUE NÃO ENSINAM NA ESCOLA: O CALDEIRÃO DE SANTA CRUZ DO DESERTO


Assisti por estes dias dois documentários que me despertaram da inércia (leia-se preguiça) deste início de ano. Foram o Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, de Rosemberg Cariri e o Lutas.doc da TV Brasil, que pretendo comentar em outra postagem.

A respeito do Caldeirão a primeira coisa que me veio na cabeça é de que não se ensina esta história do Brasil nas escolas. Quando crianças e adolescentes, somos educados por alienação. Ensinam-nos a cultura da formalidade: o Descobrimento, a Independência, a Proclamação da República, etc, etc, etc. Ocultam-nos o intrínseco. O cerne da história que nos transformou em quem somos.

A história do Caldeirão é o relato vivo de uma comunidade criada por um negro, o beato Lourenço, sob a proteção de Pe. Cícero em terras cedidas por este no Cariri, em 1926, e que alheio a todas adversidades da região tornou-a próspera e fértil graças aos esforços comuns dos camponeses que a mantinham produtiva, como um oásis dentro de uma região devastada continuamente pela seca e pela miséria, inclusive no socorro a centena de flagelados da grande seca de 1932.

A prosperidade do assentamento tornou-se incômoda para a Igreja e para os coronéis das regiões adjacentes: os salesianos alegavam que dentro do Caldeirão praticavam-se cultos pagãos e os coronéis queixavam-se da perda de produtividade de seus latifúndios na medida em que a mão de obra explorada ficou escassa, pois os trabalhadores optaram pela comunhão trabalho x alimento que encontravam nas terras do beato.

Utilizando-se do poder político, das perseguições a seus inimigos e da manipulação do povo analfabeto, os coronéis e os salesianos buscaram colocar a opinião pública contra aqueles a quem taxaram de fanáticos religiosos e comunistas o que, após a morte de Pe. Cícero permitiu a intervenção policial do Estado na região, com a destruição das benfeitorias do vilarejo e dando início à dispersão da comunidade e a fuga do beato para as matas da Chapada do Araripe que posteriormente foi  invadida por terra e bombardeada pela aviação militar  numa intervenção conjunta do Exército e da Polícia Militar do Ceará, resultando no extermínio de 400 camponeses (números oficiais) incluindo mulheres e crianças.

Cerca de 50 anos após o conflito, durante o documentário, os algozes, alegando outra visão da história, buscavam o paradoxo dos seus vereditos inocentando a si próprios como agentes "cumpridores de ordens superiores".

Sob esta ótica a história estaria repleta de inocentes: não se condenaria a Igreja pelo massacre da Inquisição ou os nazistas pelo extermínio dos judeus nos campos de concentração, por exemplo.