quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

CINCO FILMES, CINCO CANÇÕES


Quando se passa da fase de “assistinte” para a fase do cinéfilo a gente sai de uma sessão de filmes com algo mais na cabeça que algumas cenas marcantes.  Sai com a música, também.


Pensando assim postei no arquivo virtual, cinco músicas bacanas que ficaram ligadas aos cinco filmes depois que eu assisti. Fiz questão de incluir duas músicas não-inglesas tanto pela beleza de ambas quanto para manifestar minha repulsa  aos lixos americanizados que a mídia nos empurra nos ouvidos pelas FM’s e Tv’s.


As músicas da pasta são:

MALAGUENA SALEROSA.mp3, uma canção mariachi do mexicano Chingon que toca no final de KILL BILL vol. 2;

FADO DA SAUDADE.mp3, de Carlos do Carmo. A música faz parte da excelente TSO do filme FADOS o que lhe vale a referência mais pelas músicas do que pelo filme em si.

HEARTH OF MINE.mp3, de Peter Salett, do filme TENHA FÉ que também tem ótima trilha incluindo alguma coisa retrô dos anos 70.

STOP CRYING YOUR HEART.mp3, do Oasis, que toca no final de EFEITO BORBOLETA e também toca durante a recente comédia romântica O MELHOR AMIGO DA NOIVA, com a bela Michelle Monaghan;

THE BLOWER'S DAUGTHER.mp3, com Damien Rice, do filme CLOSER, sobre picantes relações extraconjugais com Julia Roberts e Natalie Portman. Esta música ganhou o status de pegajosa de tanto que tocou. Ganhou uma versão para o português com Ana Carolina e Seu Jorge.

sábado, 26 de dezembro de 2009

QUANDO ÉRAMOS REIS


Na sessão nostalgia, assisti um take comentado por Adílio da vitória sobre o Santos que deu o título de campeão nacional ao Flamengo em 1983.

Assisti ao jogo com colegas da Universidade num pequeno hotel em Sobral-CE. Estávamos fazendo uma disciplina de campo do nosso curso e naquela tarde todos nós torcíamos pelo Flamengo. Exceto um colega que era santista fanático de berço, nascido em Santos. Bom, imaginem a gozação pela qual o cara passou a cada gol que o Santos tomava. E ao final do jogo, quando o Flamengo ganhou por 3 X 0.

Pois sim, vendo o jogo comentado o que me chamou atenção foram as mudanças ocorridas com o futebol brasileiro daquela época pra cá. O Flamengo tinha Leandro, Júnior, Adílio, Zico; O Santos tinha Paulo Isidoro, Pita, Serginho, João Paulo. Eram jogadores improváveis de estarem juntos numa equipe hoje em dia jogando aqui no Brasil. Todos estariam jogando em times europeus.

E o esquema tático? Os times jogavam ofensivamente em busca dos gols com a posse de bola no campo do adversário. O Flamengo mantinha a herança deixada por Claudio Coutinho, técnico campeão nacional em 1980 e patriarca do título mundial interclubes de 1981.

Comparando ao futebol minguado e sonolento que sobrou aos times brasileiros da atualidade, onde qualquer jogador-revelação é logo exportado para a Europa, pelo menos resta-nos a alegria de termos sido contagiados pela alegria daquele que já foi considerado o melhor futebol do mundo. 

Segue o vídeo com os gols e a pancadaria provocada pelo time do Santos no final do jogo por conta da invasão em campo dos repórteres. Coisas do futebol brasileiro.




quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

ENTÃO É NATAL!


Me veio a cabeça um conto de John Lennon sobre um cara que vivia sozinho mas sempre era convidado pelos amigos para passar o Natal na casa deles. Só que todo ano o cara inventava uma desculpa e recusava. Ano após anos os amigos insistiam-lhe em mandar convites, que eram sempre recusados. Até que um dia esses convites foram ficando escassos e num determinado Natal o cara não recebeu nenhum convite. Ninguém lhe mandou um cartão sequer. Naquele dia caiu a ficha. A solidão de ser só tornou-se ainda maior pela ausência de não ser lembrado. Ficou maldizendo os amigos, chamando-lhes de ingratos e coisas afins.

Triste do homem que não tem amigos. Pior ainda aquele que os perde por coisas que deveriam ser dádivas, como carinho e atenção. E então, como é Natal, me vem a lembrança de todos vocês e eu espero que nossas amizades sejam cada vez mais renovadas e prolongadas por todos os anos que virão. Que possamos ser lembrados por tudo que somos no coração de cada um.

Canja para ouvir no Natal, da trilha sonora de Simplesmente Amor:

Olivia Olson: All I Want For Christmas Is You

Beijos e abraços a todos!!!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2009 ROCKNROLL HALL OF FAME

Ontem, entre um zap e outro no controle remoto, assisti algumas perfomances musicais, umas bem bacanas outras chatíssimas, no Hall of Fame. A mais bacana de todas foi a canja sensacional do U2, Mick Jagger e Fergie, cantando Gimmie Shelter.

Bono, com sua guitarra cor de duende irlandês, inicia os acordes da canção com Fergie, na penumbra, chamando o ritmo até a entrada frenética de Mick Jagger soltando o vozeirão e os rebolados sob os rifts de The Edge, na outra guitarra. No meio da canção, Fergie desce do seu pedestral e metida num microvestido preto exibindo a boa forma de suas pernas, solta o vozeirão num dueto alucinado com Jagger, extasiando a platéia.

Eu pensei que Stone velhinho ia enfartar.

Veja o vídeo:

TRES FILMES PRA ENCARAR E UMA BOMBA

Finalmente estou de férias. Daí resolvi me atualizar nos filmes mais novos em DVD e ver se o que falam por aí é essa cocada toda. Encarei de saída 4 blockbusters:





Os Substitutos, com Bruce Willis: De tanto prever como será o futuro, a humanidade está forjando seu próprio destino. Pelo menos é o que se vê neste filme cujo tema central não é original, pois você sentirá que já viu algo semelhante antes em filmes como Exterminador do Futuro, AI – Inteligência Artificial, Matrix, Eu Robô, e a sociedade imaginada em Demolidor, de Stallone. O filme tem ótima maquiagem e bons efeitos especiais e se sustenta, mantendo o clima até o final previsível.



X-Men Origens - Wolverine, com Hugh Jackman: Os filmes com Jackman são caixinhas de surpresa. Uns convencem outros não. Wolverine é um destes filmes pra não se levar a sério. A história parece que se perde no meio e os efeitos especiais vão falando mais que os atores. Mas dá pra encarar até o final, mesmo pra quem não assistiu os X-Men, principalmente quando ele põe as garras de adamantium de fora e sai rasgando hélice de helicóptero. Dói na alma.



Adrenalina 2 - Alta Voltagem, com Jason Stathan: O bom de assistir filmes com Stathan é que a adrenalina corre solta e o cara é daqueles que não leva desaforo pra casa: desce a mão sem dó. Assim como em Adrenalina e a trilogia Busca Explosiva. Dessa vez o cara toma até choque na língua. Ai! Prepare o balde de pipoca. Assistir Adrenalina 2 é como descer uma montanha-russa sem cinto de segurança.



Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados, com Megan Fox: Este é sem dúvida o pior filme da temporada. Dava pra sair das filmagens direto pra sessão da tarde. Aliás, nem merecia ir pra sessão da tarde. Chato, sem nexo, longo. Não dá pra encarar até o final. A não ser que você seja doidão pela Megan Fox.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

SOBRE O TELHADO DA APPLE


Pegando carona nos especiais de domingo que estão passando no Multishow resolvi postar alguma coisa a mais dos Beatles. Nada de novo. Só coisa de fã. Mas que banda ainda fornece munição para a mídia após 40 anos do fim? Vira e mexe os Beatles estão em trilha sonora de filmes e comerciais de TV. Atualmente estão tocando na propaganda de um anúncio de um carro e também de uma operadora de celular.

Os dois vídeos a seguir foram gravados em 1969 sobre o telhado da Apple, a gravadora da banda. Era um momento de impasse: o disco Let it Be não tinha ficado com os arranjos desejados, o filme também, Yoko Ono era vista como uma intrusa no estúdio, planejavam tocar numa mini turnê num local especial mas não havia agenda disponível, daí os cara pra não surtar, subiram no telhado da gravadora e fizeram um show improvisado com a multidão na rua querendo entender o que estava acontecendo a a polícia intervindo por conta do volume do som.

Era a última vez que tocariam juntos.

DON'T LET ME DOWN



GET BACK



O filme Across The Universe - baseado nas canções dos Beatles - termina fazendo referência a esta despedida dos Beatles. O grupo musical, entre romances e outros conflitos, também faz um show improvisado sobre o telhado da gravadora com direito a interrupção da polícia e frenesi da platéia na rua e nos prédios vizinhos.

ALL YOU NEED LOVE



Compare, ouça e saborei lentamente!!!

Canja pra ouvir e/ou baixar:

Sterephonics: Don't Let Me Down
Oasis ao Vivo: All You Need Love


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

AINDA UMA VEZ, ADEUS: GONÇALVES DIAS


Nascido em Caxias em 1823, Gonçalves Dias está intimamente associado à Canção do Exílio, poema escrito em Portugal, após longos tempos longe da pátria, com saudades da terra natal.

Porém o lado mais dramático da poesia de Gonçalves Dias são os poemas inspirados em sua musa, Ana Amélia Ferreira Vale. Dramático porque o poeta ultrapassa a sublime utopia da inspiração poética à veemente paixão por uma linda jovem. E nesse momento confronta-se a fragilidade de homem tímido, indeciso e fortemente acuado ao preconceito social de sua cor e raça contra a sociedade que o cerca. Se por um lado a literatura o orgulha de possuir o sangue das três raças formadoras do povo brasileiro, a vida real o condena por ser um mestiço e isso lhe impede o casamento com Ana Amélia.

Acuado pela negação de seu pedido de casamento com a bela jovem, retorna deprimido a Portugal. Ironicamente, anos depois, sua amada acaba casando com um homem de mesma condição racial, que ao contrário de Gonçalves Dias, recorreu até a justiça para dar ganho de causa a sua ambição.

E eis que em Portugal, um dia, poeta e musa amada se encontram casualmente e se deparam sob o manto da infelicidade conjugal de ambos. De não ter ousado mais, de não ter enfrentado seus opositores. Ou pelo menos, de terem fugido, como era um dos planos do casal.

Em 1862, o poeta, vítima da  tuberculose, vive em trânsito entre Portugal e Brasil em busca de cura para seu mal e no retorno de uma desta viagem acaba sendo a única vítima do naufrágio do Ville de Boulugne, no baixio de Atins, na Baixada Maranhense, deixando-nos por escrito a inspiração daquele dia no Jardim Público de Lisboa.





                                    AINDA UMA VEZ, ADEUS!





                                   Enfim te vejo! — enfim posso,

                                   Curvado a teus pés, dizer-te,

                                   Que não cessei de querer-te,

                                   Pesar de quanto sofri.

                                   Muito penei!

                                   Cruas ânsias,

                                   Dos teus olhos afastado,

                                   Houveram-me acabrunhado

                                   A não lembrar-me de ti!



                                  Dum mundo a outro impelido,

                                  Derramei os meus lamentos

                                  Nas surdas asas dos ventos,

                                  Do mar na crespa cerviz!

                                  Baldão, ludíbrio da sorte

                                  Em terra estranha, entre gente,

                                  Que alheios males não sente,

                                  Nem se condói do infeliz!



                                  Louco, aflito, a saciar-me

                                  D'agravar minha ferida,

                                  Tomou-me tédio da vida,

                                  Passos da morte senti;

                                  Mas quase no passo extremo,

                                  No último arcar da esperança,

                                  Tu me vieste à lembrança:

                                  Quis viver mais e vivi!



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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

CURATIVO NO OLHO DOS OUTROS É REFRESCO!


Como a maioria dos brasileiros quando está doente e procura uma farmácia ao invés de procurar um médico, a justiça do Paraná levantou um lado da venda que cobre os olhos e tomou uma iniciativa preventiva para punir futuras barbáries nos seus estádios.

É uma medida paliativa. Funciona quase como um curativo de emergência. Primeiro porque só resolve parte do problema e depois é necessário que ela seja posta em prática e não fique apenas ilustrada no papel.

Pelo projeto, os clubes deverão fazer um cadastro no momento da compra dos ingressos, com apresentação de um documento de identidade e a comprovação do endereço. Os integrantes de torcidas organizadas precisarão apresentar ainda certidão de antecedentes criminais.

Os clubes devem colocar monitores de imagem nas catracas dos estádios e instalar equipamentos para fotografar o rosto de cada torcedor que ficará relacionado ao ingresso adquirido. As informações deverão ser preservadas por 30 dias. Caso o clube não cumpra o previsto na legislação as penas são de advertência, multa ou cassação do alvará.

Como comentei em postagem anterior, é necessário que se inclua o banimento pra sempre dos estádios, do torcedor envolvido em pancadarias como aquela do jogo do Coritiba.

Não basta apenas identificar. Tem que punir. Meter na cadeia.

O problema é que continuamos no país da pizza.

Hoje mesmo fiquei sabendo que após filmado recebendo propina e denunciado por corrupção, o governador Arruda, de Brasíla,  somente terá seu processo de impeachment julgado em janeiro. E isso somente será possível porque os parlamentares que irão julgá-los, vão reduzir suas férias ( rá, rá, rá!!! ) para se reunir em sessões extraordinárias ( rá, rá, rá ), recebendo verba extra ( o famigerado jeton ), para analisar o processo.

Se não, só em fevereiro...

E olhe lá, pois em fevereiro tem o carnaval!!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

UMA PRAÇA NA BEIRA DO MAR
















A Praça Gonçalves Dias devia ser tombada como Patrimônio da Humanidade.

Acredito ser uma das praças mais bonitas do país. Feito um mirante em frente a entrada da baía de São Marcos e dando vistas aos telhados coloniais da velha cidade, a praça mantém-se ainda bordejante ao Rio Anil com sua herança de manguezais.

A história da minha vida está muito interligada à praça.

Primeiro, porque quando eu morava na casa do meu avô, ali próximo, meu pai me levava para dar minhas primeiras pedaladas na minha bicicleta Peter Pan, de rodinhas laterais. Ali fui aprendendo a manter o equilíbrio e depois sem as rodinhas, aprendendo e sentindo a dor das primeiras quedas.

Havia na praça, um tanque em formato de serpente ou dragão, com uma pequena ponte servido de passarela. Depois que ganhei a confiança em pedalar por toda praça, criei o desafio de atravessar a pequena ponte de bicicleta. Foi um mergulho dentro do lago. Como a ponte tinha uma pequena elevação, não contei que teria de pedalar mais forte durante a travessia...

Depois foi a época escolar. Estudei num colégio ao lado da praça, da metade do ginásio até o final do 2º grau. Foram 5 anos de relação com a praça. Foram tardes de conversas adolescentes, risos, namoros e incontáveis pôr-do-sol, na cidade em que o tempo passava devagar.

Depois vieram as festas de casamento na Igreja dos Remédios em que a gente entrava de penetra para tomar champanhe e comer os salgadinhos. Diga-se de passagem que a gente não entrava à toa. Próximo ao final do casamento, antes da recepção, a gente ia em casa botar o paletó, pra entrar alinhado.

Mais tarde, durante a faculdade, nas férias, nos que estávamos dispersos pelo mundo nos reuníamos noites e madrugadas adentro em experiência etílicas com vinhos de procedência duvidosa, para tocar violão e impressionar nossas amigas com nossos versos "cabeças" que deixávamos nas garrafas vazias, juntos as palmeiras imperiais, como naufrágos da ilha em que habitávamos, esperando ser salvos.

No centro da praça, testemunhava tudo isso em silêncio, a estátua do poeta.

domingo, 13 de dezembro de 2009

JOGOS E GOLS QUE VALERAM A SEMANA

Pelo campeonato espanhol o jogo da rodada foi Valência 2 X 3 Real Madrid, com os 5 gols saindo apenas no segundo tempo.  Sem Kaká e Cristiano Ronaldo, o Real deu conta do recado principalmente pela presença de área do matador Higuain. Vale ressaltar a jogada espetacular do lateral brasileiro Marcelo que arrancou pelo meio, da esquerda para a direita driblando tres adversários para dar o passe do segundo gol do Real. Veja os gols em: http://espnbrasil.terra.com.br/espanhol/noticia/92186_VIDEO+SEM+KAKA+E+CRISTIANO+RONALDO+REAL+MADRID+GANHA+DO+VALENCIA+E+MANTEM+CACA+AO+BARCELONA#

Pelo campeonato inglês, o jogão foi Liverpool 1 X 2 Arsenal com um gol matador de Arshavin deixando o goleirão Reina plantado. Pra que não sabe, ano passado o jogo foi 4 X 4, com 4 gols de Arshavin. Tornou-se o carrasco do Liverpool. Veja os gols em: http://espnbrasil.terra.com.br/ingles/noticia/92250_VIDEO+ARSENAL+BATE+LIVERPOOL+DE+VIRADA+E+VOLTA+A+BRIGA+PELO+TITULO+NO+INGLES#

Falando só de gols, cito mais dois bem bacanas: o de Messi, de falta, no meio da semana pela Champions e o de Figueroa, do meio de campo no empate de 2 X 2 do Wigan com o Stoke. Esse de Figueroa foi simplesmente fantástico e se eu fosse presidente do Wigan mandava fazer uma placa com o nome do cara e colocar na entrada do estádio. Veja os gols em: http://espnbrasil.terra.com.br/championsleague/noticia/91596_VIDEO+E+AUDIO+LIONEL+MESSI+GARANTE+VITORIA+E+PRIMEIRO+LUGAR+AO+BARCELONA#
http://espnbrasil.terra.com.br/ingles/noticia/92103_VIDEO+COM+GOL+DO+MEIO+CAMPO+STOKE+EMPATA+COM+WIGAN+NA+ABERTURA+DA+RODADA+DO+INGLES#

MERECEMOS SEDIAR UMA OLIMPÍADA E UMA COPA DO MUNDO?


Enquanto assistia   Liverpool X Arsenal me lembrei da violência gratuita do último final de semana no Paraná, durante o jogo do Coritiba. Lembrei-me, porque nos estádios ingleses não existe alambrados separando o torcedor do campo de futebol e a ainda assim torcida não invade o gramado. Mas não é porque os ingleses são educados. Há pouco mais de uma década invadia-se o campo e os hooligans distribuiam porrada dentro e fora do estádio. E morria gente no meio da pancadaria. O futebol inglês foi para o fundo do poço.

O que foi feito para acabar com aquela selvageria foi instituir e cumprir uma legislação de punição e banimento dos bárbaros que disseminavam a selvageria dentro das torcidas nos estádios. A lei é cumprida tão à risca que se o torcedor invadir o estádio só pra dar uma corridinha pra abraçar o jogador, é retirado na marra, detido como vândalo, fichado e banido pra sempre dos estádios de futebol ingleses.

Como vivemos num país em que nem sempre a lei é cumprida, associo tudo isso à propaganda que se vem fazendo sobre o Brasil sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Sou totalmente contra.

O quê o país e a população ganharam sediando os últimos Jogos Panamericanos, por exemplo?

Acho que deveria existir uma lei internacional de que enquanto um país não apresentasse um índice mínimo de segurança pública, não deveria sediar estes tipos de competição.

Seria uma forma de punição. Porque, na verdade, o esporte é para as massas, mas por trás do esporte há os interesses políticos e comerciais que estes eventos representam. Interesses em ganhar novas fatias do mercado internacional. E estes interesses não cobrem a segurança, o conforto e o zelo pelo torcedor.

Apenas o lucro e o merchandising, de poucos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

ORÁCULOS DO SOL

                                                                      


                        É quando o sol com seus oráculos

                        ateia fogo à tarde que multiplica-se

                        nas horas de silêncio e mormaço



                       enquanto nas frutas adormece o açúcar

                       amadurecido – na carne – através do dia



                       O dia é esse: estas manhãs e tardes

                       acesas num relâmpago que se propaga

                       em convulsão; esta combustão de luzes

                       súbitas arrancadas das entranhas do céu

                       esta flor em fogo que nos incinera em silêncio;



                       Dia – objeto

                       do tempo – elemento

                       necessário à sublimação vegetal. Sob seu árduo

                       trabalho

                       a arquitetura do sol

                       a alimentar algebricamente as articulações da terra.

                       Presa ao chão, a raiz submete-se à necessária

                       escuridão.

                       O dia findo previsto na conjuração carnal

                       previsto no calendário obtuso

                       nas hordas televisivas

                       e um sol freqüente a questionar-me

                       ( e eu a ele ) o desgastar das nossa vidas;



                       indagar a si mesmo é como prever

                       a própria morte. A morte dissecada

                       nos relógios

                       na amputação das horas.



                      Sol. Fúria de anjos sobre a pedra e o mar inadiável

                      sobre a pedra e o sal incendiando-se sobre

                      a pedra sempre pedra acesa ao sol



                      crepúsculos de incêndios purpúreos apagados

                      pelo mar aflito a rebentar irrequieto

                      sobre as constelações das praias



                      sol sol que espero sob tua agonizante vigília?



                      eu – verbo presente a conjugar-me –

                      aceso o amor das horas escaldantes

                      sepulcro de vozes inabitadas nas gargantas:

                      a piedade dos anjos não nos libertará

                      dos verões diurnos



                      O sol é cúmplice da pedra no silêncio

                      e no soluço onde te abraço e confesso:



                     onde se alimenta o fogo destas horas?


Poesia de Jorge Jansen
2º Lugar no Concurso LetraFenae Poesia 2006                                                  

DEZ MENTIRAS






                  1 - Me empresta um real depois eu te pago.

                  2 - Eu só bebo socialmente.

                  3 - Vamos ali tomar só uma cerveja.

                  4 – Pague a minha parte que depois eu acerto contigo.

                  5 - Vamos ao motel só pra conversar.

                  6 - Só vou por a cabecinha.

                  7 - Você foi a melhor transa que eu já tive.

                  8 - Não vou contar pra ninguém.

                  9 - Pode deixar que eu te ligo.

                 10 - Eu te amo!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

REMINISCÊNCIAS SOBRE ANA JANSEN


Ana Jansen sentou-se na cadeira de sua escrivaninha com as mãos sobre olhos e refletiu sobre o impacto das medidas que iria tomar contra a recém inaugurada Companhia de Águas, cuja criação interferiria diretamente em uma de suas principais fontes de renda: a distribuição de água em carroças-pipas. Havia mandado jogar gatos mortos no reservatório de água da cidade e documentar o ocorrido, pois na manhã seguinte a manchete do matutino seria: Companhia de Águas distribui água contaminada para a população!!!

Esta é uma das muitas histórias a respeito de Ana Jansen, uma mulher influente que viveu entre 1787 e 1869, em São Luís, uma cidade provinciana isolada no norte do país, cujas riquezas dependiam do trabalho escravo ao largo do Trapiche onde embarcações descarregavam mercadorias para os armazéns de secos e molhados da Praia Grande.

Viúva do Cel. Isidoro, um dos homens mais ricos da época e casada em segundas núpcias com o comerciante Antônio Xavier, Ana Jansen foi dona de várias propriedades dentro da cidade e nos seus arredores, explorando e diversificando negócios. Sua vida foi marcada por intrigas, calúnias e desafetos, especialmente pelo fato de ser mulher numa sociedade regida por homens, durante o período Imperial no Brasil. Exerceu poderosa influência política e administrativa na então província comprando patentes e títulos de nobreza, indicando e elegendo políticos, escolhendo e demitindo funcionários públicos, removendo e derrubando magistrados.

Um dos seus desafetos, o comerciante Antonio Meireles, mandou confeccionar na Inglaterra vários penicos de porcelana com a imagem de Ana Jansen estampada no fundo para desmoralizá-la e os colocou à venda nos comércios da cidade. Astutamente, ela mandou comprar todos através de seus intermediários e depois mandou quebrá-los, cheios de bosta, na porta da residência do comerciante.

Mas quanto valeria a fortuna de Ana Jansen? Até que ponto ela era uma mulher rica suficiente para exercer tanto poder?

No seu testamento, a partilha de todos os bens foram avaliados em 128:169$000 (Cento e vinte e oito contos e cento e sessenta e nove mil réis ). Utilizando as relações de que entre 1840 e 1870, um conto de réis comprava 1Kg de ouro, dos valores comparativos de um jovem escravo ( até 900$000) e de um boi (24$000) e dos valores de títulos de nobreza durante o Império ( ser Barão custava 750$000 ) estimei os bens avaliados no testamento de Ana Jansen em cerca de R$ 9.000.000,00.

Um valor significativo ainda hoje, porém muito mais naqueles tempos. Apesar disso, foi-lhe negado pelo Imperador D. Pedro II o título requerido de Baronesa de Santo Antônio, cabendo-lhe, no entanto, passar para a história com o título de A Rainha do Maranhão.

6 ATRIZES QUE VALEM O INGRESSO


                                         Michelle Monaghan 
Veja ela em: Controle Absoluto, O Melhor Amigo da Noiva, Antes Só do que Mal Casado



                                         Scarlett Johansson
                        Veja ela em: Match Point, A Ilha, A Outra



                                            Jessica Alba
                Veja ela em: Quarteto fantástico, Mergulho Radical



                                           Natalie Portman
                   Veja ela em: A Outra, Closer, V de Vingança



                                           Kate Beckinsale
              Veja ela em: Van Helsing, Pearl Habor, Anjos da Noite



                                              Jessica Biel
     Veja ela em: O Ilusionista, O Vidente, Tudo Acontece em Elisabethtown

sábado, 5 de dezembro de 2009

A SÍNTESE DO CONTRADITÓRIO


A humanidade no impulso tosco de suas limitações sempre jogou a culpa em seus deuses e mitos. Quando algo dava errado para os gregos, Zeus e a galera do Monte Olimpo eram os culpados; quando algo dava errado para hebreus e judeus, aquilo era a vontade Divina. E quando alguém interrompe a festa do homenageado para "desomenageá-lo" por capricho político, damos razão a quem?

O poeta Celso Borges anda cuspindo no prato que comeu.

Em entrevista ao colega Garrone, fez críticas ao posicionamento político do poeta Gullar com relação a um programa do PFL durante a pré-candidatura de Roseana Sarney. Não conheço pormenores da vida de Borges e posso até estar equivocado em dizer que anos atrás ele trabalhava como colaborador do jornal e da rádio pertencente ao grupo que ele condena.

A meu ver, Celso dá uma de oportunista, utilizando-se da homenagem à Ferreira Gullar, na 3ª Feira do Livro para auto-promover um livro que lançará em janeiro.

Não se pode juntar o mito à criatura, o homem ao poeta. Mark Chapman fez isso e assassinou John Lennon. A visão de Borges a Gullar é de que o poeta fundiu-se ao homem e está morto. O que é um equívoco. Ainda mais na visão de Borges, um dos melhores poetas maranhenses deste fim/início de século.

Sua entrevista me reporta a um grego correndo pela planície do Penopoleso conjurando a vontade dos deuses contra sua própria existência.

A síntese do contraditório é de o tiro sair pela culatra.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O CARRASCO DO ARSENAL

Quem não viu o clássico inglês no domingo entre Arsenal X Chelsea perdeu de ver a máquina dos "blues" massacrar o adversário lá dentro do Emirates com 2 gols e meios de Drogba - o carrasco do Arsenal. Digo 2 gols e meios pois um foi contra mas se o zagueiro não fizesse, Drogba teria feito.
Com um golaço no ângulo esquerdo do goleiro, com direito à bola bater nas duas traves da forquilha e um gol matador de falta ( que já é rotina ), o atacante do Chelsea divide agora a artilharia do campeonato com 11 gols junto com Defoe do Tottenham.
Minha opinião é que o Chelsea vai repetir o feito do Manchester ano passado e levar a Premier League, a Copa da Inglaterra e a Champions, mesmo prevendo que a parada dura será uma final com a máquina do Barcelona. E depois mastigar o Flamengo na final Interclubes. Rá, rá, rá!!!!!!!
Drogba é da Costa do Marfim, uma das seleções que vão ser osso-duro na Copa de 2010.
Tentei postar só o vídeo dos gols mas não achei. Mas segue o link da Espn que contém o vídeo com os gols e mais detalhes do jogo. Clique aqui: http://espnbrasil.terra.com.br/ingles/noticia/89548_CARRASCO+DROGBA+BRILHA+CHELSEA+BATE+ARSENAL+E+MANTEM+FOLGA+NA+PONTA#

NAVEGAR É PRECISO


                                                                Desenho de Jorge Jansen





   Os Argonautas
   Caetano Veloso



O barco, meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração, o porto, não
Navegar é preciso, viver não é preciso 

O barco, noite no céu tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco, da madrugada
O porto, nada
Navegar é preciso, viver não é preciso 

O barco, o automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto silêncio
Navegar é preciso, viver não é preciso


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

RAIMUNDO FAGNER CANTA EN ESPAÑOL_1981


Fagner flertava em lançar um disco em espanhol a algum tempo, desde Paris. Então, em 1981, durante a gravação do Traduzir-se, na Espanha, o projeto foi ganhando forma e as duas pontas então se uniriam. Daí ele pode lançar o Raimundo Fagner Canta en Español, que são versões de sucessos de discos anteriores vertidas para idioma catalão.

A capa do disco é um remake de Eternas Ondas e a base das gravações foi a mesma utilizada nas versões nacionais o que faz com que as músicas soem mais familiares.

O disco é uma raridade pois  nunca foi lançado no Brasil, nem em vinil, mesmo com o sucesso que obteve nos países de língua espanhola. A audiência no Brasil coube apenas em algumas rádios, como a FM do Povo lá em Fortaleza e uma das canções - Ave Corazon - foi apresentada no Fantástico, da rede Globo.

As músicas estão disponíveis no meu disco virtual do 4 Shared para audição e/ou download, nos links abaixo:

OBRIGADO PELA VISITA
OS LINKS NÃO ESTÃO MAIS FUNCIONANDO 

01 Fagner_Nocturno.wma
02 Fagner_Eternas Olas.wma
03 Fagner_Las Rosas no Hablan.wma
04 Fagner_Ave Corazon.wma
05 Fagner_Frenesi.wma
06 Fagner_Revelacion.wma
07 Fagner_Olvido.wma
08 Fagner_Alas.wma
09 Fagner_Lamento para un Puñal.wma
10 Fagner_ Romanza.wma

sábado, 28 de novembro de 2009

O CASARÃO DO CAMPO DE OURIQUE

A foto ao lado é um cartão postal comum nas bancas de revista da cidade. Mas para mim esta era apenas a casa do meu avô. A casa onde nasci e vivi até os 5 anos de idade. O casarão do Campo de Ourique é de onde residem minhas primeiras lembranças de uma infância feliz.  Lembranças de um tempo mais tranquilo, de almoço em família, de brincadeiras de criança no terraço. Tempo em que as casas não possuiam grades nas janelas, os muros eram baixos e que não se vivia na reclusão das casas como se vive hoje em dia.

Minhas lembranças não seguem uma ordem cronológica e estão misturadas a várias fotografias amareladas que conservo até hoje. Lembro-me de ter visto pela janela do quarto da minha avó, ao entardecer, um barco a vela descer pelo rio Anil; o dia que prenderam um ladrão de galinhas no quintal dos fundos da casa; os copos vibrando dentro da cristaleira quando eu passava correndo pelo assoalho de madeira da sala de estar; a escada em espiral que levava à cozinha e ao porão, um local escuro e que eu achava sombrio e esquisito; o dia em que meu irmão nasceu, vindo da maternidade; o santuário de minha avó numa sala adjunta ao meu quarto; o dia em que joguei fora o meu pipo sob o comando do palhaço Arrelia, desta sacada na foto, para espanto de meu pai.

O casarão existe até hoje e foi reformado pelos atuais proprietários conservando o estilo art nouveau do início do século XX. Porém o quintal ao lado onde conviviam enormes jabutis, perus e galinhas, sob a sombra de várias goiabeiras, deu lugar a um prédio comercial, levando consigo a luminosidade daqueles dias, com suas manhãs e tardes preguiçosas em que o tempo demorava a passar e que agora restam apenas nas minhas lembranças e fotografias.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

MAL SECRETO: RAIMUNDO CORREA


Raimundo Correa nasceu a bordo do navio São Luís em águas maranhenses em 13 de maio de 1859 e faleceu em Paris em 13 de setembro de 1911.  Foi o fundador da cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Letras.
Sua obra atravessa 3 escolas clássicas: o Romantismo, o Parnasianismo e o Simbolismo, mas uma característica marcante, principalmente nos seus sonetos mais conhecidos, é que eles carregam uma aura sombria de pessimismo o que não representa um dom menor, pois juntamente com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac formaram a trindade parnasiana.
O poema a seguir me reporta à 8ª série onde o falecido professor Evílton nos sabatinava, transformando-nos em exegetas, para dissecar todo o contexto gramatical do poema, incluindo todas as funções da partícula "se ".


MAL SECRETO


Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

PEIXE FRITO


Dia desses estartei que deveria passar às gerações futuras um pouco de meus pequenos talentos culinários aprendidos na marra, sobre a convicta necessidade de que quando se está longe de casa o cara tem que se virar para fazer uma refeição decente.

Vou começar com um prato que eu gosto de fazer aos domingos que é quando eu tenho mais tempo: Peixe Frito.

Embora pareça simplório colocar o peixe temperado para fritar em óleo quente, fiquem sabendo que peixe é danado pra grudar na frigideira e se você não souber dos truques, vai ter um esbagaçado de peixe frito ao ínves de um prato apresentável e apetitoso. Vamos lá:

INGREDIENTES:

2 a 3 Peixes com cerca de 20-25cm ( os da receita foram Peixe-Pedra )
Limão
Sal

MODO DE PREPARAR:

Ao adquirir os peixes, peça para o vendedor descamar e tirar as vísceras.
Lave o peixe em água corrente, divida-os ao meio com uma faca, depois tempere-os a gosto com limão e sal e deixe marinar por uns 30 minutos.
Estenda o peixe sobre uma tábua de cozinha e ponha para secar no sol, um lado depois o outro.
Coloque óleo numa frigideira ( teflon, preferencialmente ) e junte 2 ou 3 dentes de alho.
Quando o óleo estiver bem quente, dando aquelas pipocadas, coloque os pedaços de peixe para fritar. Não coloque muitos pois a quantidade "esfria" o óleo.
Quando estiver dourado de um lado vire e depois de pronto coloque sobre papel-toalha para retirar o excesso de gordura. Repita a operação com os pedaços restantes.

DICAS DA RECEITA:

O sucesso depende de: o peixe secar bem ao sol; óleo bem quente; boa frigideira; alho para evitar que o peixe grude.
Algumas pessoas empanam o peixe na farinha para fritar ao invés de secar no sol. Dá certo. Mas o sabor não é o mesmo.

Para acompanhar sugiro um cuxá ou um caruru. Depois passo a receita.

Bom apetite

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ACROSS THE UNIVERSE


Minha filha passa pela sala e me vê largadão no sofá assistindo Across The Universe pela nésima vez e diz: "De novo, papai?"

Fazer o quê?

O filme faz parte do pacote que estou guardando se sobreviver a 2012. É um musical de 2007 que utiliza trilha sonora dos Beatles - principalmente dos discos Abbey Road, The White Album, Let it Be, Yellow Submarine e Magical Mistery Tour - numa história que tem como pano de fundo a guerra do Vietnã e todo ambiente do final dos anos 60 onde a música, as artes e o comportamento dos jovens ganharam tons revolucionários e psicodélicos.

Neste cenário um jovem irlandês ( Jude ) vem para os EUA encontrar-se com o pai desconhecido e acaba conhecendo um rapaz ( Max ) e sua irmã ( Lucy). Dali parte para uma trupe em Nova York onde conhecem uma cantora e seu parceiro e acabam todos morando juntos numa situação que muitos jovens já vivenciaram.

Outra característica marcante é que as canções são interpretadas - na sua maioria - pelos próprios atores sem qualquer dublagem e o resultado foi tão bom que a TSO foi lançada em tres versões: com 16, 29 e 31 canções.

O filme conta com participações especiais de Salma Hayke ( que pediu para participar do filme nem que fosse num papel pequeno ), Joe Cocker ( em papel triplo ) e Bono Vox ( como hippie ).

O filme termina com Jude e seus amigos cantando All Need is Love em cima do telhado da gravadora, numa referência aos próprios Beatles que no final de janeiro de 1969 realizaram sua última apresentação para o "público", em cima do telhado da Apple, num momento já conturbado e ensaiado da separação da banda.

Segue na canja um dos traillers/clips do filme na cena que antecede o retorno de Jude para os EUA, depois que ele foi deportado. É a penúltima música do filme. Como todas as canções, as letras se " encaixam " nas cenas. Nesta cena, Max e Jude, estão bebendo em bares distintos; um em Nova York outro na Irlanda, mas a tomada da cena aliada à letra da canção, dá a sintonia de que eles estão conversando através do espelho e Max fica motivando Jude a retornar a N.Y.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A TURVA MÃO DO SOPRO


Conheci a obra de Ferreira Gullar através do Toda Poesia, lançado pela Ed. Civilização Brasileira, logo após seu retornou do exílio no início dos anos 80. Nessa época eu estava vivendo meu exílio cultural em Fortaleza e a densidade da poesia aliada a citações de lugares tão conhecidos narrados de forma intrínseca, abalaram minha maneira de ver aquele mundo do qual eu fazia parte e nem havia me dado conta. Nunca mais fui o mesmo.

O Todo Poesia é o básico para se entender o criador a e criatura pois ele abrange desde os primeiros desassossegos do poeta com a forma e a linguagem poética, atravessa os anos 60 rasgando por dentro os conflitos políticos, as guerras, a contracultura, a vanguarda, o exílio e a saudade sempre transparente de São Luís, com suas ruas, becos, alagados, mangues e nuvens espalhadas na velocidade do céu azul.

No domínio da linguagem e sem dever nada à poesia, Gullar também é autor de ensaios, crônicas, ficções, colagens, roteiros, entre outros, que valem a pena ser espiados na página do autor em literal.terra.com.br/ferreira_gullar/ . Um poeta multimídia antes da criação do termo.

Com 60 anos de carreira, próximo a completar seus 80 anos de idade e com reedições de sua obra, ele deverá ser o homenageado da 3ª Feira do Livro de São Luís que acontece este mes na Praça Maria Aragão, no Jenipapeiro "onde uma caldeira enferrujava na areia da praia"*.

* verso do poema Evocação de Silêncios de Ferreira Gullar.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

OUTROS CARNAVAIS


Revirando minhas foto antigas deparei-me com esta que ilustra o texto. Acho que tinha uns 5 anos nesta época, no máximo, e a foto foi tirada por meu pai na sua Yashica Mat LM, no sobrado do meu tio-avô Humberto.

Era costume da família passar os carnavais no sobrado da Rua do Passeio, pois o corso desfilava por lá, vindo desde a Rua São Pantaleão. Lembro de ficar numa das várias janelas, arremessando serpentinas e confetes sobre os blocos e transeuntes.

O desfile começava com os blocos de sujo, depois vinham as tribos de índios, os blocos tradicionais, a casinha da roça e no final as escolas de samba. Cada bloco daquele tinha um som peculiar. Único. Do bater de lata de uns ao tambor ritmado de outros. Era a identidade daqueles carnavais.

Depois que eu me vi por gente, pelo mundo, vieram os carnavais nos clubes: Casino, Jaguarema e Lítero. Este o mais disputado e você só entrava se fosse sócio ou tivesse convite. Eu, geralmente, não tinha nem um nem outro e, às vezes, entrava escondido num porta malas de carro ou com a carteira de alguém que nem de longe se parecia comigo. E a noite toda embalado por doses de cuba libre e som de Nonato e seu Conjunto.

Dali pra Praça Deodoro foi só um pulo. O point era no início da Rua do Sol onde a galera se deixava levar nas tardes embaladas ao som de trio elétrico, Flor do Samba e Turma do Quinto; balançando o chão da praça entre doses homeopáticas de cervejas, nuvens de maisena, temporais de fevereiro e azarações nas amigas e suas colegas.

Era um tempo de descompromisso com o futuro que viria. Era o início dos nossos vinte anos mas a gente bricava como se fosse pra sempre. Eram outros carnavais.

MASSAFEIRA


No universo dos festivais de música, o Massafeira foi para mim uma mini ilha de Wrigth. O circuito de eventos do festival teve seu ápice no teatro José de Alencar nas tardes/noites de artes visuais e música reverberando naquele que seria o último reduto hippie-musical onde malucos-beleza entoaram seus acordes anunciando o fim de ciclo que não se repetiria mais com a mesma autenticidade nos anos seguintes.

O registro ficou gravado num álbum duplo com a capa reproduzindo o mesmo cartaz de divulgação do festival: uma cabeça de carneiro estilizada entre desenhos de traços nordestinos e psicodélicos. Na parte interna, uma miscelânia de fotos dos artistas que fizeram aquele som acontecer.

Eu estive lá todos os dias e vi todas as perfomances. Comprei o disco que depois se perdeu numa tragédia de cupins de gosto musical que detonaram todos os meus vinis. Recentemente estive na casa de um amigo em Codó e entre um johnny walker e outro, reencontrei-o no seu acervo de vinis, onde pude resgatar todas as lembranças.

Acredito que nunca foi lançado em CD, o que é uma pena, mas por outro lado numa busca na internet é possível ouví-lo, ver as fotos e saber mais do evento.
Recomendo uma visita em zecazines.blogspot.com


MARMELADA FUTEBOL CLUBE


Fico com pena do torcedor que vai ao estádio todo domingo, se esgoela na arquibancada pra assistir as maracutaias dos campeonatos estaduais e nacional. Mes passado aqui na terrinha o Chapadinha entregou o jogo ao Viana por 11 X 0 para não dar chance pro Moto de voltar à série A. E diga-se de passagem: foram marcado 9 gols quando faltavam 9 minutos para terminar o jogo.

Agora a matéria é a pretensa anulação dos minutos finais do jogo do Sport e Palmeiras. Rá, rá, rá!!! Façam-me rir!!! É pedra cantada o baixo nível da arbitragem brasileira. Árbitros já foram denunciados, investigados e comprovado o envolvimento em fraudes que se envolveram para interferir no resultado dos jogos. E continua assim.

Antigamente eles pelo menos apitavam de preto; acho que pra não aparecerem tanto. Hoje tem árbitro trajando amarelo-limão, laranja-canário, violeta-chanel e algumas "bibas" que se pudessem apitavam de saia.

Entre ir ao estádio, prefiro ficar em casa saborendo minha marmelada. Essa pelo menos é autêntica.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

VENDEM-SE LOTES NA LUA

E o pré-sal, hein?

O governo já começou a negociar os royaltes com os Estados. Eu tenho vontade de mandar umas caixas de óleo de peroba pra Brasília. Os caras tão negociando o pré-sal como quem vende terrenos na lua. É o tipo da coisa: você sabe que o petróleo tá lá, a Petrobrás tem know-how, mas não sabe quando vai começar a produzir. É bem capaz de o país só começar a explorar o petróleo quando o mundo já não precisar mais de combustíveis fósseis. E vai-se cobrar essa negociata de quem? Porque até lá muitos destes políticos que estão na negociata já partiram desta pra melhor. Ou melhor, eles mesmos já estão entrando no processo de virar petróleo.

Outro dia alguém perguntou o seguinte: "se Brasil o país do futuro, por que esse futuro nunca chega?" Eu digo que não chega porque quando o Brasil dá um passo pra frente, o futuro dá dois.

O Brasil, na verdade, tá mais pra país do já foi. Vejam só estes exemplos:

Transamazônica: sonho ufanista dos militares de uma estrada para integrar o Norte do país por dentro da selva amazônica, como opção de saída para o Pacífico. Hoje o que restou dela é mais um caminho de lama e mato ligando nada a coisa nenhuma.

Seringais da Amazônia: Fonte de riqueza do Estado do Amazonas no início do século passado, que foi surrupiada pelos ingleses, por biopirataria, para plantio em suas colônias. Hoje quase todo látex usado no mundo vem da Malásia.

Carro elétrico da Gurgel: Primeiro carro elétrico da América Latina, feito aqui no Brasil em 1974. Fatores diversos como a negligência do Governo em apoiar a pesquisa e o aprimoramento do carro elétrico, priorizando o programa do álcool combustível, permitiram que outros países tomassem a ponta da tecnologia do desenvolvimento do carro elétrico e nos oferecessem a preço de levar choque.

Tem a do avião também: Santos Dumont e os irmãos Wrigth. O brasileiro voou e os Wrigth registraram a patente. É da nossa índole sermos bonzinhos, amigáveis e receptivos com todos. Assim eles levam nossas riquezas, nossas patentes, até nosso cupuaçu que já estava patenteado no Japão. Ou seja, uma fruta nossa, indígena, levada pra Ásia por biopirataria, e o Brasil na condição de não poder usar o nome cupuaçu; caso contrário teria que pagar royates pros japoneses. Só muita bomba atômica na cabeça destes nipônicos.

E assim voltamos ao pré-sal. Aos terrenos na lua. Precisando de um lote, é só me mandar um e-mail. Só não garanto o translado, mas um dia chega-se lá.