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segunda-feira, 4 de junho de 2012

A INSUSTENTÁVEL AGONIA DA FOME

Admiro a ousadia de quem experimenta pratos gourmets. De certo percebo hesitações entre os garçons sobre em qual prato vai aquele molho marrom escuro ou em qual molho vão as alcaparras. Não me ambiento tão rápido às mudanças. Inclusive às culinárias. Hoje me vi impossibilitado de almoçar em um dos meus locais habituais e acabei num restaurante supostamente especializado em massas e risotos feito por gente que, imagino, entende tanto de culinária italiana quanto eu entendo de motocicletas. Porém, motivado pelo atraso de compromissos e pela fome, aventurei-me rumo ao desconhecido.

O cardápio é muito simples. Os preços, nem tanto. Não tenho muitas opções de escolha e as fotos não ajudam muito a dar uma ideia do prato. Aliás se as fotos ajudassem eu preferia comer as fotos, pois SEMPRE são mais apetitosas que os pratos reais. O prato em promoção é o risoto de filé e é este que eu peço pra garçonete que me entrega uma espécie de senha no formato de um disco de acrílico com luzes piscando, parecendo o boi da Maioba, e diz que eu posso aguardar na mesa pois quando o risoto estiver pronto os leds do disco vão piscar me alertando:
- Ah, vai piscar mais do que isso?

Sento na mesa de frente pro balcão. Melhor, assim fico de olho quando meu prato sair ao invés de pagar um mico dessa coisa ficar piscando e eu distraído não me dar conta. Mas como será a aparência da porra do risoto? Olho pros lados e fico imaginando se alguém tá comendo um risoto ou coisa parecida. Ninguém tá comendo risoto. O pessoal daqui parece que sabe o que pede. O risoto é o prato do dia e ninguém pede? Que porra é essa? Começo a ficar preocupado. Enquanto me distraio e dou início a esta postagem, eis que do disco de acrílico começam a piscar alucinadamente umas luzes vermelhas estroboscópicas feito uma nave espacial prestes a fazer contatos imediatos de terceiro grau. Me levando rapidamente e já repasso rapidamente aquela lamparina de leds pra garçonete no balcão que me apresenta o prato enquanto pergunta o que eu quero beber.

Pense num sujeito deprimido. Deprimido e com fome. Sinceramente, ainda que faminto, a primeira reação que eu tive quando vi o tal risoto de filé foi: "olha moça, não quero comer isso não..." Sendo muito otimista na minha descrição, a primeira impressão que tive foi aquele arroz mole empapado com uns pedaços de filé trinchado e uns cubos de queijo derretendo pra dar liga. Tirando o queijo, parecia aquele arroz mole que minha mãe comia quando tava com dor de barriga. Mas sendo mais escroto, parecia a misturada de arroz com raspa de panela que a gente dá pra cachorra lá de casa no fim do dia.

Mas daí, meu amigo, como tava com fome e ainda por cima tinha que pagar a conta, pois não ando ganhando pra fazer crítica culinária, encarei cada garfada daquela gororoba de arroz pasto com um arrependimento miserável de não ter ido atrás de um peixinho grelhado com legumes, lá no velho e bom self-service. E ainda por cima não tinha nem uma farofinha pra rebater o angu....

-Vai Jorge, vai ser gauche na vida, disse-me baixinho meu anjo da guarda.... O chato do querubim.

terça-feira, 3 de abril de 2012

BARRIGA CHEIA É OUTRA COISA!

Devido algumas restrições alimentares por conta de uma pequena cirurgia dentária, eis que hoje me deparo no restaurante por quilo com uma travessa cheia de camarões suculentos mas, tal e qual mulher de resguardo, tive que me abster de tais sensações afinal o final de semana é prolongado e eu quero chegar lá inteiro.

Enquanto almoçava, lembrei-me de uma amiga do interior que, descartada qualquer possibilidade de um dia ela provar sequer um mísero camarão, apregoa penitentemente aos quatro cantos pra quem quiser ouvir os supostos males que o crustáceo causa à saúde humana, desde alergias, asfixias, até envenenamento espontâneo. Não sei se isso é lenda urbana mas, se isso for verdade, eu e as baleias devemos ser imunes. Quase uns mutantes. 

Eu, por exemplo, nascido e criado na beira do mar do Maranhão me apetece comer camarão, caranguejo, sururu, sarnambi, peixe-pedra, peixe-serra, pescadinha boca-mole, bandeirado, uritinga e tantos peixes trazidos nas redes deste marzão farto daqui da terrinha. Mas daí vá eu dizer isso lá nas brenhas do sertão do Ceará, no meio dos paus dos serrotes lá no Trapiá, dizer que eu gosto de comer caranguejo pro povo me olhar desconfiado. Do mesmo modo alguém me chamar pra comer o que quer que for que contenha pequi. Tô fora. Não suporto  nem o cheiro de pequi. Só de citar o nome aqui já tá me dando náusea.

Mas tirando o pequi, como eu não fui menino criado com vó, não tenho frescura com comida. Aliás, tirando pequi e sushi. Quer ser meu amigo não me convide prum sushi. Me leve pra comer um mocotó, um carneiro, um sarapatel, um bode no leite de coco... Que convenhamos, comer carne ou peixe cru é coisa de antes do Paleolítico quando o homem ainda não conhecia o fogo. Aliás isso me reporta ao comentário que o tio de uma amiga disse quando veio do interior e foi levado a um restaurante local pra comer carpaccio:
"- Ô povo besta que num sabe comer. É uma comida sem fartura, sem sustança. É uns bifes véio fino da grossura de minha carteira de identidade!"

quarta-feira, 28 de março de 2012

QUINTAIS

Hummm...qual galinha vamos comer hoje?

Os quintais estão em extinção. O quintal da minha infância foi na casa do meu avô onde ele criava galinhas, patos e porcos. Na verdade, eram dois quintais. Este da foto ficava nos fundos da casa e o outro, que era de terra preta daquelas que deixa as unhas muito sujas e os pés encardidos, ficava ao lado. Era cheio de goiabeiras - daquelas vermelhas e suculentas - alguns pés de carambolas e uma meia dúzia de jabutis adultos que perambulavam diuturnamente sobre as folhas úmidas acumuladas no chão fabricando jabutizinhos.

Anos mais tarde, quando nos mudamos para o Monte Castelo, havia na casa dos meus pais um quintal agradável de chão batido com uma goiabeira farta de frutos onde na época da florada minha mãe preparava latas e latas de goiabada e também doce em calda. Diferente daquelas da casa do meu avó, esta goiabeira dava goiabas brancas. Goiabas pêras. Nas horas em que eu não estava no colégio era possível que eu estivesse escalando a goiabeira com uma coragem que eu não teria hoje e ficava lá em cima, lá no "olhinho", sentado num galho balançado pelo vento, mordendo uma goiaba e espiando o murmurinho da rua.

As casas diminuíram de tamanho, os quintais encolheram; aqueles maiores se transformaram em condomínios de casas apertadas ou prédios de apartamentos espremidos. Perdeu-se a privacidade, a segurança, o chão de terra virou cimento, concreto, revestimento. As árvores agora cabem dentro de vasos, transformam-se em bonsais estéreis; seus frutos brotam apenas nos balcões das feiras. As galinhas, patos e porcos são partes congeladas embaladas em papel filme nas geladeiras dos supermercados

Hoje resisto na última trincheira mantendo em casa  um pequeno quintal onde posso colocar uma cadeira de balanço na sombra e contemplar o silêncio ou uma paz caseira depois de trabalho;  ver e ouvir a passarinhada que vem se banhar nos respingos da caixa d'água de manhã cedinho e depois procurar migalhas de alimentos pelo chão; alimentar um jabuti que adora quiabos e morder calcanhares alheios ou simplesmente observar meu gato caminhando lentamente - como um lorde inglês na Cashemira - para o seu banho de sol matinal.

sexta-feira, 16 de março de 2012

A TODO VOLUME: SOLOS DE GUITARRA VÃO ME CONQUISTAR


No início da semana, mesmo com o sono me perseguindo, assisti quase todo o documentário A Todo Volume que reuniu Jimmy Page, The Edge e Jack White - alguns dos virtuoses da guitarra - ao longo desta últimas décadas, trocando ideias e experimentos musicais.

A sensação ao vê-los deve ter gerado sentimentos diversos em cada um: de fãs de carteirinha a outras tribos musicais cada um teve sua percepção da sonoridade apresentada por cada um deles.. Pelo menos pra mim foi assim, entre uma e outra audição dos caras. Page é etéreo: toca com a mesma naturalidade com a qual eu faço minha barba pela manhã. Ele está no panteão dos deuses do naipe de Hendrix e Clapton.  Edge é tão didático quando àquelas pessoas que lêem bulas de remédios, na integra; chega a ser curiosamente burocrática suas explicações sobre a sonoridade dos acordes com utilização das pedaleiras e o aperfeiçoamento dos rifts. Mas transparece que são coisas de um autodidata que escapou da recessão econômica irlandesa com a música de sua guitarra. Ao lado deles, a postura de White é similar a de um Shrek empunhando uma guitarra quando passa de um raro lirismo a uma forte influência punk violentamente agressiva, esmurrando acordes em guitarras vagabundas que lhes arrebentam as pontas dos dedos até sangrar. Parece visceral e deve ser, afinal isso é somente rock'n'roll.

Claro que está é minha ótica e eu puxei mais a sardinha pro lado de Page e The Edge que fizeram mais meus momentos musicais. Uma passagem que me despertou dos devaneios do sono foi quando Page entrou na sua sala de som repleta de discos nas estantes e puxou de um daqueles nichos abarrotados, um compacto e pôs no toca-disco. Eu pensei: "PQP! quem esse cara escuta??? Sério, um cara que toca tudo, o que ele ainda escuta??? Oh, my God!!!!"

Mas mesmo com a sardinha acima, o mais distraído observador também perceberá que White está anos-luz aquém dos outros dois e ele mesmo sabe disso quando no documentário  deixa escapar olhares embasbacados aos guitarristas do Led Zeppelim e do U2.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

TÉCNICAS DO CALL-CENTER PARA IRRITAR CONSUMIDORES

Ontem acordei com uma vontade danada de ficar estressado e com sorte vi que meu fio telefônico estava partido na rua, me deixando sem telefone e sem internet. Oba, um pouco de emoção!!!!!!! Nada como acionar a companhia telefônica pra ser feliz.

Como estava de saída para o trabalho e não tinha o número do call-center da telefônica, peguei a última conta , botei no bolso, para ligar lá do trabalho. Para minha surpresa, na conta não tem um número de call-center para onde você possa ligar quando precisar de serviços. Será que a empresa pensa que seus produtos e serviços duram para sempre?

Resolvi entrar na internet para pegar o número. Depois de navegar uns 15 minutos pela página da telefônica, vi que tem link pra tudo: tv, internet, compra de aparelho, o escambau...menos pra informar um telefone de serviço. Daí me lembrei que na minha agenda do celular devia haver um número salvo quando passei meses atrás por uma situação semelhante. Bingo!!!

Liguei e aquela voz robótica do atendimento eletrônico me atendeu prometendo mundos e fundos que iria me ajudar a encontra a solução do meu problema, blá, blá, blá...Lógico que a solução do meu problema eu já sabia qual era:  falar com um atendente real e pedir para consertarem meu fio telefônico. Só isso.

Mas o robô me alugou por exatos 10 minutos sugerindo que eu apertasse 1, 2, 3, o caralho a 4...Quando finalmente ele disse as palavras mágicas: "não consegui encontrar a solução para seu problema. Vou lhe passar para um de nossos atendentes". Finalmente aquele robô anta fez alguma certa.

A atendente perguntou qual era meu problema. Me deu vontade de dizer: aperte 1 para eu falar pausadamente; 2 para falar rapidamente, 3 para....mas daí, eu com jeitão de quem tinha acabado de tomar maracujina, falei: 

- O fio externo do telefone arrebendou. Tô sem linha. Preciso de um técnico para refazer a ligação.
- Aguarde um instante que eu vou falar com minha supervisora.

Isso é que é um atendimento....Rôbo, atendente, supervisora. Depois falo com o gerente e quem sabe até com o presidente da empresa.

Cinco minutos depois a nossa atendente esperta volta e me pergunta:
-Seu telefone está mudo?

Puta que pariu!!!!!

- Não minha filha, o fio partiu mas meu telefone fixo é mágico e  funciona sem a linha;
- Não minha filha, eu tô aqui de orelha vermelha porque gosto de ser irritado por vocês;
- Não minha filha, não tá vendo que eu tô falando dele agora mesmo?..Aliás, eu tô falando com quem mesmo? Não é da quitanda do seu Manoel?

(Alguém já se deu conta que os comerciais das companhias telefônicas estão cheios de crianças, fazendo carinhas e bocas? Isso é pra sensibilizar o consumidor com aspectos da gentileza e bondade. Mas quando você liga pruma companhia telefônica parece que tá falando é com o capeta.)

Como é que um anilmalzinho daquele me faz uma pergunta dessas?????
- Claro que está minha filha. Não lhe falei que o fio externo tá partido!!!!

Ela, filha de São Tomé, disse:
-Aguarde um instante que eu vou ligar pro seu telefone pra verificar. Em outras palavras, ela quis dizer:  "Eu acho que você está mentindo...aguarde na linha que eu vou ligar pra sua casa, só pra confirmar se ele está mudo."

Então, alguns minutos depois, a eficiente atendente confirmou que meu telefone estava mudo.

Na verdade, 17 minutos depois de iniciar a ligação.

Simples assim.

domingo, 8 de janeiro de 2012

MALDITOS CORAÇÕES

Vou ser franco: eu odeio esses coraçõezinhos que o pessoal faz com as mãos. Pior do que isso só aquele chavão indefectível que rolou uns anos atrás e que muita gente ainda repete: um beijo no coração. Que coisa chata!!!! Sobre esse beijo no coração, já disse sabiamente um desses articulistas de minhas leituras mensais que também odiava tal prosopopeia. Dizia ele algo assim:  "sempre que escuto esta frase imagino a pessoa rasgando o peito da outra com as duas mãos e com dificuldades esticando os lábios para beijar aquele coração ainda pulsante e bombeando sangue nas artérias" Argh!!!!!!!!

Eu sei que tem gente que participa de minhas redes sociais que adora fazer estes coraçõezinhos com as mãos; meus amigos, me desculpem, mas é minha opinião: eu acho isso ridículo. Sempre associo esta mímica àqueles cantores sertanejos sem noção que após serem ovacionados por cantarem aquela música de corno desvairado fazem coraçõezinhos pra plateia e depois dizem com aquela voz de caipira desafinado:
- Beijo no coração!!!

Dá licença que vou vomitar!!!!!!!

sábado, 1 de outubro de 2011

NESSAS ILHAS CHEIAS DE DISTÂNCIAS

Enquanto voltava pra casa agora de manhã me bateu um revival ao ouvir o Ave de Prata, de Elba Ramalho, no player do carro. Porque isso me reporta ao início dos anos 80 e naquela época eu estava vivendo uma fase que todo jovem sempre pensa em ter: tinha saído de casa pra fazer faculdade e ido morar em outra cidade.

Quando cheguei em Fortaleza o impacto cultural foi muito grande: meus primos tinham um visual californiano com parafina nos cabelos decorrente da prática do surfe nas águas verdes da Leste-Oeste e do Mucuripe. Logo nos primeiros dias depois de voltar da praia, um deles emendou uma jam do Genesis com Vou Danado pra Catente, de Alceu Valença. Aquilo foi um choque. Naquele momento minha relação com a música nordestina foi tomando outra dimensão, especificamente com a música emergente entre o Ceará e Pernambuco,  pois até então, vindo de uma região que não é Norte nem Nordeste, mas adequadamente conhecida como Meio-Norte, parecia não ter descoberto uma identidade musical apesar de sempre ter tido uma relação muito íntima com a música. 

Junto com esta metamorfose, tomei conhecimento da existência de uma tal de rádio FM que só tocava música o dia inteiro. Pra quem não sabe, logo que surgiram as FM's não eram comerciais e bregas como 95% das FM's de hoje. Elas tinham uma proposta de só tocar música com a mínima interferência do locutor ou comerciais, algo mais ou menos similar como acontece atualmente com os canais de áudio das tvs por assinatura. E havia uma efervescência musical acontecendo no Nordeste para tocar nestas rádios: os discos recém-lançados de Fagner (Revelação), Zé Ramalho (Avôhai), Elba Ramalho (Ave de Prata), Geraldo Azevedo (Bicho de Sete Cabeças), Belchior (Medo de Avião) e Ednardo (Enquanto Engoma a Calça), entre outras agitações como o Massafeira. E essas audições musicais se tornaram contínuas e meus primeiros acordes musicais na tentativa de aprender a tocar violão, aconteceram com estas músicas. Ainda bem que eu não forcei a barra, pois toco muito mal e ainda prefiro as versões originais do que as minhas interpretações acústicas.

Mas,  o mundo era uma sopa em ebulição e eu precisava dos seus ingredientes. Junto com a balada musical meus interesses culturais se interceptaram com leituras de Fernando Gabeira e Ferreira Gullar, justo quando ambos voltavam do exílio. Deste último, ilhéu como eu, mantive o Toda Poesia (1ª edição, capa dura) como livro de cabeceira e diário de bordo durante vários anos.

Em seguida, numa das visitas ao meu amigo Buana lá no seu cafofo no centro de Fortaleza, fui presenteado com diversas audições dos primeiros LP's do Barão, ainda com Cazuza, e sessões, depois passadas para uma fita cassete que eu ouvia no toca fitas da Toyota Bandeirante da empresa lá nos confins do sertão, do Emotional Rescue e do Tatoo You, dos Stones.

Mas aí é outra história.

domingo, 21 de agosto de 2011

MINHA VISÃO DE RAIOS-X

Na minha pré-adolescência, o poder que eu mais cobiçava no Superman era a visão de raio-x. Cara, aquilo era demais prum moleque magrelo, sonhador cheio de hormônios e tesão, como eu. Imagina fixar os olhos na direção duma bunda dançando sob a saia e poder ver o que está embaixo...Por que não nasci em Krypton? 

Por conta disso eu me lembro que um dia estava atravessando a praça Benedito Leite e um marreteiro ( marreteiro era o nome pelo qual meu pai chamava os camelôs. Estou usando o termo aqui pra mostrar como esta é uma história antiga) juntava uma pequena platéia enquanto ele demonstrava como uma pequena engenhoca, parecida com aquelas palhetas que os médicos usam pra segurar a língua dos pacientes com um orifício na ponta, permitia você ter uma visão de raio-x. "Eu quero isso", pensei!!! O pensamento rolou como um tapa bem dado. Só tinha um problema: eu não tinha dinheiro pra comprar. E também não podia pedir pro meu pai nem pra minha mãe, porque eles iriam perguntar pra quê que eu queria dinheiro. Dilemas, dilemas, dilemas...Então fui guardando minhas moedas do lanche de pão cheio com K-Suco pra poder comprar o tal raios-x de bolso, mas eis que um fato novo aconteceu. Inesperadamente. Estava no colégio e vi um alvoroço num pequeno grupo de alunos. Fui lá ver e era um colega se exibindo com o tal objeto e assim, do nada, descobri que o cara tava interessado em vender. E mais: eu podia comprar com o que eu já tinha economizado. Comprei meu raios-x. Aquilo foi demais. 

Empolgado com meus planos maléficos de ver as calcinhas de todas as meninas da escola resolvi fazer um teste que eu já tinha visto antes que era colocar a mão espalmada para a claridade e olhar através do objeto para ver os ossos da mão. Com um olho fechado e o outro mirando o furinho do objeto nem percebi a diretora da escola se aproximar e me tomar meu poderoso raio-x e ainda me dar uma prensa dizendo que eu tava na escola com essa pouca vergonha, blá, blá, blá. Sabe-se lá, eu repito, sabe-se lá se esta mocréia desumana não abortou a carreira de um futuro cientista que descobriria, quem sabe, a cura de todos os males do mundo? 

O fato é que na impossibilidade de ter a visão de raios-x tive que desenvolver uma super-lábia e outros super-poderes para atingir meus objetivos que logo depois me permitiram ver também sob as calcinhas (o que foi muito mais interessante que a palheta de língua) e anos mais tarde dominar a técnica zen e milenar  de entender o que se passa na cabeça das mulheres. Mas esta técnica, infelizmente, não posso revelar pra você.

Senão, teria que matá-lo!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

ALMOÇO ÀS ESCURAS

"Não coma neste restaurante"

Cheguei a conclusão que só existem dois tipos de restaurantes: aqueles que você olha a comida antes de pedir e aqueles que você não vê o que vai comer. Os primeiros fazem o tipo self-service onde você faz uma mistura explosiva de gases retardantes cuja equação desbalanceada lhe reporta às aulas de química do ensino médio e geralmente quando você sai de lá e volta pro serviço, com aquela cara de lerdão, olha pras paredes e pensa em voz alta: "Pô, só faltava uma rede agora, porque as paredes já tem!"

No caso daqueles últimos tipos, eles se dividem em duas sub-espécies: aqueles que você não vê nadinha da comida que você vai pedir e aqueles que tem uma foto do prato que você vai escolher  no cardápio. Neste caso, por experiência própria recomendo comer naqueles que você não vê a foto porque a decepção - se houver - é sempre menor. Evite aqueles que colocam a foto no cardápio. A sensação que eu tenho é de que a comida não é tão boa quanto parece e a foto tem um efeito subliminar na sua fome, porque quando a refeição chega, sua primeira reação é correr pra pegar o cardápio novamente, olhar pra foto, olhar pro prato, chamar o garçom e perguntar:

- Tem certeza que foi este o prato que eu pedi?
- Com certeza, senhor!
- Mas olha a foto aqui no cardápio...Tá diferente...Era pra ser mais colorido...Mais suculento...
- É porque no dia que tiraram esta foto, o dia estava bem claro, diferente de hoje que tá chovendo...O senhor sabe, a iluminação faz a diferença nas fotos...

Um garçom que entende de fotografia... Será que o cozinheiro é comediante?

Hoje aconteceu uma cena parecida comigo. Faminto, pois só consegui sair para almoçar lá pelas 14:00hs, pedi um prato da fotografia: arroz com legumes e um filé trinchado acompanhado de fritas amarelinhas, douradas e suculentas que me deixaram com água na boca. Depois de uns vinte minutos percebi que os atendentes haviam esquecido de mim pois observei que eles discutiam entre si enquanto pegavam refeições que vinham da cozinha e me olhavam e apontavam pra outra mesa e me olhavam de novo e discutiam e eu, evitando pensar que o garçom que me esqueceu era um FDP, utilizava todo meu poder zen e pensava nas batatas amarelinhas e no filé trinchadinho. Dez minutos depois (que pareceram meia hora) o garçom trouxe o prato e um pedido de desculpas pela demora. Apesar da fome o prato não parecia com aquele da fotografia. Pra começar era difícil distinguir quem era batata de quem era filé trinchado, pois elas estavam da mesma cor da carne. Decidi a arriscar pelo sabor, mas a primeira batata que coloquei na boca estava dura e mal frita. Mas fome é foda. Comi e a boa notícia é que já se passaram mais de cinco horas e continuo vivo. 

Na hora de pagar a conta pensei em entregar ao garçom apenas a metade do valor que foi cobrado aguardando ele me dizer:
- Senhor, está faltando dez reais...
- Não foi vinte reais a conta? Aí estão os vinte reais...
- Aqui só tem dez reais, senhor...
- Não amigo, isso é uma nota de vinte. Você não está vendo direito por conta da iluminação. É que hoje tá chovendo. Você sabe, pouca iluminação atrapalha....

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

EU, ASTRÓLOGO!

Entrei numa calça justa com minha última postagem porque uma leitora anônima questionou-me sobre as previsões do seu signo que antes era Sagitário e agora Serpentário.

Como não fujo da raia resolvi incorporar o vidente astrólogo e responder as dúvidas que tanto pertubam minha leitora, não sem antes recorrer ao vidente-xará Jorginho Zoroastro o cara que tudo sabe e tudo vê no fundo de sua bola de cristal verde-esmeralda. Visitei-o, portanto, na sua tenda para discutirmos as conjunções astrais e os ciclos zodiacais ( e claro, bebericar um uísque do bom que as madames deram de presente de Natal pra ele) para chegar as seguintes conclusões, cara leitora anônima:

A mudança de Sagitário pra Serpentário equivale ao rebaixamento de seu time pra segunda divisão. Não é uma coisa boa, a não que seu time seja o Vasco. Mas você, que um dia já foi sagitariana e conhece o lado divertido e engraçado das situações , saberá tirar proveito da sua atual condição.

Personalidade: As pessoas de Serpentário são introspectivas e preferem o anonimato às multidões. Às vezes fazem coisas que ninguém percebe e se sentem recompensadas por isso. Isso pode contar positivamente pra você em algumas situações como beber a última cerveja da geladeira sem que o dono perceba. Ele vai ficar puto, mas ninguém desconfiará de você.

No Amor: Fuja dos signos que tem cascos como os próprios sagitarianos, pessoas de Aries, Touro e Capricórnio, por exemplo. Você pode sair machucada desta relação. Casco na cabeça dói. Bons parceiros são os indivíduos de Virgem que você pode moldá-los ao seu jeito, pois como você mesma sabe quando a serpente enganou Eva no Paraíso, ela ainda era virgem e foi facilmente induzida a comer a maçã;

No Trabalho: Evite trabalhos em equipe, pois o seu grupo vai sempre tentar "queimar" você para o chefe alegando que você é uma pessoa venenosa. Essa regra também vale para esportes. Procure profissões autônomas e entre elas aquelas que combinem naturalmente com o perfil do signo como cobrador de telemarketing.

A Semana: Sua semana será maravilhosa com Marte entrando em conjunção com o Sol sabendo que o filme sobre Lula não vai levar nenhum Oscar e que Ariadna vai posar nua para a Playboy mostrando o que tirou; e depois para a Superinteressante, mostrando como tirou.