quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O SACRIFÍCIO DAS VIRGENS

Hoje depois do almoço tive um déjà vu quando ouvi umas desventuras hilárias de como fazer uma corrente humana pra levar um choque grupal inserindo, na ponta da fila, um prego na tomada.

Mas pra que servem os amigos se não para fazer você rir e depois ficar lembrando de suas desventuras alopradas?

Daí me lembrei de um acampamento que eu fui a uns trocentos anos atrás no final da praia, com umas dez pessoas, onde a gente atravessou um riacho e acampamos ao lado de uma duna.

A noitinha, acendemos uma fogueira imensa pra espantar as mutucas e os maruins, e ficamos naquela vidinha de acampamento: violão, curtição, azaração e outros ãos. Por volta de uma da manhã, estava derrubando umas garrafas de vinho baratas junto a fogueira com uma garota, quando surgiram do nada, do outro lado do riacho, uma dúzia de nativos com aqueles jeitão de pescadores, todo mundo meio que na bagaça da cachaça e eu só ouvi o bordão de um deles com aquele sotaque que só os bêbados conseguem pronunciar:
-Tem mulher ali! Eu quero f****!

Mal deu tempo de chamar alguém nas barracas e os caras já tavam ali em frente a fogueira. Pediram cigarro, acenderam, fumaram, mas não passou disso. Logo um deles convenceu o grupo a ir embora e deixar a gente em paz. Menos mal porque eu não queria revelar minha identidade secreta de Power Ranger na frente do grupo.

Depois percebemos que duas pessoas acenavam e chamavam por nós, do outro lado do riacho. Era o dono de uma casa ali na praia e o vigia dele que estavam observando a movimentação e que estavam prontos para intevir. Depois de uma conversa ficamos sabendo que o cara era um empresário conhecido e bem sucedido na cidade e depois de mais um blá-blá-blá ele sugeriu que a gente trouxesse a barraca para o lado da casa dele, num local mais seguro, com vigilância, numa prainha particular na beira do riacho.

Beleza, então! Daí, fizemos aquele mutirão no início da madrugada e nos mudamos pro local sugerido.Pela manhã, sentimos falta de uma de nossas amigas e no meio do zunzunzun do fuxico que rolou naquele momento matinal, ficamos sabendo que nosso benfeitor havia usado a lábia sabiamente na noite anterior e convidado a jovem para conhecer seus aposentos de predador.

Como Chapeuzinho Vermelho, ela entrou na casa do lobo mau. Mas se não quisesse ir, alguém do grupo teria empurrado ela no abismo: vai logo!!!! Te sacrifica pela nossa segurança!!!

Tudo isso pra manter o nosso grupo longe de possíveis ataques bárbaros de pescadores bêbados no meio da madrugada; ela, como as virgens sacrificadas nos impérios pré-colombianos, ofereceu seu corpinho de princesa ao empresário/milionário quarentão. Sedento de sexo.

Claro, sem aquela violência sanguinolenta dos maias.

Mas com caminha quente, ar condicionado, café da manhã....

Afinal, o que não se faz por uma boa noite de sono?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

HO, HO, HO, HO!


Feliz Natal, galera!!!!
Curtam Happy Xmas na voz do Papai Lennoel

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

COMO PASSAR PROTETOR SOLAR NAS COSTAS


Como um lobo solitário que se afasta do bando, eu tenho medo de que com o passar dos anos eu regrida ao estágio de troglodita ou de Neanderthal, pois na medida que eu busco novas informações vou captando mensagens subliminares de que cada vez mais os sexos estão se aproximando em um só e logo vamos nos tornar andróginos ou hermafroditas.

Semana passada li, numa revista masculina que assino, algumas dicas sobre o verão escritas por uma jornalista e entre elas havia uma que ensinava como passar sozinho o protetor solar nas costas. A autora cogitou a possibilidade de você estar sozinho na praia rodeado de machos e não ter uma princesa por perto pra passar o protetor em você. Daí sugere que você utilize um rolo de pintura pequeno para alcançar as costas ou então uma esponja de banho macia amarrada num daqueles coçadores de costas que sua avó tem. Eu imagino logo que pra andar com essas coisas a tiracolo, teremos que ir para a praia com uma necessarie.

Olha caríssima jornalista, eu sei que você não lê este blog mas eu não consigo ficar calado tendo meu orgulho masculino ferido desta forma. Talvez você ache o Beckham o cara mais bonito do mundo com seu corpo depilado ou de forma mais simplista seu mundo seja cercado de  metrosexuais, emos, hobbits e outras criaturas que saíram da Terra Média ou de Nárnia.

Talvez você nunca tenha assistido MacGyver. Nem nas reprises do TCM. Mas ele teria sugestões melhores.

Então, eu gostaria que você soubesse que:

Homem que é homem não vai sozinho para praia pra ficar rodeado de macho;

Homem que é homem não leva necessarie para praia, muito menos pra guardar um rolinho de pintura pra passar protetor solar nas costas;

Homem que é homem tão pouco leva esponja de banho macia pra amarrar num coçador de costas pra passar protetor solar na praia.

Homem que é homem se enturma com as gatas do local e depois convence uma delas a passar protetor em suas costas;

Se o xaveco não der certo, muda de praia. Ou vai pra casa.

Mesmo que seja com as costas ardidas.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

ZUMBIS NÃO MORREM COM FOGO

E se do nada acontecesse um cataclismo terrível e caíssemos na mais longa e tenebrosa das trevas?

Você tem fósforos em casa? Se não, com certeza não deve ter velas nem lanternas e nem pilhas.

Se não foi escoteiro também não sabe acender um fogo com alguns gravetos ou pedras. Ou seja, assim como eu, você tá ferrado.

Eu me dei conta disso ontem quando voltei da feira e fui tomar minha cerveja dominical assistindo o futebol matinal da ESPN e não tinha energia elétrica. Daí resolvi então ouvir um dos meus cds feito-em-casa e caiu a ficha que não tinha energia elétrica.  Pra passar o tempo decide ir logo preparando o almoço mas também não deu certo porque o acendedor do fogão é elétrico e eu descobri nesta hora que não tenho fósforos em casa.

Tédio
.
Não deu nem pra acender um cigarrinho pracompanhar a beer.

Aí fiquei pensando que eu não estou preparado para uma catástrofe. Tenho que providenciar urgentemente um kit de sobrevivência que inclua fósforos, velas, lanterna e pilhas.

Até porque, como se mostra nos filmes, os sobreviventes de catástrofes geralmente se escondem em buracos, como fizeram nossos antepassados, os pequenos mamíferos durante a extinção dos dinossauros.

E segundo os fatalistas e futurólogos do caos, tudo indica que uma epidemia de zumbis é inevitável no futuro próximo e que a tendência é de que ela se alastre rapidamente e a saída será se manter a salvo em bunkers com equipamentos e materiais de sobrevivência. 

Achei bobagem de quem lê muita HQ, mas perguntei pro meu filho que é muito mais pop que eu e ele me disse que tem tudo a ver; que a epidemia pode ser desencadeada por uma série de fatores como uma guerra química, uma catástrofe nuclear, uma patologia nova, um vírus trazido por um cometa, etc. Aí comecei a levar mais a sério quando vi que até o livro CIA: Manual de Truques e Espionagem dedica um trecho para falar dos zumbis.

Ou seja, já tem gente antenada pra sobreviver. Porém eu já aprendi alguma coisa: zumbis não morrem com fogo. Eles continuam seguindo você e espalhando as chamas pelo caminho.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

APOCALIPSE NOW?

Cada vez mais eu acredito que o futuro é muito parecido com aquele preconizado no filme O Demolidor em que as pessoas não bebem, não fumam,  não f... e utilizam as 3 conchas quando vão ao banheiro. 

Outro dia fui ao interior e minha indumentária de trabalho exigia manga comprida e gravata. Como tava um calor infernal, botei a gravata no bolso e resolvi caminhar de casa até o serviço quando apareceu um sujeito numa bicicleta que se aproximou de mim e me vendo naqueles trajes episcopais, perguntou: 
- Bom dia, irmão? É o senhor que é o novo pastor?

Eu, cara-pálida? Parece até que existe um marketing de rede pra converter o indivíduo comum a parar de beber, de fumar, de f...e começar a utilizar as 3 conchas quando for ao banheiro.

Mas eu me amarro mesmo é no Apocalipse. Desde que eu me entendo por gente tem sempre alguém anunciando que o fim do mundo é semana que vem. Pra mim o fim do mundo começa na semana seguinte em que eu recebo meu salário. Liso e louco eu me arrasto o restante do mes pra renascer no próximo hollerit.

Esta semana assisti um especial de Stephen Hawkings que me impressionou e aí eu vim dar uma espiada na internet pra pegar umas informações complementares. É sobre um asteróide chamado Apophis - nome de um demônio egípcio - que fica aí por cima no universo dando rasante sobre a Terra, querendo fazer strike. E a previsão é de que em 2029 ele vai passar muito perto de nós, numa distância abaixo das órbitas dos satélites.

Então, na iminência do caos, existem coisas interessantes pra se fazer perto de 2029:
- Comprar um imóvel na praia financiado em 30 anos;
- Financiar um carro de luxo;
- Fazer o maior seguro de vida possível para sua cara-metade;
- Viajar pelo mundo afora e pendurar todas as contas no cartão de crédito

Se o mundo acabar, vão cobrar de quem?
Se não acabar, não se desespere: você viverá seu apocalipse financeiro pessoal mas todos os seus amigos terão inveja de você com sua casa de praia, seu carrão de luxo e das trocentas mil fotos de sua viagem salvas no HD do seu computador.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A ARGENTINA É O PAÍS DO FUTEBOL?

Havia dito a mim mesmo que não faria mais postagens sobre futebol, mas depois que o argentino Conca foi eleito o Bola de Ouro do Campeonato Brasileiro e Messi, outro argentino, está dentro da lista tríplice dos melhores do mundo, resolvi soltar o verbo e perguntar: a Argentina é o país do futebol?

Nem sei se minha opinião é válida pois não assisto campeonato brasileiro. Acho medíocre. Assisti pedacinhos de umas duas ou tres partidas e tive de mudar de canal por conta do tédio. Dizem que este ano foi o melhor dos últimos anos. Imagina como não foram os dos últimos anos.  Se as operadoras de tv a cabo dependessem de mim para vender seus pacotes, iriam a falência.

Os problemas são muitos, porém um que me chama atenção é o cultural. No Brasil, o cara nasce com aquela mística do passado de Copas do Mundo, de que aqui é o país do futebol e que todo mundo já nasce aprendendo a jogar e não precisa mais de empenho profissional nenhum. O que eu vejo nas minhas poucas audições nacionais são uns perna de pau querendo resolver o jogo sozinho: o cara não sabe driblar e quer passar por toda zaga, quando chuta em gol parece que tá é mirando um desafeto lá na arquibancada; impressiona-me também a quantidade de faltas, os passes errados e na maioria das vezes o cara tá do lado do outro, o jogo preso, a satisfação pelo empate, pelo 1X0 e dane-se o torcedor. E também tem a arbitragem que prende o jogo apitando tudo que é corpo-a-corpo fora da área e quando é penalti dá aquela frouxidão e não marca. Porque não saiu sangue.

Por estes dias, deu-se no Rio um Congresso com os principais técnicos do país com intuito de resgatar o futebol-arte. Acho válido, mas acho também que não vai dar em nada. Jogador de futebol brasileiro é vaidoso. Derruba técnico. Sonha em ir pra Europa. Às vezes dá certo outras não. A maioria amarga banco. Porque "não se adaptou ao futebol". Leia-se: não se profissionalizou quando deveria.

Acho que quando o cara é bom joga em qualquer lugar. Os argentinos tão sendo exportados para o mundo e estão fazendo sucesso. Os brasileiros nem tanto. Na Itália, para o trófeu O Pior do Ano, tem 6 brasileiros na lista dos 10 finalistas.

Essa é a pátria de chuteiras?

ATÉ TU, HOMER SIMPSON?


Por estes dias recebi uma visita aqui no blog de um morador de Springfield, EUA. Ops!!!

Até tu, Homer Simpson, anda lendo as minhas dissociações de ideias? Tá querendo me convidar prum episódio da série ou pra trabalhar na fábrica de Mr. Burns? Nesse último caso, tô fora!

Springfield é um nome muito comum de cidades nos EUA e o site da Wikipedia aponta cerca das 20 mais famosas, inclusive aquela do nosso amigo amarelo.

Aproveitei a deixa e retribui a visita fazendo uma tour virtual a Springfield dos Simpsons  e a recomendo na lista dos 1000 lugares para conhecer antes de morrer.

Afinal pouca coisas na TV são tão politicamente incorretas e divertidas quanto os moradores desta cidade fictícia e seus personagens aloprados.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

HAJA CALORIAS!


Fim de Ano não tem jeito: você fica predestinado a se tornar escravo da gula e da cerveja, quer você queira ou não. A não ser que você tenha vontade própria, o que não é meu caso.

Comecei minha peregrinação com um casamento de um amigo DJ e uma festa retrô.

Casamento de DJ é outra história. Você já vai sabendo que vai se deliciar com a música. E lá no ambiente é servido como um deus romano. Lá pelas tantas os noivos entraram no salão ao som de My Sweet Lord...Huumm!!! Pura finesse! E no lugar da tradicional valsa, o reggae My Desire de John Holt. Precisa dizer mais?

E o que dizer do dia seguinte de uma festa retrô embalada com muitos hits dos anos 70/80 por uma banda cover sensacional do U2? Principalmente depois de você tomar várias?

In the name of love, what more in the name of love?

E já me chamaram pra mais 3 ou 4 festas. Pela tabela acima, só tenho que me lembrar de não tomar batidas, cachaça e uísque por causa das calorias em excesso destes destilados!

Ainda bem que eu não tenho uma tabela de calorias dos salgadinhos....

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MEUS PRIMEIROS MILHÕES DE DÓLARES


Fim de ano e já tem alguém querendo encher minha carteira com alguns milhões de dólares. E eu nem pedi isso na minha cartinha pra Papai Noel.

Eu fico pensando no que eu faço pra merecer estas coisas. Eu me pergunto se tenho um GPS miniaturizado na minha corrente sanguínea pra ser contemplado dessa forma. Deve ser coisas da nanotecnologia. Ou veio naquele antibiótico que eu tomei semana passada sem receita médica.

O único problema, e é só unzinho, é que tudo isso é um golpe. Um 171 que um pilantra lá na África tá querendo me aplicar. O cara me manda um e-mail me chamando de "querido". PQP, se ainda fosse a Charlize Theron...

O mundo enloqueceu: depois que a ONU e os países ricos começaram a oferecer ajuda humanitária em dinheiro para a África, os africanos agora oferecem milhões de dólares para os necessitados do Terceiro Mundo como eu.

Os pilantras são de Burkina-Faso. Onde é isso? É perto da Argentina?

O golpe é tão ridículo e patético que parece o Dunga querendo convencer a gente de que a seleção seria campeã.

Se você não conhece, vou resumir:
Você recebe um e-mail, em inglês, de um suposto gerente financeiro informando que um cliente dele faleceu e que não tem herdeiros, mas deixou uma fortuna em seu banco e que se não for reclamada fica para o governo. Daí lhe propõe dividir a fortuna. Ele lhe manda toda a documentação (falsa) dele e do falecido e pede apenas que você abra uma conta bancária no exterior num banco indicado ( papéis anexos falsos) e arque com as despesas do cadastro.

Num país como o nosso cheio de golpistas profissionais, malandros em cada esquina querendo lhe aplicar um golpe, vigaristas de praça e porta de banco, pilantras lhe extorquindo pelo celular, esse golpe do e-mail parece história pra boi dormir. Da época da carochinha.

Ruim de tudo é que continuo liso.

Sem minhas doletas verdinhas.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

NO TOPO DA ESCADA E O QUE LENNON ENCONTROU POR LÁ

Benhê! Já que vai usar a escada, aproveita e troca a lâmpada!

O dia que Lennon subiu a escada e leu o minúsculo YES no oráculo de Yoko Ono, uma borboleta bateu as asas e uma vertigem desabou sobre a cultura pop. Numa assimetria imensurável, este fenômeno causou mudanças profundas na sociedade durante a década seguinte.

Um dos comportamentos que eu mais admiro do ser humano é sua capacidade de mudar. Às vezes nos encontramos ao rés do chão e quando tudo parece adverso vem aquele insight do fundo da alma que nos transforma noutro ser, melhora nossa auto-estima e nos coloca novamente no topo das relações. Uma necessidade súbita que põe à prova nosso compromisso com o universo: o que eu estou fazendo aqui? o que posso deixar de útil na minha passagem pelo planeta? como posso me tornar alguém mais interessante no meu relacionamento interpessoal?

Também mudamos quando estamos bem ou quando tudo parece estar bem a nossa volta como se quiséssemos superar o tédio e a monotonia do que nos cerca e romper o marasmo de nossa criatividade. Acionando o processo de inquietação dos sentidos, a resposta a várias destas perguntas necessita, às vezes, de um mergulho nonsense como no mundo de Alice para buscar no absurdo de um brainstorming com o Chapeleiro Maluco ou numas tragadas de narguilé com a lagarta, a busca do seu eu profundo.

Claro que esta transformação não é tão simples e nem todos mudam. E a velocidade é relativa para cada um. Na verdade a acomodação é a regra. Um exemplo clássico é o trabalho. Especialmente aqueles que garantem estabilidade: salário + benefícios + aposentadoria. Dessa forma, quem quer mudar? 

Não percebemos que a mudança pode gerar satisfações enormes mesmo aquelas feitas em pequenas escalas. Usar um domingo pra praticar um hobby antigo, aprender finalmente a tocar um instrumento, praticar aquele esporte que você vem adiando a décadas....

Acho que as pessoas que não buscam mudanças nas suas vidas tendem ao envelhecimento precoce de ideias e de comportamento, como citou Roberto Pompeu de Toledo em um de seus ensaios sobre a mudança social após a década de 50. São palavras dele:

" Na década de 50 só havia o velho. O ideal era ser velho. As moças, tão logo saíam da puberdade, vestiam-se e penteavam-se como suas mães ou avós. É só conferir nos retratos de nossas mães ou avós. Os meninos, tão logo deixavam as calças curtas, vestiam um terno, de preferência cinzento, e metiam um chapéu na cabeça. Bacana era ser, ou pelo menos parecer, circunspecto como um velho.
Na década da grande virada que foi a de 60, o jovem tomou espetacularmente o lugar do velho. Três grandes fatos mundiais estão na origem do fenômeno. A troca da presidência americana, de Eisenhower por John Kennedy, o surgimento dos Beatles e o maio de 68 na França."

Não deixe passar despercebido seus oráculos. Não envelheça suas ideias. Suba na escada. Mude.

domingo, 28 de novembro de 2010

MINHA QUASE-VIDA DE MARINHEIRO


Anos atrás quando aceitei trabalhar em Pinheiro, na Baixada Maranhense, sabia que atravessaria de ferryboat a baía de São Marcos, toda semana, num percurso de uma hora conforme a maré.

Durante o tempo que fiquei por lá, foram cerca de 400 travessias e da aflição inicial passei para o processo de aprender a caminhar na embarcação, cambaleante como os marujos fazem, desenvolvendo o equilíbrio marítimo ao compasso das ondas e depois de um tempo já me achava apto  para pilotar o ferry, atividade que nunca  me foi oferecida não sei por que razão.

Nesta 400 travessias aconteceu um único incidente. Porém inesquecível. Durante uma travessia noturna nos meses do BRO (outubro, novembro e dezembro) que é a época de empinar papagaio pois venta muito e o mar fica agitado, a tampa da frente da embarcação abriu e o ferry ficou de boca aberta parado no meio do mar e as ondas que batiam de frente molhavam dezenas de carros no convés inferior. Foi um corre-corre dentro da embarcação, todo mundo colocando coletes salva-vidas. Naquele dia tinha recebido meus ticktes alimentação que ainda eram de papel. Eu olhava praquele marzão escuro e pensava que daqui a pouco eu estaria ali boiando com o colete: Pqp! vai molhar todos os meus ticktes.

Daí me lembrei que no topo da balsa existiam uns botes e então procurei subir até lá onde encontrei mais umas quatro pessoas que já tinham tido a mesma ideia. Fizemos o pacto de que caso necessário a gente iria junto e dava um jeito de bater perna até uma ilhota próxima.

Neste ínterim aguardamos um salvamento. Primeiro apareceu um helicóptero sobrevoando a área mas depois deu meia volta e foi embora. Era de um canal de tv. Como ainda não tinha acontecido uma desgraça, não havia notícia. Também porque não tinha ninguém famoso na embarcação, nem um mísero deputado. Mas do males o menor, pois um amigo me disse que não gosta de viajar com ninguém famoso porque se houver um acidente ele morre como indigente.

Algumas embarcações passavam mas só buzinavam pra nós.  Depois de uma hora à deriva, a maré encheu mais um pouco e o comandante da barco consegui desencalhar o ferry e resolveu voltar ao porto por segurança, mas a embarcação só consegui chegar até cerca de 100 metros antes do cais, pois encalhou novamente. Horas depois, chegou outro ferry com os mergulhadores que iriam resgatar a tampa da embarcação do fundo do mar para poder fazer os reparos necessário. Quando falaram em mergulhadores eu imaginei aquela coisa de filme americano com máscara, tubo de oxigênio, pé de pato e os salva-vidas de Baywatch ( incluindo a Pamela Anderson ). Daí quando a equipe de mergulhadores saiu do barco foi hilário: era o fake dos fakes do jamais imaginado despreparo técnico de salva-vidas. Porém, da maneira mais rude possível eles conseguiram resgatar a tampa da embarcação e conseguimos realizar a travessia.

Depois fui a São Paulo e passei na marginal Tietê engarrafada com uns colegas da empresa e um deles, irritado, disse que pegava aquele engarrafamento toda manhã. Daí não perdi a chance de causar inveja no grupo quando disse que toda segunda de manhã eu ia de balsa para o serviço, sentado no convés sob um sol suave e admirando o mar e suas ilhas com uma nuvem de gaivotas acompanhando a embarcação.

Mas nunca esqueci da equipe cover de Baywatch que veio em nosso socorro: dois subnutridos e um baixinho atarrancado todos só de sunga velha, sem equipamento nenhum, mergulhando de apneia na água escura com ajuda do holofote da embarcação. Mas dos males o menor, pois estamos vivos pra contar a história.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

DEUS, O PECADOR

Cara, tá faltando só tua mulher aqui!

Deus chegou de mansinho no estúdio de Abbey Road com sua Gibson Les Paul desconfiado do que John e Paul iriam achar dele estar ali dedilhando acordes em música alheia. Mas como o convite partira de George,  seu amigo de fé irmão camarada,  ele se deixou levar pela autoconfiança passada pelo amigo que havia dito que a música que ele iria tocar era dele e que ninguém iria dar pitaco.

E foi assim: Lennon & Paul gostaram dos solos de Deus em "While My Guitar Gently Weeps" nos takes para o Álbum Branco e ratificaram aquilo que jovens fãs do Cream haviam pichado pelos muros daquela Londres no início dos anos 70: "Clapton is God"

Se a coisa tivesse ficado por aqui, o quase 5º Beatle teria ficado apenas como referência musical na ficha técnica do disco. Mas aí, depois de muito oba-oba de sexo, drogas e rock'n'roll, Deus desobedece o nono mandamento e resolve dar em cima da mulher de George  se declarando através de cartas, compondo uma inspiradíssima canção e depois levando a desavisada prum apartamento secreto em Kensington para lhe aplicar um migué:

"Clapton me pediu para escutar uma nova música que ele havia escrito. Ele ligou o gravador, aumentou o volume e tocou pra mim a música mais poderosa e tocante que eu já havia escutado. Era "Layla", sobre um homem que se apaixona perdidamente por uma mulher que o ama mas não está disponível. Ele tocou para mim duas ou três vezes, olhando meu rosto a todo momento para ver minha reação. Meu primeiro pensamento foi: Oh meu Deus, todo mundo vai saber que é pra mim.", disse a esposa do desavisado George já caindo em tentação.

George não levou aquilo a sério pois estava envolvido com os deuses hindus entoando mantras ao som de cítaras e baforadas de incenso até que o triângulo amoroso começa a pesar mais sobre sua cabeça. E aí não teve jeito: acabou perdendo a mulher para a qual já havia composto uma das mais lindas canções dos Beatles: Something.

Clapton, onipresente como sempre, tratou de assumir o relacionamento que ele ajudou a destruir com a ex de George mas nem por isso ficou com fama de amigo-da-onça. Sobre o dia em que Deus tocou guitarra com os Beatles, George ainda faria o seguinte comentário sobre o amigo que lhe roubou a mulher: "A presença de Clapton no estúdio serviu para desanuviar as tensões entre o grupo e eles tiveram uma melhora em seu comportamento na sua presença."

Em 29 de novembro de 2002, Clapton, Paul McCartney e Ringo Starr tocaram "While My Guitar Gently Weeps" no Concerto para George em memória de Harrison, que morreu um ano antes após uma longa batalha contra o câncer.

E o que eu aprendi com isso: que só o verdadeiro amor produz  coisas lindas, pois  Something é uma canção muito mais bonita que Layla.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

BARRADO NO CINEMA

Na época que o tamanco era moda, tomei um banho, botei uma roupa bacana, peguei o ônibus e fui pro centro assistir um filme no Cine Roxy. Fui barrado na porta porque estava de tamanco, ou xamató como se chama por aqui. Revoltado nunca mais pus meus pés por lá e aguardei a falência do cinema.

Na década de 80 os cinemas mais legais eram aqueles de rua. Geralmente eram prédios suntuosos com muito luxo como ainda são os teatros mais clássicos. Lembro de ter assistido a grandes sucessos de bilheteria nestes cinemas como a trilogia de De Volta para o Futuro, os 3 primeiros Indiana Jones e outros cult como A Vida de Brian, do Monty Python.

Hoje o Cine Roxy ainda resiste a duras penas passando filmes pornôs a R$ 2,00 para os tarados de plantão. Pela oferta de pornografia exibida nos cartazes junto a bilheteria acho que ninguém se importa se lá dentro alguém resolve ficar nu.

A decadência é uma merda. Afinal, nunca se sabe quem pode lhe jogar uma praga. Saca aquela cigana de "Arrasta-me para o Inferno?" Foi só um botãozinho que ela tirou do blazer da loirinha...

Para um cinema que barrava a entrada das pessoas pelo que elas estavam vestindo, a decadência tem cheiro de esperma alheio.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O PECADO DA GULA

Acho que meu maior pecado capital é a gula.

E assim sou um pecador de bucho cheio, pois adoro comer e minha vida cosmopolita permitiu-me experimentar diversos sabores inesquecíveis como a galinha com pirão de parida da estrada de Timbiras,  carneiro grelhados e cozidos do interior do Ceará, delícias árabes na casa de Naby e, puxando saco da patroa, o baião de dois com feijão verde e queijo coalho daqui de casa.

Mas eu não sou gourmet. Gourmet é aquele cara que sabe o nome de mais de cinco tipos de queijo. Coisas de que é muito fino ou é muito fresco.

Mas quem experimenta de tudo também corre o risco de cometer gafes ou ficar desapontado com o prato que escolheu. Uma das minhas gafes de guloso aconteceu em Salvador, durante um Congresso, quando fui experimentar um abará que vinha acompanhado de uma creme branco parecido com uma maionese. Com o olho maior que a boca, caprichei no creme e enfiei o abará na boca. O creme era pura pimenta. Nesta hora  o dragão de São Jorge espalhou labaredas por todos os lados. Apagadas, oportunamente, por uma caneca de chope estupidamente gelada do evento.

Outra vez em São Paulo saí para almoçar com uma conterrânea minha e sua filha, num restaurante simples na esquina de uma alameda, e observei que cada uma delas escolheu uma porção de galeto.  Daí estranhei quando o garçon perguntou que acompanhamento elas queriam. Aí optaram por arroz, salada, batata frita, etc. 

- Vão querer feijão? perguntou o garçom.
- Não, responderam as duas. 
- E o senhor? 
- Vou querer galeto também.
- E pra acompanhar? 
- A mesma coisa delas.

Depois perguntei pra minha amiga:
- Vem cá, aqui quando a gente pede uma refeição só vem o galeto? Não vem nem a farofa?
Daí ela disse:
- É, aqui é assim! Tem que pedir as outras porções separadas.

Daí disse pra ela, conhecedora do assunto:
- Porra que saudade de Codó... Lá quando a gente pede uma refeição vem o galeto, arroz, feijão, farofa, macarrão e salada. Neguinho come que fica triste...
- É verdade...E no final ainda rebate tudo com guaraná Jesus! concluiu minha amiga.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

NOVA IORQUE, BRASIL


Anderson Clarkson da Silva, nosso imaginário morador de Nova Iorque não anda de carro. Religiosamente, às 7 em ponto, depois de um breakfeast de café preto e beiju ele sobe na sua Monark verde-abacate 1974, aro circular, e segue diretamente em direção ao seu cultivo de orgânicos, ou no coloquial novaiorquino nordestino, sua roça de milho e mandioca. 


E no sábado, quando volta do trabalho, sempre dá uma esticada no rio. Porque o rio continua lindo. E sábado é dia de praia cheia. E quando quer impressionar umas garotas, Anderson Clarkson as convida para dar uma volta no seu barco, modelo canoa a remo 3 lugares. De Nova Iorque ele as leva até o restaurante Cotê d'azur em Guadalupe. Elas não resistem.

Confuso, leitor? Eu explico.

No sudeste do Maranhão existe uma "fronteira internacional" pouco conhecida: do lado de cá, Nova Iorque e do outro lado, Guadalupe, no Piauí. E entre elas o rio Parnaíba.

Apesar de situar-se nas margens da MA-369, Nova Iorque parece uma daquelas cidades perdidas da rota 66. É um lugar tão remoto que nem é possível achá-lo corretamente no Google Maps; se você inserir Nova Iorque, Maranhão ele vai lhe direcionar erroneamente 500 km a noroeste do verdadeiro local, na Baixada Maranhense. A melhor maneira de visualizar sua localização é ir no Google Earth e procurar pela Represa de Boa Esperança onde nas suas margens situa-se Guadalupe, um oásis no Piauí. Repleta de lazer na área da represa, a cidade é tão "internacional" que nas minhas pesquisas para o post descobri que por lá tem até um restaurante chamado "Cotê d'azur". Vous parlez français, mon ami?

No auge dos V-8 nacionais, eu sonhava o dia que teria o meu possante com a placa de Nova Iorque-MA, a mesma que Anderson Clarkson ostenta na sua velha bicicleta de aro circular enquanto trafega despreocupadamente pela cidade.

O único risco que corre por lá é de levar uma queda quando os cachorros alvoroçados - sem outro ofício do que fazer na pacata cidade -  saem em disparada pelos portões das casas correndo atrás dos pneus da sua bicicleta quando ele passa fazendo trim trim com sua buzina para as novaiorquinas nas janelas.

E elas ficam sorrindo com aquelas carinhas piriguetes de Sex and the City.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NA PASSARELA DO MENDIGO'S FASHION


O multimídia Pedro Paulo me postou chateado por eu não ter comentado aqui no blog sobre o 1º Mendigo's Fashion Chic promovido por ele e a socialite Heloísa Faissol, dia 25/10 em São Paulo. Vou tentar me redimir e ao mesmo tempo fazer a pergunta que não quer calar: afinal, quem ganhou o Ramelão - o BBB da periferia?

O povo quer saber.

Agora, flanando pelas passarelas do mundo fashion de Dolce & Gabbana, Pierre Cardin, Hugo Boss e outras marcas, Pedro Paulo arregimenta seus modelos na rua. Visual urbano. Tendência Verão 2011. No lugar das modelos da Victoria's Secret utilizou a massa marginalizada da sociedade das ruas paulistanas e não fez feio: a irreverência foi mais uma vez a marca registrada e ao mesmo tempo deixa a mensagem de alerta social sobre a quantidade de mendigos e as condições que eles vivem nas metrópoles brasileiras.

Sabe-se de histórias recentes de sucesso no mundo da moda como a grife De Puta Madre que foi criada por dois ex-traficantes presos na Espanha e que após a injeção de dinheiro de investidores italianos virou febre na Europa e depois ganhou o mundo. E também daquela modelo que foi descoberta num lixão do Rio

Quem sabe se daqui a pouco Pedro Paulo não faz um estágio na alta costura com Jacques Leclair e começa assinar suas próprias produções? Mas nesse caso tem também que mudar de nome. De preferência um bem afrescalhado tipo  Pierre Paulet. Ui! Aí é só jogar a marca no mundo. Minha sugestão de nome para a grife é Doce & Bacana ( não esquece minha parte nos royaltes pela ideia ).

Afinal no mundo da moda nada se cria. Tudo se copia.

sábado, 6 de novembro de 2010

EU ESTAVA LÁ



Última sexta-feira das férias e show de Zeca Baleiro na Ilha.

Peguei o batmóvel e fui lá, afinal Zeca é um dos meus artistas prediletos tanto pelo seu talento como músico e intérprete quanto pela sua verve poética, típica de quem já leu todos os malditos.

Point novo pra mim. No mesmo local onde os Scorpions tocaram mes passado. Clima legal, na margem do Bacanga. Só achei a cerveja caríssima. Não dá nem pra encarar 1/2 dúzia sem sair com aquela sensação de quem foi assaltado. Dá próxima tenho que tomar umas antes pra não deixar meus suados cobres nas mãos dos mercenários de plantão.

Zeca continua cantando e tocando muito. Até mais do que antes. Sua banda é fantástica e os arranjos das canções conhecidas às vezes mudam a cara das mesmas pois soam quase sempre como novas canções. Mas este talento já faz parte do velho Baleiro. No DVD do show com Fagner onde ele quase sempre parece embasbacado em cantar com o ídolo, ele também apronta no making off dando roupagem a velhas canções do Ave Noturna.

Vez em quando eu tiro onda dizendo que Zeca aprendeu a gostar de Fagner porque ele escutava o Revelação lá de casa quando ia na padaria de seu Ribamar,  no Monte Castelo, comprar uns pães à tardinha.

Claro que isso é folclore meu.

Depois de hora e meia de show e alguns bis, Zeca encerrou com solos dissonantes de Heavy Metal do Senhor agradecendo a platéia por este show na terrinha e às piabas enviadas pra ele lá da Baixada.

Afinal só quem é maranhense sabe o valor de uma piaba frita.


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS


Confesso, nunca abri o Kama-Sutra nem por curiosidade.

Daí quando li que a posição preferida de Juliana Paes no Kama-Sutra é o "barco a vela" pensei logo sacanagem com relação à posição do mastro.

Mas aí ela explicou como é que funciona a embarcação... Ah, tá bom...

Mas juro de pé junto que ainda assim pela descrição - deitada de costas, pernas levantadas, mãos nos tornozelos- eu associei a posição àquele aparelho de fitness revolution sei-lá-o-quê que vende pela tv em que o cara se movimenta, segurando duas  alavancas com as mãos, pra frente-pra trás, pra frente-pra trás...

Agora quando eu vejo o anúncio na tv eu fico pensando no exclusivo e revolucionário modelo Juliana Paes Revolution.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

EU QUERIA SER JOHN LENNON


Você já quis ser John Lennon? Odair José, já! A canção homônima começa com o verso confessional e matador de quem está sendo desprezado por sua cara-metade: "Eu queria ser John Lennon um minuto só/pra ficar no toca-discos e você me ouvir". PQP!!! ME OUVE SUA INGRATA!!!

Lançada no disco Assim sou Eu (1972) o petardo da canção está relacionado com o hit Imagine de John Lennon, que estourou nas rádios no primeiro disco solo do ex-beatle lançado um ano antes. Recentemente foi regravada no disco Tributo a Odair José, um revival de sucessos do artista interpretados por cantores de peso da MPB como Zeca Baleiro, Pato Fu, Paulo Miklos entre outros.

Endeusado por diversos artistas como Caetano Veloso com quem já fez dueto em "Eu vou Tirar você desse Lugar" e considerado brega até a medula por outros, Odair já tem seu lugar registrado no panteão dos compositores nacionais desde que foi referenciado por Rita Lee no hit "Arrombou a Festa": "O Odair José é o terror das empregadas/distribuindo beijos/arranjando namoradas..."

O auge foram os anos 70 onde ele  pode exercer toda sua verve poética ao som de seu violão destilando versos em assuntos polêmicos e outros tabus da sociedade brasileira, tendo que driblar por diversas vezes a censura imposta pela ditadura militar. São desta época os versos abaixo:

"Esta noite você vai te que ser minha/esta noite vai se feita pra nós dois/nem que seja dessa vez e nunca mais"
"Eu vou tirar você deste lugar/eu vou levar você pra ficar comigo/e não me interessa o que os outros vão pensar"
"Peço perdão mais uma vez se compliquei sua vida/não tenho culpa se você chorou, se não deu certo/foi tudo culpa do amor"
"Pare de tomar a pílula/porque ela não deixa nosso filho nascer"

Faz parte do meu repertório de recaídas musicais. Pronto, contei!

Pense num cara bom de ouvir encarando umas cervejas estupidamente gelada num churrasco domingo de manhã...

Segue a versão original. Mas se não quiser ouvir aqui procure também nos melhores botecos da luz vermelha.  Mas não diga pra patroa que fui eu quem recomendei.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

VINHOS, BARES & SARAUS


Hoje passando no centro histórico de São Luís, lembrei-me das happy-hours no Terraço Itália, no topo da ladeira da montanha-russa alguns níveis acima do nível do mar, onde nossa turma de violão & poesia costumava bebericar umas cervejas no fim de tarde em frente a baía de São Marcos.

Depois um barzinho underground, uns beijos, uns carinhos, um romance, um sarau na praça Gonçalves Dias; deixando poemas escritos dentro de garrafas de vinho vazias, pois durante um naufrágio é irrelevante fechar as escotilhas do barco.

Meu friend Celso, do Alma Brasileira, relembrou isso da última vez que nos vimos. Ele disse que guarda papéis destes dias, cifras e garranchos, poemas contaminados de juventude. Que não há lembrança melhor que aquelas guardadas pelo vinho.

Depois foi a vez de A.J. me telefonar em pleno domingo me dizendo que havia encontrado um pacote de cartas e outros escritos daquela época. Pensava que somente os piratas enterravam seus tesouros. Como os amigos guardam tantas recordações?

Depois disso enquanto caminho sobre paralelepípedos de sonhos pelos becos estreitos me vem na lembrança um poema de Fernando Pessoa: "Segue teu destino, rega tuas plantas, ama tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias"

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A VIDA VEM EM ONDAS COMO O MAR



A vida acontece em ciclos.

Dias atrás postei sobre  O Amor e suas Esquisitices e agora - não querendo que fosse uma continuação do post - digo que o amor tem dois grandes momentos: um quando começa e outro quando termina.

Aí você me pergunta:
-Putz! Um grande momento quando termina?

Calma, eu explico.

Quando um amor começa você se transforma num outro ser. Um ser mais agradável, mais perceptivo, indiferente às banalidade e mesquinharias do dia a dia. Você adquire uma nova beleza física chegando inclusive a se achar parecido com Brad Pitt quando se olha no espelho nos primeiros dias.

O fim de uma amor é como se uma manada de Tiranossauros Rex passasse sobre seu corpo e depois o que resta de sua insignificância é levado pelo vento, como folhas de folhas sobre a relva, citando Walt Whitman. Daí você passa dias, semanas, meses tentando recompor os pedaços de sua existência. Aí é que mora a mágica do grande momento. Você que estava prestes a retornar ao estado de bactéria volta a se tornar um ser consciente. Ainda que sua mente insista em bombardear sua imaginação com imagens de flashback, o corpo se desintoxicará gradualmente da química daquela superação amorosa.

Mas você poderia ainda me perguntar:
-Mas, Jorge, se os grandes momentos são o início e o fim, o que seria o durante?

E eu lhe responderia, tomando um gole da minha cerveja estupidamente gelada:
-O que acontece durante, meu caro, é o verdadeiro amor!

Saca aquele lance poético do Vinícius de Moraes do "que seja eterno enquanto dure"?

Aproveite o momento.

O amor também acontece em ciclos. Se é que você me entende...


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

VERBO



onde
conjugar meu verbo
receber teu hálito
abrandar meu desejo
de macho
senão
nestes
cabelos fartos
nesta boca que é seda
neste corpo
onde agora me
encaixo?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O AMOR E SUAS ESQUISITICES


O amor tem suas esquisitices. Você está deitado tranquilão  na arte-zen do sossego, daí do nada sua cara-metade como se estivesse praticando parkour atira-se ao seu lado e estende as mãos de levantadora de vôlei no meio do seu rosto e começa a espremer seus cravos e espinhas. Daí a pouco você tá lá, cheio de manchas vermelhas parecendo um astronauta que aterrissou em Marte sem uma roupa de proteção.

Mas tá feliz, apaixonado, dando seus beijinhos de sapo na sua princesa encantada.

Melhor ainda quando um dos dois está com uma dor incômoda e outro diz:
-Deixa eu dar um beijinho que sara!

Boca santa!!!!

Como pedras drummonianas no meio caminho, o amor é isso: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe. E nada do que escreverão os poetas dará significado a este desassossego da alma que ora te faz feliz e forte, ora infeliz e liqüefeito.

E muito menos algo que eu possa escrever.

Mas não deixo de citar como impagável a notícia que ouvi ontem pela manhã no rádio-jornal: 5 dos 33 mineiros resgatados no Chile resolveram marcar casamento com suas cara-metades.

Parece que na reclusão da mina eles encontraram o caminho de Santiago de Compostela. Ou as quase-viúvas resolveram garantir a pensão vitalícia de uma profissão de risco.

Sabe-se lá os mistérios do amor. O sujeito escapa fedendo da morte e depois morre cheiroso.

Como dizia o antigo compositor baiano: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é!"..

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

MALAGUEÑA SALEROSA

    

Esta versão de Malagueña Salerosa foi gravada em Londres no lançamento de Kill Bill, pois faz parte da trilha sonora do filme e é da safra daquelas músicas que Tarantino desenterra lá do fundo do baú.

Tradicionalmente é uma canção Mariachi e existem várias versões dela inclusive uma gravada pelo tenor Plácido Domingos. Deveria tê-la incluída como música incidental no post Sob o Sol do México. Como não fiz, deixo só a referência.

Eu já havia postado antes algo sobre a canção, mas depois que vi está versão com os caras tocando demais eu pensei: "p.q.p tenho que compartilhar isso!"

E também por que vira e mexe vejo alguém querendo a canção cifrada. Mas não vou postar a cifra. Vou dar este link onde tem a letra, a tradução e as cifras.

Enjoy!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

AVE DE PRATA


Assisti ontem no Som do Vinil a matéria sobre o Ave de Prata, o primeiro disco de Elba Ramalho lançado em 1979. É um disco que eu gosto muito e tenho maior prazer de ouvi-lo num daqueles revival regado a beers, domingo de manhã. Lembro de tê-lo comprado lá em Fortaleza junto com outros discos da época, acho que o Avohai de Zé Ramalho e o Bicho de Sete Cabeças de Geraldo Azevedo.

Fazer do primeiro disco um cartão que abra várias portas é um privilégio para poucos. E isso aconteceu com Elba. Neste disco ela está na sua fase "elétrica" - herança do rock paraibano - e solta literalmente a voz em interpretações espetaculares como Canta Coração, Não Sonho Mais, Ave de Prata.

O momento deste disco é o final dos anos 70 e início dos anos 80 quando houve uma efervescência musical muito grande no Nordeste principalmente no eixo Pernambuco-Ceará de onde surgiram vários cantores e compositores que mudaram a cara da  MPB.

Ainda haviam os festivais promovidos pelos canais de TV e eu me lembro, em um deles, de ter assistido Fagner na sua intepretação definitiva de Quem me Levará sou Eu, vencer o festival daquele ano na extinta TV Tupi.

Em Fortaleza, Ednardo e outros tantos compositores e artistas locais levaram sua trupe ao Teatro José de Alencar e montaram o espetáculo Massafeira, cujo CD duplo - registro musical do som do Ceará - foi finalmente lançado no mes passado em comemoração aos 30 anos do evento.

Ouvindo os depoimentos de Geraldo Azevedo e de Robertinho do Recife sobre a motivação que cada um dava ao outro para que as coisas realmente acontecessem, bate aquela coisa retrô chamada saudade.

Éramos felizes e já sabíamos.

Degustações das músicas do Ave de Prata podem ser ouvidas na página oficial da cantora clicando aqui

Bons fluidos musicais!

domingo, 17 de outubro de 2010

MEMPHIS BLUES


Cyndi Lauper surgiu lá pelo anos 80 com o petardo pop Girls Just Want to Have Fun que impregnou as paradas musicais do mundo de tanto tocar na rádio.

Garota esquisita de cabelos coloridos, roupas coloridas meio grunge, pele branquíssima e um batom bem vermelho nos lábios. As garotas queriam um visual daqueles. Queriam ficar parecidas com ela. Andar como ela. Cantar como ela. E eis que uma delas copiou o estilo de Cyndi e se deu bem demais: Madonna.

Depois Cyndi sumiu.

Agora pra minha surpresa vejo que ela lançou recentemente Memphis Blues, um CD muito bacana com participações também de gente muito bacana como B. B. King, Jonny Lang, Allen Toussaint entre outros, que vale o investimento de ouvir.

Eu ouvi e gostei. Já está na minha playlist aqui no PC.

É música pra qualquer hora: no carro, em casa, sozinho, acompanhado...Até mesmo pra ouvir escrevendo este post.

Divirta-se com a canja.

Just Your Fool (Feat. Charlie Musselwhite)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

SOB O SOL DO MÉXICO


Imagine a cena: Quentin Tarantino e Robert Rodriguez tomando umas tequilas com cervezas Corona num bar vagabundo numa cidadezinha do México, à margem do deserto, com imagens em sépia. Tarantino tem o rosto suado, barba por fazer e olhos semicerrados; Rodriguez com um chapéu texano e pés sobre a cadeira da frente. Uma rufada de poeira levanta o mormaço do chão, um cachorro magro late sem força, atravessa a rua e cai morto de fome. O barman cospe no chão.



Tarantino e Rodrigues estão ali fazendo um brainstorming para seus próximos filmes.

Rodriguez diz:
- A gente coloca na cena uma vampira gostosa em cima da mesa, dançando quase nua, bebendo tequila na boca da garrafa e a bebida escorrendo pelo seu corpo, descendo por suas pernas e você ali, aos pés dela, colocando os dedinhos dos pés da vampira na sua boca e sorvendo a bebida que desce pelo seu corpo.

Tarantino ri e completa: mas tem que ser uma vampira com pezinho lindo..

-Salma Hayke tá bom pra você? pergunta Rodriguez com um riso de safado na cara.

Tarantino cai na gargalhada. Depois continua:
- Eu tava querendo colocar uma striper sem pernas. Já imaginou uma striper perneta e sensual? Ou sei lá, com uma prótese? Ambos caem na risada!!!

Rodriguez pede outra rodada de cerveza e tequila enquanto Tarantino continua:
- Já imaginou cara, uma dançarina de boate com uma prótese? Causaria um impacto na platéia. Uma perna falsa que vira uma metralhadora cospe-fogo e no meio da confusão ela arranca a perna postiça e cai de bala nos morto-vivos!

- P.q.P.! Essa cena eu gostaria de filmar. A gente podia acrescentar um herói maluco ou sei lá, um anti-héroi...Tipo um cara desses mexicanos com cara de mau, todo tatuado com umas cicatrizes, que saísse rasgando todo mundo com um facão até que fosse encurralado em cima de um prédio.Todo mundo a fim de matar o desgraçado...

- Pura sacanagem! Podia fazer assim: o cara cercado em cima do prédio não tem para onde fugir, daí o f.d.p parte pra cima de um dos agressores, passa o facão na barriga do cara, arranca as tripas dele e faz uma corda delas por onde ela escapa.

Nesta horas, os dois riem até quase caírem da cadeira.

O diálogo acima foi hipotético mas as cenas descritas realmente aconteceram nos filmes Um Drink no Inferno, Planeta Terror e Machete, respectivamente. 

Coisas que saem da cabeça destes dois diretores figuraças que parecem se divertir tanto quanto a gente que os assiste. Como se fizessem cinema pra matinés. Afinal desta estirpe já saiu Pulp Fiction, Kill Bill, Bastardos Inglórios, Cães de Aluguel, Sin City, El Mariachi, entre outros.

E porque não tomar umas sob o sol do México?


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

OS AMIGOS TRAÍRAS

Hoplias sp. também conhecido por traíra (lembra aquele seu amigo?)


O que eu acho mais pitoresco no resultado das eleições não é quem vai ganhar, mas aquela turma que fica lá na rabeira. Que se candidata pra encher lingüiça, como se diz por aí.

É que lá no fundão ficam dois tipos de candidatos: os que não tiveram nenhum voto e aqueles que tiveram 3, 5 , 8 votos, etc. 

Da turma que não levou nenhum voto, pode-se até perguntar: pôxa, nenhum voto? Mas nem ele mesmo votou nele? Mas entendendo que existe muito mais maracutaia entre a urna e o eleitor do que possa imaginar a nossa vã filosofia, eu me deixo acreditar que isso é jogada de troca de favores entre partidos e seus conchavos.

Agora a segunda turma é cruel. São os dissidentes. Aqueles que não fizeram conchavos ou fizeram e depois romperam a negociata com seus partidos. Aqueles que revoltosos nas plenárias bradaram de peito cheio: "O povo acredita em mim! Não me juntarei às oligarquias! Vou às ruas pedir meus votos!" E aí manda fazer centenas de "santinhos" e sai no corpo a corpo com eleitorado: familiares, vizinhos, colegas de trabalho, parceiros da academia, amigos da sinuca, do boteco, do futebol, da igreja e na hora do resultado das eleições: 3 votos. Três míseros votos!!!!!

Ah!, bando de traíras!!!!

Aí o cara fica no desespero pois tinha pelo menos 4 votos garantidos. Como é que só aparece 3?

Daí ele começa a fazer as contas: eu votei em mim, minha mulher também votou, meu filho também...Será que foi minha mãe que não votou?
( Mãe não querer votar em filho é um ato instintivo de defesa do reino animal. Afinal existe um risco altíssimo do filho ser tratado por filha da p*** ofendendo a integridade, a moral e os bons costumes da digníssima matrona)

Ratificado que a mãe votou porque mãe é mãe e palavra de mãe é sagrada, vira-se pra mulher e pergunta:

-Querida você votou em mim, certo?

Ela fita-lhe angustiada e diz:

-Olha, veja bem querido....

Pronto! Entregou! Esse "olha" na mesma frase com "veja bem" é trairagem total. Vindo de casa então...Puta que los párius!!! É mesmo que estar morando com o inimigo.

Aí só levando pro Bope: "Pede pra sair zero dois!!!

sábado, 2 de outubro de 2010

+ BEATLES


No ano de algumas efemérides referentes ao quarteto de Liverpool, chegam ao mercado um filme e alguns cds remasterizados para dar uma sacudida nos beatlemaníacos.

O filme é O Garoto de Liverpool que mostra os primeiros passos do artista desde sua relação familiar, à primeira banda e o primeiro encontro com Paul e George que resultaria na química dos Beatles. O cara faria 70 anos no próximo dia 09.

Nesta data, dentro do projeto Gimme Some Truth coordenado por Yoko Ono, será o lançamento mundial da coletânea The John Lennon Signature Box contendo 8 discos solo remasterizados digitalmente e mais 3 álbuns com gravações inéditas e EP com singles. O box inclui ainda fotos, poesia, desenhos e colagens produzidas por ele ao longo da vida.

Na carona das remasterizações os álbuns "vermelho" e o "azul" dos Beatles serão relançados também este mes. Pra quem não tem uma coletânea do quarteto, este é o ponto de partida pois traz os grandes hits da banda por períodos: o álbum vermelho mostra as canções de 1962 a 1966 e o azul de 1967 a 1970. Os álbuns serão acompanhados de livretes com anotações originais e fotografias raras.

E enquanto o ano não termina, aguardamos as outras promessas: um disco com canções inéditas de George Harrisson prometido pela viúva do cantor e o filme que Liam Gallagher irá produzir sobre os Beatles baseado no livro "The Longest Cocktail Party: An Insider's Diary of The Beatles".

DÚVIDAS ELEITORAIS


Amanhã é proibido o candidato alimentar o eleitor. Mas quem tá com fome vai recusar?

E como é que a polícia diferencia o transporte legal do transporte ilegal de eleitores? O eleitor se auto-dedura?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O ATAQUE DOS CLONES

D'oh! Onde está a urna???

Eu pensava que nestas eleições bastava levar o título e o polegar direito, afinal as urnas seriam digitais.

Mais não! Como tudo no país é feito com retrabalho, às vésperas do pleito, convocou-se o STF para julgar o mérito do artigo 91 da lei 12.034 sobre a necessidade de o eleitor apresentar dois documentos para votar nos seis candidatos além de ter que decorar o número de cada um deles e daí voltou-se ao ponto de partida: basta levar um documento com foto. Ohhhh!!!! SANTA REDUNDÂNCIA, BATMAN!!! 

E as urnas com reconhecimento de digitais? As urnas eletrônicas com reconhecimento de digitais serão testadas em apenas cem municípios. Fica pra próxima! Talvez pra combinar com a incerteza da Lei da Ficha Limpa.

Impressiona-me tanta meticulosidade com o eleitor enquanto o que mais se bateu na mídia foi a referida lei e os ministros do STF não conseguiram chegar a uma decisão antes das eleições. Repassaram a dúvida para os candidatos impugnados e, sobretudo, para os eleitores, que irão às urnas sem saber se os candidatos que escolheram poderão ser empossados. Esta é a nossa democracia.

É como dizia minha vó: vão-se o anéis ficam-se os dedos!

O temor no futuro é que na urna digital se corra o risco de dizer: Vão-se os polegares fica-se com o título!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

SOBRE RELÍQUIAS, CRENÇAS E VINICIUS DE MORAES

 O filho de Osama Bin Laden relatou em entrevista recente aspectos de sua infância durante o período em que passou com seu pai no Afeganistão e corroborou para ratificar a imagem de xiita do terrorista mais procurado do mundo.

Das experiências no deserto afegão sob privação de água, ao voluntariado forçado para tornar-se homem-bomba em favor da causa do Islã. Meses depois ocorreria o atentado de 11 de setembro contra as Torres Gêmeas em que morreram 3.000 civis americanos.

Caetano Veloso, a Paris Hilton baiana, comentou na época sobre Bin Laden e disse: “Ele é lindo!” Poderia ter acrescentado: “Queria que ele me explodisse todinho!” Faria mais sentido, pois não iria de encontro à dor das famílias que perderam seus parentes pela violência exarcebada do fanatismo religioso.

Semana passada assisti na TV um documentário sobre a possibilidade de Sudário de Turim ter sido feito por Leonardo da Vinci sob encomenda de um nobre fiorentino, que atuava como mecena de artistas da época e que, similarmente a tantos outros nobres mantinham acervos particulares de relíquias religiosas as quais os devotos pagavam para admirá-las.

O que me chama atenção neste ponto é o termo relíquia, pois sempre me reporta a alguma coisa de valor ou alguma coisa na qual as pessoas pagariam para obtê-la a fim saciar um desejo íntimo e intangível. Coisas simples como a figurinha de um álbum de futebol, uma revista masculina dos anos 80 com Luiza Brunet na capa, um ingresso original de um show dos Beatles, por exemplo. As pessoas diriam: “Nossa isso é uma relíquia!!! Quer vender? Quanto custa?”

O que estes dois acontecimentos tem em comum? Que a exploração do sentimento religioso não é coisa nova. O que os pastores evangélicos, por exemplo, fazem hoje na tv quando vendem água milagrosa engarrafada é apenas fruto de um trabalho de marketing que atravessou séculos e séculos até chegar no mundo globalizado da informação onde eles se aproveitam das fraquezas humanas para obter o lucro de sua religião em reai$$$.

Não quero contudo derramar o fel sobre a religião de ninguém. Só acho que ninguém merece ser coagido por religião alguma, imolar seu corpo ou explodi-lo em praça pública com promessas de uma vida melhor do outro lado. Nesse ponto, penso e cito Vinícius de Moraes: "vida só se tem uma / duas mesma que é bom/ ninguém vai me dizer que tem/ sem provar muito bem provado/ com certidão passada em cartório do céu/ e assinado em baixo: Deus/ e com firma reconhecida"

Cada um tem suas crenças e o direito de acreditar no que quer ou não acreditar em nada. O alimento de nossa existência é aquilo que queremos ser. E só.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

SHORT SKIRT/LONG JACKET



I want a girl with a mind like a diamond




I want a girl who knows what's best


I want a girl with the right allocations


I want a girl with a short skirt and a long jacket