quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O SACRIFÍCIO DAS VIRGENS

Hoje depois do almoço tive um déjà vu quando ouvi umas desventuras hilárias de como fazer uma corrente humana pra levar um choque grupal inserindo, na ponta da fila, um prego na tomada.

Mas pra que servem os amigos se não para fazer você rir e depois ficar lembrando de suas desventuras alopradas?

Daí me lembrei de um acampamento que eu fui a uns trocentos anos atrás no final da praia, com umas dez pessoas, onde a gente atravessou um riacho e acampamos ao lado de uma duna.

A noitinha, acendemos uma fogueira imensa pra espantar as mutucas e os maruins, e ficamos naquela vidinha de acampamento: violão, curtição, azaração e outros ãos. Por volta de uma da manhã, estava derrubando umas garrafas de vinho baratas junto a fogueira com uma garota, quando surgiram do nada, do outro lado do riacho, uma dúzia de nativos com aqueles jeitão de pescadores, todo mundo meio que na bagaça da cachaça e eu só ouvi o bordão de um deles com aquele sotaque que só os bêbados conseguem pronunciar:
-Tem mulher ali! Eu quero f****!

Mal deu tempo de chamar alguém nas barracas e os caras já tavam ali em frente a fogueira. Pediram cigarro, acenderam, fumaram, mas não passou disso. Logo um deles convenceu o grupo a ir embora e deixar a gente em paz. Menos mal porque eu não queria revelar minha identidade secreta de Power Ranger na frente do grupo.

Depois percebemos que duas pessoas acenavam e chamavam por nós, do outro lado do riacho. Era o dono de uma casa ali na praia e o vigia dele que estavam observando a movimentação e que estavam prontos para intevir. Depois de uma conversa ficamos sabendo que o cara era um empresário conhecido e bem sucedido na cidade e depois de mais um blá-blá-blá ele sugeriu que a gente trouxesse a barraca para o lado da casa dele, num local mais seguro, com vigilância, numa prainha particular na beira do riacho.

Beleza, então! Daí, fizemos aquele mutirão no início da madrugada e nos mudamos pro local sugerido.Pela manhã, sentimos falta de uma de nossas amigas e no meio do zunzunzun do fuxico que rolou naquele momento matinal, ficamos sabendo que nosso benfeitor havia usado a lábia sabiamente na noite anterior e convidado a jovem para conhecer seus aposentos de predador.

Como Chapeuzinho Vermelho, ela entrou na casa do lobo mau. Mas se não quisesse ir, alguém do grupo teria empurrado ela no abismo: vai logo!!!! Te sacrifica pela nossa segurança!!!

Tudo isso pra manter o nosso grupo longe de possíveis ataques bárbaros de pescadores bêbados no meio da madrugada; ela, como as virgens sacrificadas nos impérios pré-colombianos, ofereceu seu corpinho de princesa ao empresário/milionário quarentão. Sedento de sexo.

Claro, sem aquela violência sanguinolenta dos maias.

Mas com caminha quente, ar condicionado, café da manhã....

Afinal, o que não se faz por uma boa noite de sono?

3 comentários:

Ricardo Chicuta. disse...

Quem aqui amigo nunca emprestou a amiga em troca de favores né?Quem aqui?

Antonio José Rodrigues disse...

Tudo, Jorge, como diz o adágio, tem seu preço. Acredito que a jovem fez menos sacrifício do que se tivesse ficado com vc numa barraca cheia de formiga e cachaça, rs rs. O texto tá legal pra caramba!!Abraços

Renato Baptista disse...

Amigo...

Fiz questão de vir desejar um SUPER 2011 pra você e todos aí em casa... e agradecer a sua a amizade .
Muita Paz e saúde!

Abraços*

Renato Baptista