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quinta-feira, 12 de abril de 2012

C.S.I. SÃO LUÍS

Ontem li um comentário aqui na internet onde alguém disse que se tirassem os estrangeiros dos times o campeonato espanhol seria igual ao campeonato brasileiro. Resolvi pegar um gancho nesse pensamento e inserir noutro contexto, trazendo pro nosso terceiro mundinho, um mito, um herói, pra ver se ele se sairia tão bem por aqui quanto lá na zona de conforto do primeiro mundo com todo seu aparato tecnológico. E o escolhido foi Horatio Caine, o chefão do C.S.I. Miami. Queria ver como ele se sairia num hipotético C.S.I. São Luís, enfrentando certas situações reais tiradas dos tabloides e descritas abaixo (com adaptações para dar uma lógica à história):

Um sujeito recebe a ligação da esposa que está sendo ameaçada de morte por uma gangue que aterroriza o bairro onde ele mora, assaltando as casas e traficando drogas. Ele se dirige à delegacia e informa ao plantonista a situação dando o nome e o endereço dos suspeitos e pede que encaminhem uma viatura até o local porque ele teme pela vida da sua esposa. O agente diz que não pode mandar uma viatura pois elas estão sem gasolina, pois a verba do combustível foi desviada para pagar os 19 salários anuais dos deputados maranhenses.

Inconformado com a situação e temendo pela vida da patroa do sujeito, Horatio se dirige ao terminal de ônibus da Praia Grande, mas leva azar por hoje ser feriado. Não tem nenhum ônibus no terminal. Ele faz aquela pose tirando seus óculos ray-ban comprado na banca dos coreanos da Rua Grande e pergunta pro fiscal que horas que vai ter ônibus. E o fiscal responde com aquele jeito fuleiro de preguiçoso:

"- Sei não. Só mais tarde."
Daí Horatio fica puto e retruca:
"-Fucking you, você não é fiscal dessa porra??? Como que não sabe? Não trabalha aqui????"
E o fiscal dá uma olhada de casqueiro pra Horatio e diz:
"-Foqueu aí dentro, seu qualira...Trabalho mas hoje nem era pra eu tá aqui que hoje é feriado. E vai se lascar...

Enquanto isso a esposa do sujeito, mesmo ferida a bala, consegue despistar os bandidos e chegar às duras penas num posto do SAMU atrás duma ambulância para levá-la a um Pronto-Socorro,  mas o atendente, que tava lá nos fundos pegando manga, disse que não podia atendê-la porque só tinha uma ambulância e ela tava na rua em outro chamado. Sugeriu que a mulher pegasse um carro particular. A mulher não resiste aos ferimentos e morre ali mesmo.

Tres horas depois vindo num ônibus lotado ao lado de um cara ouvindo nas alturas uma música horrosa  num celular de camelô, Horatio chega a cena do crime, mas é informado que a equipe de perícia não veio porque eles também resolveu[ram aproveitar o feriado e  viajaram pro interior do Estado. Após colocarem o corpo da mulher no rabecão do IML para realização da perícia, Horatio é informado que o laudo irá sair dentro de 4 anos.

Quando está retornando pra casa liga para um de seus agentes e pergunta se ele já conseguiu alguma pista sobre os assassinos da mulher. O agente diz que sim e que está muito próximo de saber que foi que atirou na vítima e que basta ir até a casa de um informante.
"-E por que ainda não foi?", pergunta Horatio.
Onde o agente responde:
 "-Porque tive que voltar para a delegacia pois eu deixei o vizinho vigiando o preso"

sábado, 26 de novembro de 2011

QUE PAÍS É ESSE?

Os policiais militares e bombeiros do Maranhão estão em greve numa ação inédita da categoria descumprindo a Constituição Federal no seu artigo 142 § IV que diz claramente que "ao militar são proibidas a sindicalização e a greve". Se bandido não respeita polícia e a polícia não respeita a sociedade, eu pergunto: que país é esse? 

Pelo rádio ouvi  dizer que uma das principais reivindicações dos PM's é a questão salarial o que me reporta novamente à CF no artigo 7° § 4 que trata do "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender as necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preserve o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação a qualquer fim"  e à melhoria do plano de carreiras. 

Confesso que não sou um expert em legislação trabalhista, mas meu pouco conhecimento entende que os policiais militares são servidores estaduais regidos por legislação específica e cujos proventos advém de subsídios para fins específicos. E que tal subsídio deveria ser equiparado em todo país àqueles do Distrito Federal depende apenas de aprovação da Câmara dos Deputados.

Aqui, abre-se um leque para um outro assunto delicado que temos que engolir sempre: a eleição dos nossos representantes. Por mim, por exemplo, analfabeto não votava. É minha opinião e um direito que me assiste. Voto de analfabeto corrobora pra eleger analfabeto como Tiririca e corrupto que nada faz a não ser fomentar falcatruas para beneficiar a se próprios. Por que esta pendência dos subsídios dos policias está pendente desde o início deste ano? Porque mais da metade dos "representantes do povo" não estão interessados em resolver este problemas. Estão pensando nas eleições do ano que vem e como manter os votos nos seus currais eleitorais.

Nos redutos mais intrínsecos do país ainda existe quem venda seu voto por um par de havaianas e um aperto de mão, aproveitando-se da ingenuidade e alienação de trabalhadores que eles insistem em manter analfabetos e com doses homeopáticas de promessas de campanha nunca cumpridas. São nesses nichos que uma escória de parasitas se ampara para garantir seus votos nas próximas eleições. É da decisão dessa gente descompromissada com a sociedade e protegida de seguranças particulares, que a sociedade depende com para por um fim à greve de PM's

Ironicamente, esta mesma polícia que hoje está em greve é a mesma que sentava porrada nos trabalhadores grevistas e estudantes, em São Luís, anos atrás. Exemplo clássico e oportuno de ser lembrado para que não haja perda de memória coletiva da sociedade foi a pancadaria autorizada pelo governador da época, João Castelo, atual prefeito de São Luís, no lombo dos estudantes que lutavam pela meia passagem urbana no início dos anos 80.  

A greve dos policiais militares gera um precedente que poderá ser disseminado em todo país caso seja mantida a passividade do Estado da solução do conflito. Um país de leis frouxas como o nosso, onde a população carcerária cresceu 450% nos últimos 20 anos e que segundo o personagem Fraga, de Tropa de Elite 2, corresponde dizer que neste ritmo, em 2081, 90% de toda população brasileira estará na cadeia não pode permitir que um determinado setor da sociedade mantenha todo o restante da sociedade como refém, principalmente descumprindo a CF. 

No gancho da greve dos PM's, os policiais civis já estão ensaiando uma paralisação na próxima semana que deverá ser antecipada pela dos motoristas de ônibus urbano, por conta da segurança, já que sem polícia nas ruas os bandidos estão antecipando o Natal. No momento que bandido não respeitar polícia e a polícia não respeitar a sociedade estaremos à beira da desobediência civil. 

Com o impasse nas mãos da governadora Roseana Sarney, torcemos que a mesma não solte para os policiais e bombeiros a mesma pérola que seu comparsa  colega cearense, Ciro Gomes, pronunciou sobre a greve recente dos professores da rede estadual: "professores não devem trabalhar por causa de dinheiro, quem assim pensa deveria deixar a profissão".

Este é o país que planejamos?

quinta-feira, 31 de março de 2011

O CÉU ESTÁ CAINDO!!!!!!!!!!!!!!!!!


Enquanto uns não andam de avião porque tem medo de morrer num acidente, em São Luís o risco é ficar dentro do aeroporto aguardando o vôo porque o telhado está na iminência de cair. Isso porque não houve nenhum terremoto nem tsunami por aqui.

A solução paliativa que beira o ridículo foi acomodar os passageiros no meio da rua, sob tendas, pra enfrentar o clima louco dos trópicos nesta época: ora faz calor de rachar a cabeça, ora uma tempestade tropical.

Pra amenizar a ira dos passageiros a Infraero resolveu reduzir a taxa de embarque. Veja bem: reduzir, não dispensar. No dia seguinte a esta notícia, a governadora exigiu que a Infraero isentasse os passageiros da referida taxa, o que seria no mínimo uma decência. Mas hoje a Infraero mandou dizer que somente a Anarc tem poderes pra isentar a taxa de embarque. Blá, blá, blá...Enquanto isso, os passageiros que se f****

Um dos males de São Luís é ser cidade histórica, pois está embutido no sangue do Poder Público que as construções não precisam de manutenção e reformas como os casarões antigos com suas paredes de meio metro que já perduram por centenas de anos.

Isso porque a cidade pleiteava ser sub-sede da Copa. Tá bom! Me compra um bode e me trás de troco a catinga!

Vejo o vídeo da TV Mirante com os transtornos causados pela chuva de ontem aos passageiros: Caos no Aeroporto

sexta-feira, 18 de março de 2011

CADA POVO TEM O CASTELO QUE MERECE

Inglaterra:

Castelo de Windsor

França:

Castelo de Chambord

Alemanha:

Castelo Neuschwanstein

República Theca:

Castelo de Praga

São Luís:

Prefeito João Castelo

E o seu legado à cidade:





domingo, 1 de agosto de 2010

A REPÚBLICA DO MARANHÃO

No Maranhão os políticos agem como se o Estado fosse um país independente. Felizmente não é, pois se fosse teria como presidente  um coronel caricato de chapéu panamá e charutos de uma república das bananas.

Um dos maiores empresários maranhenses foi perseguido pela Intepol, preso no Rio de Janeiro e encaminhado para a penitenciária de Pedrinhas, mas posou às gargalhadas para as fotos enquanto era preso e sequer colocou os pés naquele presídio.

O Estado com maior número de condenações no TCU (7.854, total no país) é o Maranhão, com 728 ocorrências e os “ficha suja” mais conhecidos no Maranhão são: Paulo e Márcia Marinho, Zé Vieira, o deputado José Lima, Ricardo Archer, Rubens Pereira, Rômulo Augusto Trovão, o professor Caio Hostílio, José Henrique Brandão, Luis Osmani, Calvet e Magno Bacelar.

Ainda assim o TRE do Maranhão - passando por cima do TSE - decidiu nesta segunda que a Lei da Ficha Limpa não pode ser aplicada a condenações ocorridas antes de sua vigência. Com a decisão, os juízes garantiram o registro da candidatura do deputado federal e candidato à reeleição José Sarney Filho (PV-MA).Disso resultou o comentário de Arnaldo Jabor em que os políticos do Maranhão são iguais àqueles do Afeganistão.



Em março, o Maranhão também foi notícia na mídia, através de Alexandre Garcia, sobre as condições precárias das escolas no interior do Estado, favorecendo a manutenção do analfabetismo para que as crianças ficassem nas mesma condições que os pais. Se você não viu, veja aqui.

Semana passada uma ONG invadiu as praias da Av. Litorânea para alertar sobre a atitude criminosa que vem ocorrendo a décadas e que já causou até intedição do banho de mar. Segundo dados da ONG, são lançados 9 milhões de litros/hora de esgoto não tratado nas praias de São Luís.


A cidade vive um boom imobiliário. Nunca se construiu tanto. A Prefeitura arrecada com alvarás, ITBI's, ISS; as lojas de materiais vendem, o Estado arrecada o ICMS. Todos eles ganham, menos a população que tem a qualidade de vida comprometida.

Mas não existe seriedade para uma solução. Interdita-se as praias mas alguém intevem e diz que isso é ruim pro turismo. Pra uma cidade considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, São Luís merecia mais respeito. E a população muito mais.

Depois querem atrair investimentos estrangeiros e turismo. 

Sabe o slogan " trate bem o turista que ele volta"?

Volta? Quando?

domingo, 27 de junho de 2010

EU FALO MARANHÊS

 Em frente a Lobrás pra capar bombom


Reginete, a empregada da casa do Vieira, chega da Rua Grande toda querendo ser, de traca amarela, uma japonesa bandeirosa com pontuação 2 números acima da sua, rebolando e exibindo sua calça nova, daquelas bem apertadas, lá no redengue, que comprou pra sair à noite. Logo gerou um bafafá dos invejosos da rua.

-Olha a barata do Vieira. Quer se aparecer! Tá escritinha uma fulêra!

-E tu parece uma nigrinha dando conta da vida dos outros, retruca a mulher do seu Barriga.

A molecada dá rua se agitou. A galera do chucho parou para secar a moça. Até quem tava no desafiado.

Guga tava  empinando seu papagaio na guina para lancear melhor e com uma bimbarra reforçada, como proteção ao freio e linha puída pelos amigos que sabotavam pisando nela. Quando viu Reginete tomou logo gosto:

-Éguass Reginete! Tá bonita como quê!

-Hummmm piqueno... O que é hein?? Só porque tô minha calça nova? Comprei na Lobrás, tá?!

Vítor, o mais novo da turma, desinformado, questiona:

-O que é Lobrás?

- É uma loja. abestado. Ao pegado da Mesbla. Defronte das Pernambucanas. Onde a gente vai sempre capar bombom, cortou Guga.

Caverna, sempre casqueiro, largou sua curica feita de talo de coqueiro e folha de caderno e veio catingando que só ele, arrumar cascaria com Guga.

- O quê que tu quer? Não apurrinha, não! A nêga é minha.

- Hummm tu quer te amostrar pros teus pariceiros? Te dole um bogue!!!

- Me dáli??? Rapá, tu não me trisca!!!

- E a galera querendo ver o oco, vem zilada jogar lenha na fogueira.

- Ééééssseeeee!!! Tá falando da tua mãe!!! Chamou de qualhira!

- Éééguasss...Eu não deixava!!! Cospe aqui - diz Dudu estendendo a mão.

Mas Guga não entra na conversa dos amigos:

- Vocês só querem ver a caveira dos outros!

- Ihhh gelão...Cagou ralo hein Guga!!! Tá aberando!!!

Lombo tava quebrando peteca alheia ali do lado com seu cocão de aço. Principalmente as olho de gato. De vez em quando usava o recurso do olhinho, mas dificilmente só bilava. Pediu limpo, completou matança nas borrocas e depois foi pro casa ou bola. Ás vezes porco ou leitão vistando. Quando ouviu a conversa dos moleques, interviu:

- Ê Caverna, tu já tá coisando os outros aí né?! Para de inticar!!! Vaii já levar um sambacu!

- Hen hein. Vamo já te dale um malha - confirma Guga, aliviado com a intevenção de Lombo.

-Hen hein... - ironiza Caveira imitando Guga com a voz afeminada.

- Ah disgranha!!! Não me arremeda não!!!Olha o raspa!!!

- Ahhh...Vai te lascar!!!

Depois do furdunço por sua causa, Reginete sai toda empolgada de lá e decide dar logo uma parada na quitanda da Zefinha, lembrando que seu Vieira havia pedido que ela comprasse alguns ingredientes para garantir o fim de semana, já que dona Veridiana ainda não havia feito a Lusitana do mês.

- Oi Dona Zefa! Quero camarão seco pra botar na juçara da Dona Veridiana e fazer um arroz de cuxá! Me arruma 3 Jeneves, 2 quilos de macaxeira, um lidileite alimba, 2 pães massa fina e 4 massa grossa!

A senhora vai checar seu estoque no freezer e retorna:

-E essa outra...Só tem guaraná Jesus. Vais querer? Vais querer quantas mãozadas de camarão?

- Três mãozadas tá bom. E pode ser Jesus sim.

Ao chegar em casa com as compras, seu Vieira repreende a moça:

- Tu fica remancheando pra trazê o cumê. Tô urrando de fome aqui já. Cuida piquena que eu tô brocado!!! Vou só me banhar e quando voltar quero ver tudo pronto!


- Ô seu Vieira...O senhor é muito desinfruido! Já tô arreliada com uma confusão dos meninos na rua! Não me aguneia! Confie ni mim que faço tudo vuada! O senhor sabe que...

-Já seiii...Tá bom...Aí fala mais que nêga do leite. Eu hein?! - seu Vieira interrompe.

Neste momento chega Marquinho, filho do seu Vieira, com a equipagem da bolívia querida toda suja. Sinal de mais trabalho pra Reginete.

- Menino, olha essa tua roupa!!! Tava num chiqueiro era? Vai ficar encardidinha! Isso não sai não! E esses brinquedos?! Tudo esbandalhado! Aí não tem jeito! Olha...Tá só o ceroto.

- Tava jogando travinha com os moleques! Não me enche e me dá logo esse refri aí que tô com sede.

- Hum hum. Isso é do seu Vieira!

- Marrapá! Por quê?! Deixa de canhenguice, piquena!

- Deixa eu cuidar comigo que ainda quero sair hoje pra radiola do Clubão! Vai rolar só pedra!

Passada a janta, Reginete já exausta lava a louça e reflete sobre o evento da noite: 

- Já tô é aziada e as meninas não ligam. Amanhã começa mais um dia de trabalho e se sair hoje ainda fico lisa pro fim de semana e eu ainda quero ir lá na ponta dareia.

- Quer saber, vô logo é consertar o rirri do meu short que tá rebentado e dormir que tô numa coíra só.

E foi pro quarto toda se rebolando e rindo, se lembrando do relacho que deu na molecada da rua.

sábado, 3 de abril de 2010

MALHAÇÃO DE JUDAS

Sábado de Aleluia era uma data fortemente marcada pela tradição da malhação de Judas.

As pessoas dos bairros reuniam-se antecipadamente para a confecção dos bonecos recheados com papel, serragem, maravalha e os vestiam com uma indumentária de roupas usadas, pendurando-os no poste até o final do dia para a leitura do testamento, a malhação e a queimação.

O testamento - pra quem não sabe - é um dos pontos pitoresco da malhação. Feito por um autor anônimo ele usa e abusa das peculiarides das pessoas da comunidade com ironia. Uns sentem-se ofendidos, outros não.

Essa tradição vem se esvaindo rapidamente e já é raro ver um Judas pendurado no poste na área urbana da cidade. Porém hoje tive a grata surpresa de ver um Judas bem feito e alinhado no brio, dentro de um terno e aguardando o momento da malhação, no bairro vizinho ao meu.

Parei pra tirar esta foto de registro desta tradição já quase esquecida.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

MAIS CRIOLINA: QUEBRA-POTE



A dupla Criolina - Alê Muniz e Luciana Simões - levando o prêmio de melhor vídeo-clipe do 30° Festival Guarnicê de cine e vídeo, com a música Quebra-Pote, sob direção de Alex Soares.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

EU VI MARÉ ENCHER



Show da dupla Criolina - Alê Muniz e Luciana Simões - no lançamento do segundo CD Cine Tropical, na
Praça Nauro Machado, no Centro Histórico de São Luís.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PIRATAS DE TUTÓIA

Piratas ganeses foram destaques na mídia local depois que encalharam um veleiro nas praias de Tutóia e tentaram trocar euros no mercado local, fruto de um saque a um casal suiço que dava a volta ao mundo com a família.

O que vieram fazer na costa maranhense não se sabe. Talvez estivessem desgarrados pelo mar. O fato é que a costa maranhense não é um local ideal para principantes devido as altas variações das marés de até 7 metros, as correntes marinhas e os recifes, como o Parcel Manoel Luís, que desde o descobrimento até a metade do séc. XX já causaram mais de uma centena de naufrágios.

Por conta desta peculiaridade da natureza, São Luís foi fundada por franceses. Conta a história que logo após o descobrimento todas as tentativas portuguesas de aportar nesta região foram infrutíferas devido ao desconhecimento de seus marinheiros dos perigos da região o que resultou no naufrágio de várias embarcações na tentativa de posse destas terras. E ao que tudo indica, os sobreviventes acabaram devorados pelos índios do litoral. Por estes infortuitos, Portugal logo abandonou a idéia da colonização.

Aproveitando-se disso os franceses, mais acostumados a navegabilidade da costa norte da América do Sul e por manterem mais contato com os índígenas devido à expedição de 1604 de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere, na Guiana Francesa, aportaram no Maranhão por uma rota marítima própria e deram início a criação da França Equatorial que resultou na fundação de São Luís. 

Quanto aos ganeses, a boa vida de sol e mar acabou. Estão detidos numa cela com 3 refeições diárias. Sorte deles. Há 500 anos, se tivessem escapado dos tubarões após um naufrágio, teriam sido devorados sem dó, pelos tupinambás.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

UMA PRAÇA NA BEIRA DO MAR
















A Praça Gonçalves Dias devia ser tombada como Patrimônio da Humanidade.

Acredito ser uma das praças mais bonitas do país. Feito um mirante em frente a entrada da baía de São Marcos e dando vistas aos telhados coloniais da velha cidade, a praça mantém-se ainda bordejante ao Rio Anil com sua herança de manguezais.

A história da minha vida está muito interligada à praça.

Primeiro, porque quando eu morava na casa do meu avô, ali próximo, meu pai me levava para dar minhas primeiras pedaladas na minha bicicleta Peter Pan, de rodinhas laterais. Ali fui aprendendo a manter o equilíbrio e depois sem as rodinhas, aprendendo e sentindo a dor das primeiras quedas.

Havia na praça, um tanque em formato de serpente ou dragão, com uma pequena ponte servido de passarela. Depois que ganhei a confiança em pedalar por toda praça, criei o desafio de atravessar a pequena ponte de bicicleta. Foi um mergulho dentro do lago. Como a ponte tinha uma pequena elevação, não contei que teria de pedalar mais forte durante a travessia...

Depois foi a época escolar. Estudei num colégio ao lado da praça, da metade do ginásio até o final do 2º grau. Foram 5 anos de relação com a praça. Foram tardes de conversas adolescentes, risos, namoros e incontáveis pôr-do-sol, na cidade em que o tempo passava devagar.

Depois vieram as festas de casamento na Igreja dos Remédios em que a gente entrava de penetra para tomar champanhe e comer os salgadinhos. Diga-se de passagem que a gente não entrava à toa. Próximo ao final do casamento, antes da recepção, a gente ia em casa botar o paletó, pra entrar alinhado.

Mais tarde, durante a faculdade, nas férias, nos que estávamos dispersos pelo mundo nos reuníamos noites e madrugadas adentro em experiência etílicas com vinhos de procedência duvidosa, para tocar violão e impressionar nossas amigas com nossos versos "cabeças" que deixávamos nas garrafas vazias, juntos as palmeiras imperiais, como naufrágos da ilha em que habitávamos, esperando ser salvos.

No centro da praça, testemunhava tudo isso em silêncio, a estátua do poeta.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

REMINISCÊNCIAS SOBRE ANA JANSEN


Ana Jansen sentou-se na cadeira de sua escrivaninha com as mãos sobre olhos e refletiu sobre o impacto das medidas que iria tomar contra a recém inaugurada Companhia de Águas, cuja criação interferiria diretamente em uma de suas principais fontes de renda: a distribuição de água em carroças-pipas. Havia mandado jogar gatos mortos no reservatório de água da cidade e documentar o ocorrido, pois na manhã seguinte a manchete do matutino seria: Companhia de Águas distribui água contaminada para a população!!!

Esta é uma das muitas histórias a respeito de Ana Jansen, uma mulher influente que viveu entre 1787 e 1869, em São Luís, uma cidade provinciana isolada no norte do país, cujas riquezas dependiam do trabalho escravo ao largo do Trapiche onde embarcações descarregavam mercadorias para os armazéns de secos e molhados da Praia Grande.

Viúva do Cel. Isidoro, um dos homens mais ricos da época e casada em segundas núpcias com o comerciante Antônio Xavier, Ana Jansen foi dona de várias propriedades dentro da cidade e nos seus arredores, explorando e diversificando negócios. Sua vida foi marcada por intrigas, calúnias e desafetos, especialmente pelo fato de ser mulher numa sociedade regida por homens, durante o período Imperial no Brasil. Exerceu poderosa influência política e administrativa na então província comprando patentes e títulos de nobreza, indicando e elegendo políticos, escolhendo e demitindo funcionários públicos, removendo e derrubando magistrados.

Um dos seus desafetos, o comerciante Antonio Meireles, mandou confeccionar na Inglaterra vários penicos de porcelana com a imagem de Ana Jansen estampada no fundo para desmoralizá-la e os colocou à venda nos comércios da cidade. Astutamente, ela mandou comprar todos através de seus intermediários e depois mandou quebrá-los, cheios de bosta, na porta da residência do comerciante.

Mas quanto valeria a fortuna de Ana Jansen? Até que ponto ela era uma mulher rica suficiente para exercer tanto poder?

No seu testamento, a partilha de todos os bens foram avaliados em 128:169$000 (Cento e vinte e oito contos e cento e sessenta e nove mil réis ). Utilizando as relações de que entre 1840 e 1870, um conto de réis comprava 1Kg de ouro, dos valores comparativos de um jovem escravo ( até 900$000) e de um boi (24$000) e dos valores de títulos de nobreza durante o Império ( ser Barão custava 750$000 ) estimei os bens avaliados no testamento de Ana Jansen em cerca de R$ 9.000.000,00.

Um valor significativo ainda hoje, porém muito mais naqueles tempos. Apesar disso, foi-lhe negado pelo Imperador D. Pedro II o título requerido de Baronesa de Santo Antônio, cabendo-lhe, no entanto, passar para a história com o título de A Rainha do Maranhão.

sábado, 5 de dezembro de 2009

A SÍNTESE DO CONTRADITÓRIO


A humanidade no impulso tosco de suas limitações sempre jogou a culpa em seus deuses e mitos. Quando algo dava errado para os gregos, Zeus e a galera do Monte Olimpo eram os culpados; quando algo dava errado para hebreus e judeus, aquilo era a vontade Divina. E quando alguém interrompe a festa do homenageado para "desomenageá-lo" por capricho político, damos razão a quem?

O poeta Celso Borges anda cuspindo no prato que comeu.

Em entrevista ao colega Garrone, fez críticas ao posicionamento político do poeta Gullar com relação a um programa do PFL durante a pré-candidatura de Roseana Sarney. Não conheço pormenores da vida de Borges e posso até estar equivocado em dizer que anos atrás ele trabalhava como colaborador do jornal e da rádio pertencente ao grupo que ele condena.

A meu ver, Celso dá uma de oportunista, utilizando-se da homenagem à Ferreira Gullar, na 3ª Feira do Livro para auto-promover um livro que lançará em janeiro.

Não se pode juntar o mito à criatura, o homem ao poeta. Mark Chapman fez isso e assassinou John Lennon. A visão de Borges a Gullar é de que o poeta fundiu-se ao homem e está morto. O que é um equívoco. Ainda mais na visão de Borges, um dos melhores poetas maranhenses deste fim/início de século.

Sua entrevista me reporta a um grego correndo pela planície do Penopoleso conjurando a vontade dos deuses contra sua própria existência.

A síntese do contraditório é de o tiro sair pela culatra.

sábado, 28 de novembro de 2009

O CASARÃO DO CAMPO DE OURIQUE

A foto ao lado é um cartão postal comum nas bancas de revista da cidade. Mas para mim esta era apenas a casa do meu avô. A casa onde nasci e vivi até os 5 anos de idade. O casarão do Campo de Ourique é de onde residem minhas primeiras lembranças de uma infância feliz.  Lembranças de um tempo mais tranquilo, de almoço em família, de brincadeiras de criança no terraço. Tempo em que as casas não possuiam grades nas janelas, os muros eram baixos e que não se vivia na reclusão das casas como se vive hoje em dia.

Minhas lembranças não seguem uma ordem cronológica e estão misturadas a várias fotografias amareladas que conservo até hoje. Lembro-me de ter visto pela janela do quarto da minha avó, ao entardecer, um barco a vela descer pelo rio Anil; o dia que prenderam um ladrão de galinhas no quintal dos fundos da casa; os copos vibrando dentro da cristaleira quando eu passava correndo pelo assoalho de madeira da sala de estar; a escada em espiral que levava à cozinha e ao porão, um local escuro e que eu achava sombrio e esquisito; o dia em que meu irmão nasceu, vindo da maternidade; o santuário de minha avó numa sala adjunta ao meu quarto; o dia em que joguei fora o meu pipo sob o comando do palhaço Arrelia, desta sacada na foto, para espanto de meu pai.

O casarão existe até hoje e foi reformado pelos atuais proprietários conservando o estilo art nouveau do início do século XX. Porém o quintal ao lado onde conviviam enormes jabutis, perus e galinhas, sob a sombra de várias goiabeiras, deu lugar a um prédio comercial, levando consigo a luminosidade daqueles dias, com suas manhãs e tardes preguiçosas em que o tempo demorava a passar e que agora restam apenas nas minhas lembranças e fotografias.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ENGARRAFAMENTOS: PRA ONDE VAI O IMPOSTO QUE PAGAMOS?


O maior defeito da gestão pública é que quando ela é deficiente a gente só percebe o estrago em longo prazo. A gente sabe que a coisa vai indo mal, se engana imaginando que alguém vai resolver e quando se dá conta o caos está generalizado. Falo dos engarrafamentos nas cidades brasileiras. Estou omitindo “grandes cidades” porque hoje em dia as cidades não precisam ser grandes para ter engarrafamentos.

A solução pra mim é simples. Chama-se investimentos. Com recursos dos impostos que pagamos sobre aquisição, uso e manutenção dos veículos que usamos. Simples assim. Difícil é saber quem vai fazer, pois não existe atitude nem em repintar as faixas de pedestres apagadas da cidade.

Eu me lembro do aero-williams do meu pai que ele abastecia de vez em quando com gasolina azul de aviação e que as BR’s eram bem sinalizadas e administradas pelo DNER com aquelas placas que hoje a gente só vê nos manuais pra tirar carteira de motorista. Hoje não se vê sinalização de boa qualidade nem nas principais ruas nem avenidas da cidade. Quando existe ela é precária e mal conservada. Até os faróis dos semáforos estão perdendo a cor. Tem horas do dia que não se sabe se tá vermelho, verde ou tudo apagado. Até os guardas de trânsito sumiram. Virou terra de ninguém. Só o Estado arrecada. E o dinheiro vai pra onde?

Dados de outubro/2009 indicam que São Luís foi a 14ª cidade do país com aumento de frota nos últimos 8 anos com crescimento de 102% no número de veículos, superando Fortaleza e São Paulo que cresceram 59% e 47% respectivamente no mesmo período.
A cidade conta com uma população de 997.098 habitantes e a frota de veículos entre 2001 e 2009 passou de 99.759 para 201.702. São Luís tem 1 carro para cada 5 habitantes.
A pergunta que se faz é a seguinte: para onde vão os impostos que pagamos sobre o preço do automóvel, da gasolina misturada e do IPVA?

Façamos as contas e vamos chegar a um resultado de centena de milhões de reais/ano. que deveria ser utilizado para melhorar a qualidade do trânsito para motoristas e pedestres. O imposto embutido no valor do veículo é de até 40%; na gasolina misturada, cerca de 50% e o valor de IPVA varia de 2% a 5% do valor do veículo conforme o Estado ou Município.

Faz cerca de 30 anos que não há uma renovação da malha viária da cidade, embora a pelo menos uma década já houvesse esta necessidade. No entanto, as concessionárias comemoram seus recordes de vendas, o governo comemora o aumento da produção do petróleo, até o Detran comemora quando é época de cobrar o IPVA.

Enquanto isso, no trânsito, imagino utopias. Imagino se a vida vai imitar a ficção e a solução para os engarrafamentos será aquela apontada em Minorty Report, onde os carros deslizam por rodovias verticais. Porém até as utopias necessitam de atitudes para serem realizadas. Como utilizar os impostos que pagamos de forma inteligente e honesta, num bem comum para todos.