sábado, 30 de abril de 2011

TAPETES


Tenho 40 anos e nunca pensei em casar. Minha relação com o amor é da forma mais piegas que eu conheço desde a adolescência quando li  Vinícius: "que seja infinito enquanto dure". E assim tem sido e eu tenho mantido meus relacionamentos ao longo destes anos com mulheres maravilhosas que tem cada uma delas, a sua maneira, deixado marcas na minha vida e lembranças que se perpetuam inesperadamente.

Heloísa, a mais recente delas, estranhou quando a levei pela primeira vez na minha casa e viu um cômodo cheio de tapetes. Não perguntou nada, mas pude perceber em seu semblante a curiosidade anunciada. Mais tarde, com a relação mais íntima e cheia de curiosidade me perguntou sobre a origem daqueles tapetes, então lhe disse:
-São lembranças de minhas antigas namoradas!

Ela me encarou como se eu fosse um psicopata, afinal as pessoas guardam fotos, cartas, bilhetes....mas tapetes? Só psicopatas e serial-killers guardam tapetes para enrolar suas vítimas e depois jogá-las no fundo do rio com pesos no pés. Então, antes que ela tivesse ideias absurdas a meu respeito, resolvi lhe contar a minha história, da forma mais detalhada possível, porque já havia repetido tantas vezes para as outras mulheres da minha vida.

Tudo começou com Magda. Goiana, do interior e acostumada à vida natureba de acampamentos e luaus, sugeriu que comprássemos um tapete para fugir da rotina da cama, pois havia um espécie de dualismo do objeto, tipo: cama = lugar de sexo e cama = lugar de dormir, e isso mais cedo ou mais tarde iria interferir na nossa relação. Achei aquilo interessante porque eu mesmo tinha uma espécie de ojeriza de televisão no quarto de dormir. Logo depois ela apareceu com um tapete e umas almofadas indianas e criou todo um clima sensual no nosso ambiente que simbolicamente batizamos de As Mil e uma Noites de Amor. Mas, um dia, a mágica acabou, ela foi embora, o tapete ficou e eu o guardei enrolado lá no cômodo.

Quando comecei minha relação com Célia ela me perguntou do tapete e após contar a história, que estranhamente ela achou muito divertida, ela também resolveu comprar um tapete para criar nossa própria história. Célia era chegada nestas coisas de quiromancia e astrologia e toda vez que a gente ia usar o tapete ela o circulava com incensos e cachepos com velas aromatizadas e particularmente entoava uns mantras antes, durante e após nossas sessões de sexo.

Aí toda namorada que surgia na minha vida ouvia estas histórias e comprava seus próprios tapetes. Nas minhas entressafras amorosas, confesso que muitas vezes desenrolava um deles e ficava me lembrando e sentido saudades de tudo que havia acontecido sobre eles.

Senti uma ponta de ciúme em Heloísa depois que ela ouviu minha história, mas eu já tinha visto isso antes em outras namoradas. No dia seguinte Heloísa apareceu lá em casa com um belo tapete e me disse:
- Vamos fazer nossa história neste tapete!

E assim durante os oito meses seguintes em que durou o nosso relacionamento o tapete foi testemunha de nossa paixão e de nossas fantasias.

Nosso relacionamento desandou quando Heloísa chegou lá em casa sem avisar e me encontrou deitado num outro tapete, que havia pertencido a Kate, uma inglesinha que veio fazer um intercâmbio aqui no Brasil alguns anos atrás. Ficou inconformada, falou em traição, que eu não prestava, que homem é tudo a mesma coisa...

Tentei lhe explicar que as pessoas não controlam suas lembranças, seus pensamentos...Mas foi em vão. Forjamos uma paz pra recuperar a confiança perdida, mas passamos a dormir e a fazer sexo na cama. Com o passar do dia só dormíamos. O sexo não fazia sentido na cama. O encanto havia se quebrado. Maldito Vinícius que descobriu a fórmula do fim do amor!

Um dia quando cheguei em casa não encontrei nossa tapete, apenas um bilhete em seu lugar que dizia:
-Se você não pode me amar como eu mereço, não posso permitir sequer que você fique com lembranças minhas. Adeus, H!

5 comentários:

Antonio José Rodrigues disse...

KKKKKKK
Jorge, rapaz, no seu caso não são os tapetes que voam, mas as mulheres. Abraços

Charles Chaar disse...

Kkkkkkkkkkkk, muito bom. Que garanhão você é, hein?
Da próxima vez, não vai precisar repetir a história para as mulheres que forem chegando... É só mandar elas lerem o texto! Kkkkkkk

Evanir disse...

Minha mãe E sua Mãe
Que ao dar a benção da vida, entregou a sua...
Que ao lutar por seus filhos, esqueceu-se de si mesma...
Que ao desejar o sucesso deles, abandonou seus anseios...
Que ao vibrar com suas vitórias, esqueceu seu próprio mérito...
Que ao receber injustiças, respondeu com seu amor...
E que, ao relembrar o passado, só tem um pedido:
DEUS, PROTEJA MEUS FILHOS, POR TODA A VIDA!
Para você mãe, um mais que merecido:
Feliz Dia das Mães!
Você merece!!!
Meu abraço meu carinho para você

Feliz Dia Das Mães.
beijos e beijos com infinita
ternura,Evanir.
www.aviagem1.blogspot.com

Nosso Dia Das Mães..Brasil

João Ludugero disse...

Gostei do seu blog. Interessante. Adorei tudo que li. Vou voltar mais vezes.
Passe lá no meu blog. Se gostar, me "persiga".
Tenha um ótimo fim de semana!
Felicidades e alegrias duradouras.
Abraços,
João Ludugero
www.ludugero.blogspot.com

Ricardo Chicuta. disse...

Ótimo texto.Vai para o facebook.