sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

BATENDO TAMBOR

De tanto falarem na macumba do Haiti, comecei a ficar preocupado com os maranhenses e os baianos que por aí levam a fama de serem da terra da macumba; mas um post vindo lá dos States em resposta às declarações de Pat Robertson me deu esperanças de não pintar nenhuma tragédia por nossas bandas. Disse o autor da postagem que " quando o diabo faz um pacto em vida com o povo, não deixa eles num índice de 80% de pobreza, como no Haiti, mas com muita riqueza, beleza, talento, saúde, fama e glória. Depois de morto é outra história". Quer dizer, essa coisa de riqueza, beleza, etc., tá mais pra pacto no primeiro mundo que pra nós.

Aqui no Maranhão a terra da macumba é Codó. Os eruditos da cultura maranhense contabilizaram cerca de 250 terreiros de macumba naquela cidade que deve ter algo em torno de 100 mil habitantes. Proporcionalmente, seria como se o município de São Paulo tivesse hoje 27.500 terrreiros de macumba.
Há pouco tempo, morei lá uns 3 anos e às vezes as coisas mais simplórias acabam desandando pro lado do feitiço.Uma das situações engraçadas que presenciei foi numa noite que faltou energia e um dos colegas foi comprar uma vela na quitanda e voltou sorrindo com a seguinte história:
 - Fui naquela quitanda da esquina e perguntei: Moço o senhor tem vela?
E o quitandeiro disse:
- De que cor?

Quer dizer, se você não especificar o que você quer exatamente pode acabar com sapo na barriga.

Mas a situação mais inusitada ocorreu-me em Fortaleza. Duas amigas me convidaram para uma feijoada num final de semana na casa de um conhecido na periferia e passamos o dia numa festa agradável, com cerveja, música e churrasco. No começo da noite elas me chamaram para ir "ali". Nessas hora o cara com 20 anos só pensa sacanagem. Aí eu fui. Caminhamos um bom pedaço até chegar numa casa que só me dei conta que era um terreiro de macumba quando entramos. E tinha que deixar o sapato no canto.

Quando os tambores começaram a bater, os presentes iniciaram o ritual da dança. Mulheres de um lado, homens do outro. E eu lá. Com poucos minutos de dança, tambor pipocando, alguns dançante foram ficando em transe e começaram a cair no chão se tremendo todo. E caía um e caía outro e foi diminuindo a quantidade de gente que estava em pé. Eu era um deles e pensava: daqui a pouco sou eu que tô no chão me tremendo  e babando todo. Comecei a articular uma maneira de escapar dali.

Aí tive a idéia de dançar e espiar onde estava meu sapato no meio de um monte de sapatos. Dançava, ía de uma ponta a outra até passar perto dos sapatos e dava uma espiada pra localizar o meu. Uma hora vi meu sapato e na passada da dança, me abaixei, estiquei o braço. peguei os danados pelo cadarço e dei uma escapulida pela porta.

Cinco minutos depois, tô lá no meio da rua fumando um cigarrinho, olhando a lua ,quando alguém me bate no ombro e diz: "Meu amigo você tem que voltar pro terreiro senão a Pomba-Gira não vai baixar". Olhei pro cidadão e disse: " Meu compadre, se depender de mim a Pomba-Gira não vai baixar hoje!" E não voltei mesmo.

No dia seguinte, perguntei pras minhas acompanhentes o que fomos fazer lá no terreiro. E elas responderam que uma delas suspeitava estar grávida e que a Pomba-Gira identificaria as grávidas no terreiro E a fulana tava mesmo grávida.

É!!! Vivendo e aprendendo! Ah, o filho não era meu!!!!

Um comentário:

Daniela disse...

Putz,a pomba-gira devia ter mais credibilidade nessa época do que o exame BHCG entre sua amigas.O esclarecimento no final foi pertinente!Muito engraçado amigo!kkkk