quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A MULHER INVISÍVEL

Mes passado vinha juntando os cacos pra escrever algo sobre o encantamento e a dissolução dos relacionamentos quando me surgiu na cabeça o título da postagem: A Mulher Invisível.

Enquanto formatava as idéias, em um dos blogs que leio, um ávido escritor postou um artigo com o mesmo título. Putz! 

Porém antes de me desencantar com a coincidência, resolvi aproveitar o gancho e identificar, pelo menos, tres tipos de mulheres invisíveis que permeiam o fabulário masculino.

A primeira delas, aquela descrita pelo ávido escritor, é sobre a mulher acostumada a causar frisson por onde passa; os homens ficam alucinados, a mulheres mordem-se de inveja. Até as árvores torcem os galhos para tocar-lhes os cabelos. Ela não caminha: desliza com seus pezinhos de princesa. Mas eis que tem um dia que o encanto desaparece como se a camada de feromônios houvesse evaporado  pela camada de ozônio e ela, por mais que se esforce em trejeitos, penteados, maquiagem, rebolados, assanhamentos, não consegue atenção dos rapazes e passa despercebida na multidão. Não há nada mais deprimente para esta mulher do que deixar de ser vista e desejada.

A segunda mulher invisível faz o tipo Luana Piovani, do filme homônimo. Esta faz parte da imaginação dos loucos, dos poetas e dos sonhadores. E faz um mal danado. Especialmente pelo óbvio: porque não existe. E por não existir fica criando falsas esperanças do tipo "talvez quem sabe um dia/por uma alameda do zoológico/ela também chegará..." E aumenta a solidão no coração dos iludidos esperançosos.

O terceiro tipo é aquele mais crônico. Trata-se daquela ex que já foi abduzida de sua vida e atirada no limbo de sua mente sem lembranças até que um dia seus caminhos se cruzam e ela comenta que lhe viu semana passada numa exposição de espadas japonesas. Você até se lembra que esteve na exposição mas não se lembra de tê-la visto ( já nem se lembrava de suas feições ) mas ela insiste e diz que você a viu pois estava do seu lado e que só não lhe cumprimentou pois estava com o novo namorado a tiracolo e tinha que se comportar como uma moça-de-famíla-bem-educada-pronta-pra-casar. Você não insiste. Ela não guarda rancores, embora você possa sentir um desprezo ( perdão do trocadilho) em sua voz afiada. Você sorri e diz que foi bom vê-la assim tão radiante, mas pede desculpas educadamente e diz que não pode ficar para conversar mais um pouco pois sua namorada - a Mulher Maravilha - está lhe esperando no avião invisível para uma sessão de filmes, hoje a noite, no apartamento dela. E quer se emocionar assistindo uma reprise de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.

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