sábado, 10 de abril de 2010

REFÚGIO




Que é feito agora de nossa agonia
sofrida entre murmúrios
se não me comove mais
a fúria do abandono? Resistir

para quê? Se em mim já não 
cabem tantos - apenas um.

Se te submetes a fingidos cíumes
deixa-te levar
por amarguras de pretéritos queixumes

- Eu não que me guardo! Onde
senão na solidão obscura do quarto
quando não te vejo nem te escuto
onde, a imaginar-me tomado pela 
sombra do teu vulto, refugiu-me absoluto

É quando me cego do amor necessário
do vício precário do amor e sofro,
incontido que sou, do mal em mim
de tua ausência amputada em mim

Como se nossos exércitos soubesse 
manusear - frágeis que são -
todas as armas frias da solidão.

5 comentários:

May Santos disse...

Poxa! É bom ver poesia aqui também!
Tão intenso e tão angustiante esse amor...

Mas o autor? É você?

Adorei!

Bjs
Bom domingo

Jorge Jansen disse...

Vira e mexe aparece um devaneio poético. Como se puxasse o poeta pelos cabelos do fundo do poço da inércia. Acho que tenho escrito muito sobre catástrofes e tragédias ultimamente. Resolvi mudar o rumo.

Cacau Vieira disse...

Apesar de não ser boa nisso, eu ainda gosto de ler poesias, pela sutileza que possuem, por dizerem tanto em tão poucas palavras. Adoreiiiiiiiii!!! A palavra é essa: "agonia"

Raquel disse...

esse talvez vindo do sonho do homem-sapo? catando sentidos como quem cata os vaga-lumes, simplesmente.

Ricardo Calmon disse...

Um menestrel da vida,em poética forma,tu és,trovador do amor ,tua sabes,luz irradias ,tu sentes!

viva la vida escriba