terça-feira, 27 de outubro de 2009

LEWIS CARROLL E O TURPENTE


O Rev. Charles Dodgson caminhava pelas colinas num dia de sol quando um verso lhe veio subitamente à cabeça: "The Snark was a Boojum!" Apesar de não fazer idéia do significado daquela verso, guardou-o e mais tarde o inseriu no final do poema intitulado The Hunting of the Snark ( A Caça ao Turpente ), cuja versão nacional de 1984, que tenho mãos e parecer ser muito rara hoje em dia, prima por ser bilíngüe e pelas notas de leituras, essenciais para o entendimento do texto e das palavras-valise.

Lewis Carroll, pseudônimo de Dodgson, já havia escrito as duas Alices quando publicou A Caça ao Turpente e, a obscuridade deste parece ter sido causada por não ter sido escrito em prosa como aqueles primeiros, porém não menos genial.

Dedicou o livro a Gertrude Chataway, uma de suas amizades infantis femininas tal como Alice, com um acróstico no início da obra. Estas amizades com centenas de menininhas tornaram-se a mácula da biografia do diácono.

Conhecido pelo estilo nonsense, pelas corruptelas das palavras, Carroll monta ao longo do poema uma seqüência de eventos caracterizados por enigmas, charadas matemáticas, referências literárias, históricas, usando a sonoridade das palavras num estilo poético e rítmico constante. O tradutor, não menos talentoso que o criador, esforça-se ao máximo para manter ao longo da tradução todo estilo carrolliano buscando inclusive novos significados para palavras já traduzidas em outros textos de Carroll por Augusto de Campos.

Literatura para adultos.

3 comentários:

Laura disse...

Eu não encontrei nenhuma tradução do "The Hunting of the Snark", sabe onde posso encontrar?
(Em algum site de preferência)
obrigada. :)

Paulo Celso disse...

Laura,
Vou pedir licença para o dono do blog para responder (espero que ele concorde).
Infelizmente, a editora que publicou o livro que é mostrado neste post parece que não funciona mais. A Interior Edições ficava na cidade de Além Paraíba, em MG. Eles publicaram o Caça ao Turpente, do Carrol e Os papéis de Aspern, de Henry James, nos meados da década de 80.
Eu tenho exemplares desses dois livros (são raridades). Eu os comprei na época do lançamento dos mesmos, diretamente da editora (operação feita pelo correio, com envio de carta e cheque - não havia internet ainda).
São livros muito bons. Sugiro que vc procure nos sebos. Veja no Estante virtual, mas não deixe de consultar os sebos do Messias e do Brandão (que não fazem parte do estante virtual).
Paulo Celso

Jorge Jansen disse...

Laura
Desculpe não ter observado sua pergunta neste post mais antigo. A resposta do Paulo Celso é absolutamente completa , o qual agradeço imensamente a colaboração.
Abraços