quarta-feira, 11 de novembro de 2009

VENDEM-SE LOTES NA LUA

E o pré-sal, hein?

O governo já começou a negociar os royaltes com os Estados. Eu tenho vontade de mandar umas caixas de óleo de peroba pra Brasília. Os caras tão negociando o pré-sal como quem vende terrenos na lua. É o tipo da coisa: você sabe que o petróleo tá lá, a Petrobrás tem know-how, mas não sabe quando vai começar a produzir. É bem capaz de o país só começar a explorar o petróleo quando o mundo já não precisar mais de combustíveis fósseis. E vai-se cobrar essa negociata de quem? Porque até lá muitos destes políticos que estão na negociata já partiram desta pra melhor. Ou melhor, eles mesmos já estão entrando no processo de virar petróleo.

Outro dia alguém perguntou o seguinte: "se Brasil o país do futuro, por que esse futuro nunca chega?" Eu digo que não chega porque quando o Brasil dá um passo pra frente, o futuro dá dois.

O Brasil, na verdade, tá mais pra país do já foi. Vejam só estes exemplos:

Transamazônica: sonho ufanista dos militares de uma estrada para integrar o Norte do país por dentro da selva amazônica, como opção de saída para o Pacífico. Hoje o que restou dela é mais um caminho de lama e mato ligando nada a coisa nenhuma.

Seringais da Amazônia: Fonte de riqueza do Estado do Amazonas no início do século passado, que foi surrupiada pelos ingleses, por biopirataria, para plantio em suas colônias. Hoje quase todo látex usado no mundo vem da Malásia.

Carro elétrico da Gurgel: Primeiro carro elétrico da América Latina, feito aqui no Brasil em 1974. Fatores diversos como a negligência do Governo em apoiar a pesquisa e o aprimoramento do carro elétrico, priorizando o programa do álcool combustível, permitiram que outros países tomassem a ponta da tecnologia do desenvolvimento do carro elétrico e nos oferecessem a preço de levar choque.

Tem a do avião também: Santos Dumont e os irmãos Wrigth. O brasileiro voou e os Wrigth registraram a patente. É da nossa índole sermos bonzinhos, amigáveis e receptivos com todos. Assim eles levam nossas riquezas, nossas patentes, até nosso cupuaçu que já estava patenteado no Japão. Ou seja, uma fruta nossa, indígena, levada pra Ásia por biopirataria, e o Brasil na condição de não poder usar o nome cupuaçu; caso contrário teria que pagar royates pros japoneses. Só muita bomba atômica na cabeça destes nipônicos.

E assim voltamos ao pré-sal. Aos terrenos na lua. Precisando de um lote, é só me mandar um e-mail. Só não garanto o translado, mas um dia chega-se lá.


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